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UFPE e professor do Departamento de História são homenageados pelo Senado no bicentenário da Confederação do Equador

As homenageados foram realizadas na segunda (7), em Sessão Especial do Senado Federal

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o professor do Departamento de História George Felix Cabral de Souza foram homenageados durante a Sessão Especial do Senado Federal realizada nesta segunda-feira (dia 7) no contexto do bicentenário da Confederação do Equador. O movimento revolucionário com ideais republicanos teve início em Pernambuco e chegou a províncias vizinhas, como Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. A cerimônia ocorreu no Plenário e foi transmitida ao vivo pela TV Senado.

As honrarias foram entregues a instituições e pessoas “que se destacaram de forma decisiva na difusão do conhecimento histórico e cultural sobre a Confederação do Equador” e que contribuíram de forma significativa na condução dos trabalhos da Comissão Temporária Interna em Comemoração aos 200 anos da Confederação do Equador. A UFPE foi representada de maneira on-line pelo vice-reitor Moacyr Araújo.

“Quando concebemos a comissão, tínhamos consciência do tamanho do desafio, mas era importante para o Brasil dos nossos dias saber o que se passou no período logo após nossa independência. Muitas das angústias políticas de hoje nasceram lá, na década de 1820, quando este se tornou um país independente. A Confederação do Equador não foi um espasmo político surgido do nada, foi um movimento nascido das aspirações mais profundas da brasilidade”, afirmou a senadora Teresa Leitão (PT-PE), presidente da Comissão dos 200 Anos da Confederação do Equador.

“Como tenho dito ao longo do trabalho, vamos ler, vamos conhecer melhor a nossa História, vamos visitar a exposição iconográfica, ler as publicações dos diversos autores que se debruçaram detidamente sobre o assunto, assistir ao documentário e nos apropriar de todo o material que estará disponível no site do Senado Federal. Sigamos trabalhando pelo Brasil que queremos. Viva a Democracia. Viva Frei Caneca”, destacou a senadora Teresa Leitão (PT-PE) ao final do discurso.

A exposição iconográfica a que a senadora se refere, intitulada “Confederação do Equador: uma história de luta pela cidadania”, está em cartaz no Salão Negro do Congresso Nacional. A história do Frei Joaquim do Amor Divino, conhecido como Frei Caneca, foi apresentada ao público que acompanhou a Sessão Especial com a exibição de um documentário que faz parte da série Uma Outra Independência (TV Senado). O religioso foi uma das 31 pessoas executadas quando as tropas imperiais reprimiram a Confederação.

Após a exibição do documentário, e antes da entrega das homenagens, também discursaram a vice-presidente da Comissão, senadora Jussara Lima (PSD-PI); o senador Humberto Costa (PT-PE); o senador André Amaral (União-PB), 1º suplente do senador Efraim Filho (União-PB) e integrante da Comissão; o defensor público-geral federal Leonardo Cardoso de Magalhães; o diretor-executivo de gestão do Senado Federal Márcio Tancredi; a presidente da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e professora da UFPE Márcia Angela Aguiar; o professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Johny Santana de Araújo; o diplomata e historiador André Heráclio do Rêgo, autor de livros lançados pela Comissão; e o professor George Felix Cabral de Souza, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e organizador de livro lançado pela Comissão.

“Como pernambucano, sinto-me honrado em ter participado deste esforço coordenado pela senadora Teresa Leitão, concatenando contribuições de colegas historiadores de vários estados do País e do exterior. Ao longo de todas as ações realizadas no âmbito deste bicentenário, procuramos ressaltar que, longe de ser um movimento separatista, a Confederação do Equador consistiu em uma reação ao autoritarismo do nosso primeiro imperador mediante a apresentação de um projeto alternativo de construção do estado nacional brasileiro”, iniciou o professor George.

O docente da UFPE continuou: “Este projeto preconizava o estabelecimento de um regime republicano, federativo e constitucional, com uma constituição elaborada por representantes eleitos pelas províncias. O fim da escravidão também fazia parte do projeto e é sempre importante ressaltar que, logo após a proclamação da Confederação, uma das primeiras medidas tomadas foi a proibição do tráfico negreiro. Buscamos também ressaltar que compreender as razões do movimento e da brutal repressão sobre ele é fundamental para ir às raízes de vários dos problemas atuais de nossa sociedade, tais como as desigualdades regionais e a nossa triste tradição autoritária”. 

“Em tempos nos quais a desinformação campeia, nunca é demais ressaltar a importância crucial da educação histórica para combater as tentações autoritárias, que tantas vezes se utilizam da doçura da palavra liberdade para escamotear pretensões de destruição do Estado Democrático de Direito. Devemos sempre lembrar que as conquistas sociais exigem constante defesa, pois a História não segue sempre uma trajetória de progresso. Os retrocessos, infelizmente, permanecem como ameaças recorrentes. Diante disso, a vigilância ativa e a participação da cidadania tornam-se essenciais. Frei Caneca, reconhecimento como principal pensador do movimento, enfatizou em diversos momentos de seus escritos a grande importância do envolvimento cidadão nas questões nacionais. A isso ele se referia quando afirmava que: ‘Na nau da pátria, todos os cidadãos são marinheiros’”, ressaltou.

Data da última modificação: 08/07/2025, 18:27

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