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Série de vídeos em que mulheres afetadas pelo zika vírus contam suas histórias está disponível no YouTube

Coleção foi produzida após curso de audiovisual protagonizado por cinco mães de crianças afetadas com a Síndrome Congênita do Zika

Foto: Divulgação

Lançamento dos vídeos foi realizado em outubro na UFPE

Fruto de um projeto do Núcleo de Família, Gênero e Sexualidade (Fages), ligado ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), uma série de vídeos em que mulheres afetadas pelo zika vírus contam suas histórias está disponível no YouTube. A coleção foi produzida após um curso de audiovisual protagonizado por cinco mães de crianças afetadas com a Síndrome Congênita do Zika e é um dos resultados da pesquisa Etnografando Cuidados, que mostra as experiências de cada mãe e seus cotidianos. A coleção inclui um vídeo sobre o processo de elaboração e colaboração na própria confecção dos vídeos, de autoria do coordenador, professor Parry Scott, e da pesquisadora Luciana Lira.

Os roteiros foram elaborados pelas mães com a intenção de compartilhar as reflexões sobre seus cotidianos e as formas de cuidado, sensibilidade e conhecimento, em especial com os serviços institucionais que se dedicam a fornecer atendimento. “Esses vídeos relatam um pouco das experiências de mais de 3 mil mães brasileiras e suas famílias que tiveram suas vidas afetadas pela exposição ao vírus de Zika, mostrando as descobertas, rotinas, mobilidade, trabalho, colaborações, barreiras e dedicação, entre muitos outros temas”, explicam os pesquisadores.

“A gente sente um pouco de autonomia, deixa de ser aquela mãe, a gente se sente mulher, porque às vezes a gente se rotula muito ‘só é mãe de Daniel, de Pérola, de Willian...’ E não, a gente é Marcione, a gente é Jaqueline, somos várias outras mães que precisam ser vistas na sociedade como uma mulher, uma mulher que precisa de apoios, de cuidados, de outras coisas que não só daquela criança e a gente não tem”, afirmou Andréia Avelino no lançamento, em outubro, segundo relato da antropóloga e mestranda da UFPE Raquel Lustosa Alves.

“Estar ali, contar, palestrar e discutir esse material eram ações significativas para cada protagonista dessa coleção de vídeos. Esse material representava uma forma de disseminar o próprio conhecimento sobre a experiência de ter uma criança com deficiência, por conta da epidemia Zika. Também poderia circular entre os serviços e instituições que atendem essas crianças e cuidadoras. Além do controle de suas histórias por meio das tecnologias audiovisuais, havia o controle de suas próprias narrativas em um ambiente em que elas não costumam aparecer como protagonistas, como debatedoras e como palestrantes”, ressaltou Raquel.

Confira todos os vídeos

Etnografando cuidados (Luciana Lira e Parry Scott) (9’46”)

Tom, meu Guerreiro (Andrea Avelino) (7’10”)

Amor de um Pai (Crislene Feitosa) (7’02”)

Daniel, meu Milagre (Jaqueline Vieira) (6’08”)

Por Pérola (Marcione Rocha) (6’36”)

Trilha da Vida (Susana Lima) (7’31”) 

Mais informações
Fages

etnografandocuidados@gmail.com

Data da última modificação: 03/02/2020, 11:10