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Obras de contenção não evitam erosão na praia de Bairro Novo, em Olinda

O resultado é fruto da pesquisa tese realizada pelo então doutorando Luis Augusto de Gois

Por Gabriela Lázaro

A orla de Olinda é uma das áreas mais afetadas da Região Metropolitana do Recife pelos fenômenos naturais da erosão e recuo da sua linha de costa, além de Olinda ser um dos municípios da área com maior percentual de intervenções costeiras implantadas. Justamente para tentar deter estes fenômenos foram colocados espigões e enrocamentos aderentes ao longo da faixa litorânea; intervenções essas que, segundo o pesquisador Luis Augusto de Gois, “hoje representa uma ameaça à estabilidade de toda essa extensão”. 

Em sua tese “A interferência das estruturas de proteção da costa na preservação dos sedimentos costeiros da Praia de Bairro Novo, Olinda-PE”, Luis Gois explica: “Não há quantidade suficiente de sedimentos sendo transportados pela deriva litorânea, capazes de serem capturados pelos espigões e de, consequentemente, promover a recomposição do perfil praial.”
 
O pesquisador constatou, também, que os espigões passaram a produzir alterações nos padrões das correntes locais e, por isso, alteram a morfologia de fundo da plataforma, impondo um severo estado erosivo. Já os enrocamentos aderentes, segundo Luis Augusto, “vêm garantindo a linha de costa estabilizada em sua atual posição, apesar de apresentar sucessivos problemas de abatimentos, decorrentes da fuga de material por sob os espigões, provocando uma grande quantidade de desmoronamentos”. 

Na Engenharia Costeira, espigões são aquelas obras de proteção implantadas perpendicularmente à linha de costa desde a faixa de pós-praia até a primeira linha de arrebentação das ondas, e os enrocamentos são estruturas implantadas paralelamente à linha de costas. Enquanto o enrocamento tem a função de estabilizar a linha de costa, os espigões respondem pelo aprisionamento dos sedimentos transportados pela deriva litorânea.

Com base no mapeamento do fundo marinho, ou levantamento batimétrico, realizado em 2018, o estudo apontou que a análise morfodinâmica da plataforma continental revelou as mesmas feições geomorfológicas apresentadas na batimetria de 2011. “Entretanto, foram identificados alguns rebaixamentos no leito marinho ao longo desses sete anos”, destaca o pesquisador. Realizado entre maio de 2017 e abril de 2018, o estudo contou com o mapeamento e caracterização da praia de Bairro Novo, através de dados encontrados na Prefeitura Municipal de Olinda, arquivos públicos, Porto do Recife, sites acadêmicos e acervos digitais (IBGE). 

O trabalho, apresentado no Programa de Pós-Graduação em Geociências da UFPE e orientado pelo professor Valdir do Amaral Vaz Manso, investigou, a partir da identificação do processo natural de aporte sedimentar na porção média deste segmento litorâneo, a capacidade de recomposição dos perfis praiais, bem como a existência de relação entre o déficit de sedimentos e as estruturas de defesa costeira existente. O processo de pesquisa consistiu na análise das duas maiores obras de defesa da faixa costeira presentes na praia de Bairro Novo, em Olinda. A orla conta com uma sequência de 31 espigões, alternados por uma muralha de enrocamento aderente que se desdobra pelos dois quilômetros de extensão da orla. 

Para eliminar o processo erosivo que atinge os setores da praia, Luis Augusto recomenda que sejam feitas ações imediatas que contemplem a supressão gradativa dessas estruturas para promover a ampliação da faixa de praia, além disso, essas ações ajudarão a “promover a expansão do processo progradacional”. 

Mais informações

Programa de Pós-Graduação em Geociências da UFPE
(81) 2126.8726/2126.8902
ppgeocufpe@gmail.com /pgeoc@ufpe.br

Luis Augusto de Gois
luis.de.gois@uol.com.br

Data da última modificação: 02/04/2019, 11:17