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Cinquentenário de uma turma

Gilson Edmar Gonçalves e Silva é vice-reitor da UFPE
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Já se foram 50 anos, desde o dia que deixamos o Colégio Salesiano para enfrentarmos o processo vestibular, nas diversas áreas do conhecimento, para enveredarmos na nossa formação, com vistas a iniciarmos no futuro, nossa atividade profissional. Como foi rápido este tempo! Quanta coisa se passou neste período, com cada um de nós. Se formos olhar o filme (depois evoluiu para videotape e hoje DVD) das nossas vidas vamos concordar de modo unânime que o tempo do Colégio Salesiano ocupa um espaço importante para cada um de nós, colegas concluintes de 1960.

Nesta retrospectiva de vida, vamos nos deparar e nos reencontrar, ainda meninos pré-adolescentes, no chamado exame de admissão, processo seletivo que indicava quais alunos tinham condições de serem matriculados no curso ginasial (hoje ensino fundamental). As aulas preparatórias para o exame de admissão eram ministradas em salas, que se situavam à esquerda da Igreja, no conjunto que se chamava “Curso Primário”. Ao ingressarmos no ginásio, subíamos do status, pois as salas eram situadas no térreo do prédio principal, no pátio do lado direito do santuário. Passados os quatro anos do curso ginasial, tínhamos a opção dos cursos: científico ou clássico, este último destinado aos que iam cursar direito e o primeiro para os que queriam outras profissões para estudar. O Salesiano só tinha o científico, que, na nossa época, se situava no 1º andar de um prédio recentemente construído com esta finalidade. As salas eram amplas e as mesas/cadeiras bastante confortáveis e adequadas aos seus objetivos.

Em dezembro de 1960, ocorreu a nossa solenidade de conclusão do curso secundário (ginasial e científico). Foi uma festa inesquecível. Teve missa, seguida de café da manhã, pois para comungar era obrigatório estarmos em jejum. Em seguida, ocorreu a solenidade (hoje diríamos a colação de grau), durante a qual foram pronunciados discursos e recebemos os nossos diplomas. Consultando o convite para esta solenidade, que ainda guardo com carinho, constato o que a memória ainda não “deletou”. O coordenador do científico e encarregado da festa era o padre Francisco Colares, amigo de todos em que pese ser muito exigente. Para ele, foi criada uma música parodiando a canção italiana Volare. Assim cantávamos: “Colares, ô, ô, ô, ô”. O diretor era o padre Pedro Falcone e o prefeito, o padre Bernardo Bicker, o primeiro italiano e o segundo alemão, sendo que este era extremamente rigoroso. O nosso paraninfo foi Potiguar Matos, professor de história, que admirávamos pelas suas belíssimas e competentes aulas. O nosso orador foi o colega Agenor José dos Santos Filho, cujo discurso-poema ainda guardo.

Muitas das nossas boas práticas profissionais e de cidadãos, nas nossas vidas públicas e privadas, foram oriundas dos ensinamentos dos salesianos, baseados nos princípios norteadores de D. Bosco e do seu discípulo Domingos Sávio, ambos alçados à categoria religiosa de santos. Aprendemos os conhecimentos ensinados, mas também vimos o quanto é importante o esporte na formação global do jovem e a educação religiosa como formação moral e ética. Tomamos contato com o compromisso social da congregação, através da educação de jovens carentes, que eram acolhidos no colégio e que eram preparados, através de cursos profissionalizantes, para uma vida produtiva.

Este cinquentenário nos faz recordar os momentos felizes das nossas vidas, dos colegas que lá estavam no novo auditório do colégio, junto com professores e religiosos naquele longínquo 11 de dezembro de 1960.

Sei que é difícil nos encontrarmos fisicamente, pelas diferentes atividades que cada um exerce e pelo tempo que fez apagar ou modificar endereços. Assim, uso deste espaço para me comunicar com todos, celebrando este momento com alegria e com a esperança que o reencontro aconteça, pois será gratificante para todos nós.

Publicado no dia 23 de dezembro na seção Artigos do Jornal do Commercio

Data da última modificação: 27/10/2016, 14:50