Voltar

Novo composto químico atua como radiofármaco contra câncer de colo retal

Doutor pela UFPE, pesquisador segue estudando como funcionalizar o experimento, a fim de restringir os efeitos da sua atuação no organismo

Por Renata Reynaldo

Um novo composto químico expresso na formulação 177Lu-EuDPA@SiO2, desenvolvido por Rodrigo da Silva Viana, doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência de Materiais da UFPE, reúne propriedades capazes de aprimorar o diagnóstico e o tratamento do câncer de colo retal, doença com elevado grau de incidência e mortalidade. "Essa combinação de elementos resultou em biomarcadores nanoparticulados que auxiliam as técnicas existentes para identificação da doença o mais cedo possível, aumentando, assim, a possibilidade de cura do paciente, além de contribuir para a reversão do tumor", explica o pesquisador.

Conhecedor da demanda da clínica médica por meios menos invasivos e mais eficazes para diagnosticar esse tipo do câncer, o pesquisador experimentou juntar o elemento radiativo Lutécio-177 (177Lu), com o Európio (Eu), de propriedade luminescente, em combinação com nanopartículas de óxido de Silício (SiO2), que atua como uma capa de agrupamento da mistura, com o propósito de verificar o comportamento da célula tumoral quando em contato com esse composto híbrido. "Constatamos que a célula comprometida absorve os elementos e, uma vez impregnada, manifesta as reações típicas das propriedades deles", comemora Rodrigo. Ou seja, verificou-se a 'biomarcação' da célula cancerosa tanto pela luz, quanto pela radiatividade emitidas, ambas propriedades adquiridas do novo composto.

Segundo explica o pesquisador, além das impressionantes características ópticas destacadas, os lantanídeos, série da qual fazem parte o 177Lu e o Eu, se destacam também pelas suas propriedades radioativas. "Esta classe de radioisótopos são conhecidos por serem extensivamente utilizados como agentes de imagens com capacidade de formar compostos metalorgânicos estáveis e específicos, que são úteis para uso em diagnóstico e terapia de diversas doenças", afirma. 
IN VITRO | Após fazer os testes no modo in vitro, o estudo partiu para a verificação dos efeitos dele em ratos e verificou que, além de atuar como biomarcador, o 177Lu-EuDPA@SiO2 também promoveu dano ao tumor, sobretudo por sua propriedade radiativa, assumindo, assim, a função de radiofármaco. A pesquisa, reportada  na tese "Desenvolvimento de radiofármacos luminescentes para o diagnóstico do câncer de colorretal", elaborada sob orientação e co-orientação dos professores Severino Alves Júnior e Eduardo Henrique Lago Falcão, foi realizada em cooperação entre a UFPE (Laboratório de Terras Raras) do Departamento de Química Fundamental, a UFRPE (Laboratório de Anatomia e Morfologia Animal), e a Universidade do Estado da Luisiana (EUA).

No próximo passo, agora no pós-doutorado, Rodrigo Viana adianta que vai pesquisar alternativas para reduzir a margem de efeitos colaterais provocados pelo radiofármaco. "Buscaremos funcionalizar o experimento, a fim de garantir maior especificidade ao composto, de modo a restringir os efeitos da sua atuação no organismo", esclarece. A pesquisa contou com apoio financeiro da Fundação de Amparo a Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe).

Mais informações
Programa de Pós-Graduação em Ciência de Materiais da UFPE
(81) 2126.8412 | (81) 2126.8418
pgmtr@ufpe.br
Rodrigo da Silva Viana
rodrigosilva.viana@yahoo.com.br

Data da última modificação: 06/11/2019, 11:12