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Estudo global aponta diferentes tendências no aumento da obesidade

Professores da UFPE estão entre os autores da pesquisa, publicada na Nature

O aumento da obesidade tem estabilizado em países desenvolvidos, enquanto continua acelerado em países em desenvolvimento é o que revela o estudo global “Obesity rise plateaus in developed nations and accelerates in developing nations”, publicado, na última quarta-feira (13), na revista científica Nature. A pesquisa analisou a dinâmica da obesidade no mundo, entre 1980 e 2024, reunindo dados de aproximadamente 232 milhões de participantes em 200 países. O estudo foi liderado pelo Imperial College London, por meio da NCD Risk Factor Collaboration (uma rede global de pesquisadores da saúde), e teve entre os autores os professores Rafael dos Santos Henrique e Carla Menêses Hardman, do Departamento de Educação Física da UFPE.

Os resultados da pesquisa indicam que a obesidade tem desacelerado ou atingido um platô em muitos países ricos, especialmente entre crianças e adolescentes. Por outro lado, a prevalência segue crescendo de forma estável ou acelerada em grande parte dos países de baixa e média renda, incluindo regiões da América Latina, África e Ásia. “Os achados mostram que a obesidade não segue uma trajetória única no mundo. No Brasil e em outros países da América Latina, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas intersetoriais, voltadas à alimentação saudável e à atividade física, mas também ao ambiente escolar e à redução das desigualdades sociais”, destacou o professor Rafael dos Santos Henrique.

De acordo com o docente, o Brasil aparece entre os países latino-americanos com prevalência de obesidade em patamar elevado, ainda com trajetória de crescimento. Entre crianças e adolescentes, os números acompanham a tendência observada na América Latina, onde a obesidade segue aumentando de forma contínua ou acelerada. Segundo o estudo, no Brasil, o aumento da obesidade acelerou para ambos os sexos e faixas etárias, com prevalência de 17% para meninas e 18% para meninos; e 35% para mulheres e 27% para homens. “Esse é um cenário preocupante e indica que o problema começa cada vez mais cedo e exige ações preventivas desde a infância e a adolescência”, alertou o professor Rafael Henrique. 

A pesquisa “Obesity rise plateaus in developed nations and accelerates in developing nations” teve a contribuição de mais de 1,9 mil pesquisadores e reuniu dados de 4.050 estudos de base populacional, incluindo medidas de peso e altura de aproximadamente 232 milhões de participantes com cinco anos ou mais, com o objetivo de identificar a prevalência e trajetórias de mudança da obesidade ao longo de mais de quatro décadas. Nos adultos, a obesidade foi classificada a partir de um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m². Já entre crianças e adolescentes, o critério adotado foi estar acima de dois desvios padrão da média de crescimento estabelecida pela Organização Mundial da Saúde. A análise considerou diferenças etárias, características de populações urbanas e rurais e eventuais discrepâncias entre as bases de dados, ajustadas por métodos estatísticos para garantir a comparabilidade das informações. 
 
Estudo em Lagoa do Carro
A pesquisa contou com dados do estudo Vida Saudável em Lagoa do Carro, coordenado pelo professor Rafael dos Santos Henrique. O trabalho, desenvolvido no município da Zona da Mata Norte de Pernambuco, teve como foco a investigação de indicadores de saúde, crescimento, composição corporal e comportamentos relacionados à saúde em crianças e adolescentes. A investigação populacional avaliou mais de 90% dos escolares de Lagoa do Carro, constituindo uma base relevante para pesquisas sobre a saúde dessas pessoas. 

O estudo resultou em mais de 30 produtos bibliográficos de grande repercussão internacional nos últimos cinco anos, tendo envolvido mais de 20 discentes e egressos dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física, além de estudantes e pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Educação Física (PPGEF), ao Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente (PPGSCA) e ao Programa de Pós-Graduação Multicêntrico em Ciências Fisiológicas (PPGMCF). A pesquisa também teve financiamento da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe).

Fecha de la última modificación: 15/05/2026, 12:59

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