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Reitores debatem ações na pandemia e retomada de atividades nas universidades públicas em Pernambuco

O reitor Alfredo Gomes disse que um dos grandes desafios é a retomada das atividades presenciais, que podem se manter suspensas até o final deste ano

A preservação da vida e a inclusão são o mote do planejamento das ações de universidades públicas em Pernambuco no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. O assunto foi debatido, ontem (18), pelos reitores Alfredo Gomes (UFPE), Marcelo Carneiro Leão (UFRPE) e Pedro Falcão (UPE), no seminário on-line “Universidades Públicas de Pernambuco. Enfrentando a Pandemia”, promovido pela Academia Pernambucana de Ciências (APC). O evento teve mediação do ex-reitor da UFPE Amaro Lins e comentários da ex-reitora da UFRPE Maria José Sena e do ex-reitor da Univasf Julianeli Tolentino.

Foto: Reprodução

Alfredo apresentou as principais ações da UFPE neste período

Um dos grandes desafios apontados pelo reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Gomes, é a retomada das atividades presenciais, que podem se manter suspensas até o final deste ano. “Essa é uma posição que está sendo muito baseada nas análises que o GT [Grupo de Trabalho] Covid faz; em artigos, por exemplo, do Departamento de Estatística na nossa Universidade, alertando para questões importantes neste sentido”, explicou.

Alternativas já estão sendo pensadas e articuladas, junto com a comunidade acadêmica, com possibilidade de realização de aulas remotas para a graduação e para o Colégio de Aplicação (CAp). “Os debates estão sendo realizados, mas o formato e as características a gente ainda está desenhando”, afirmou Alfredo Gomes. Na pós-graduação da UFPE, as atividades remotas já estão implantadas, tanto para aulas quanto para defesas de teses e dissertações.

Em sua fala, Alfredo Gomes também destacou as principais ações da UFPE neste período. Entre elas estão pesquisas em saúde, atividades de diagnóstico e identificação do novo coronavírus e realização de testes RT-PCR. Parcerias com outros órgãos e instituições, como o Governo de Pernambuco, a Prefeitura do Recife, o Ministério Público, a Chesf e a Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), também fazem parte desse trabalho.

Outro ponto importante é a extensão universitária, a exemplo da atuação do Núcleo de Telessaúde (Nutes), com ações de apoio à saúde, inclusive na questão emocional e mental; a plataforma “No Bairro Tem!”, que movimenta o pequeno negócio de bairro; o projeto Mãos Solidárias, para formação de agentes populares de saúde; e a parceria com a Secretaria de Educação de Pernambuco para veiculação de aulas, na TV Universitária (TVU), voltadas aos estudantes do sistema estadual de educação básica. O apoio à comunidade acadêmica da UFPE também integra o trabalho.

O conjunto de ações mostra o papel estratégico da universidade pública na estrutura social, baseado na ciência e no conhecimento fundamentado. “Não existe saída para esse problema da pandemia, complexo, se não for por meio da ciência, da educação e do esforço coletivo, portanto, das universidades e das instituições sociais de maneira geral”, ressaltou o reitor da UFPE.

O reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Marcelo Carneiro Leão, também apontou o papel essencial das universidades públicas e do Sistema Único de Saúde (SUS) no contexto da pandemia. “É o SUS quem está dando a resposta sanitária, médica, neste momento, então, é importante ressaltar a importância do SUS. E a importância das universidades federais e estaduais públicas porque é através dessas instituições que a gente está mitigando um problema”, pontuou.

Além disso, Marcelo Carneiro Leão elencou as ações estratégicas desenvolvidas pela UFRPE neste período, como pesquisas, fabricação de escudos faciais, doação de máscaras e ações solidárias para pessoas em situação de vulnerabilidade. Também está sendo debatido coletivamente o futuro da universidade, em seus campi no Recife e no interior do estado, com propostas de realização de semestre letivo remoto emergencial e preparação dos docentes para atuação no ambiente digital.

Na mesma linha, o reitor da Universidade de Pernambuco (UPE), Pedro Falcão, apresentou a estrutura e as atividades realizadas pela instituição no combate ao novo coronavírus. Pesquisas, testagem, produção de álcool, editais, doações, apoio aos estudantes e reforço das unidades hospitalares universitárias fazem parte desse trabalho. O reitor também falou sobre o planejamento da retomada das atividades acadêmicas, como a proposta de ensino híbrido, que está em discussão entre os campi da universidade.

“Em nenhum momento nós vamos tomar qualquer decisão que aumente essa exclusão de pessoas que não têm acesso à conectividade, a uma qualidade de estudo da forma que o reitor Marcelo [Carneiro Leão, da UFRPE] falou. Isso é um ponto que não tem nem discussão nesse sentido”, reforçou Pedro Falcão.

A ex-reitora da UFRPE Maria José Sena e o ex-reitor da Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco) Julianeli Tolentino comentaram o assunto durante o seminário a partir de suas experiências na gestão universitária. Ambos defenderam a preservação da saúde e a inclusão das pessoas, colocando o bem coletivo em primeiro lugar.

Data da última modificação: 22/06/2020, 16:05