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Estudo aponta verve imaginativa e subjetiva na poética de João Cabral de Melo Neto

Convencida de que João Cabral não deve ser reconhecido apenas pela racionalidade da sua poética, Thainá Czapla se empenha em revelar o poeta como um sonhador de imagens

Por Renata Reynaldo

Conhecido e reconhecido como o poeta-arquiteto, pelo tanto de racional e realismo impregnado na sua expressão poética, João Cabral de Melo Neto tem uma nova faceta da sua verve criativa revelada. De acordo com a dissertação “Imaginação criadora e material na poesia de João Cabral de Melo Neto”, defendida por Thainá Morgana Czapla no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPE, um dos maiores poetas da língua portuguesa também pode ser tido como “um sonhador, que não se cansou de imaginar”.

Segundo a autora do trabalho, que teve orientação do professor Fabio Cavalcante de Andrade, “Cabral não apenas imaginou constantemente um mundo pessoal, sentimental, subjetivo, como parece convidar quem o lê a imaginar, a ausentar-se, a lançar-se a uma vida nova”. A mestra em Letras demonstra, ainda, que o que mobiliza a poética de JCMN é justamente um sentimento negativo que deseja e procura outra coisa. “O poeta imagina outro real, um real mais real, um ‘real real’”, analisa.

Tendo como base teórica a fenomenologia da imaginação criadora concebida pelo filósofo e poeta francês Gaston Bachelard, Thainá se propôs a “compreender como o âmbito subjetivo e afetivo não está banido da poesia cabralina, mas é mobilizado pela faculdade da imaginação”. O estudo explica que, de acordo com Bachelard, a faculdade imaginativa não é responsável por formar imagens, “mas ela é antes a faculdade de deformar as imagens fornecidas pela percepção; é, sobretudo, a faculdade de libertar-nos das imagens primeiras, de mudar as imagens”. 

A investigação da poesia cabralina através de suas imagens materiais – como a pedra e imagens líquidas e aéreas – levou a autora a concluir que ele “não cansava de imaginar; e se não há mudança de imagens, união inesperada de imagens, não há imaginação, não há ação imaginante”. O trabalho abarca as obras “Pedra do sono“, publicação inaugural de João Cabral; “O engenheiro“ e, também, “Psicologia da composição“.

CRÍTICA | Convencida de que João Cabral não deve ser reconhecido apenas pela racionalidade da sua poética, Thainá Czapla se empenha em revelar o poeta como um sonhador de imagens, obcecado por algumas que se repetiram insistentemente em sua obra. “Uma destas foi a imagem da pedra, que grande parte da crítica elegeu como símbolo do esforço objetivo, do projeto racional do poeta, mas nossa proposta, por meio da dinâmica criadora das imagens materiais, consistiu em compreendê-la em outras possibilidades motivas pela sua própria natureza simbólica”, ilustra a autora, que complementa: “Reconhecemos, assim, se tratar de uma pedra sonífera, de efeito onírico; por meio da imaginação material dinâmica, constatamos que a simbologia da pedra perpassa a obra de Cabral assumindo diferentes possibilidades de significação.”

Mais informações

Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPE
(81) 2126.8767

Thainá Morgana Czapla
tczapla@hotmail.com

Data da última modificação: 04/03/2020, 15:42