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Pesquisa mostra aproveitamento do lodo de estação de tratamento de água na produção de cimento sustentável

Material é uma alternativa mais sustentável na indústria cimenteira

O Laboratório de Tecnologia dos Aglomerantes (LabTag), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC) e ao Departamento de Engenharia Civil e Ambiental (Deciv) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), teve o artigo científico “Synergistic effect of processing water treatment sludge rich in kaolinite for the sustainable production of LC3”, publicado recentemente na revista Applied Clay Science, periódico internacional de alto impacto na área de construção civil (Qualis A1). A pesquisa explorou o potencial do lodo de estação de tratamento de água - um resíduo sólido gerado no processo de purificação da água - como material cimentício suplementar e mais sustentável. 

O estudo analisou o impacto de diferentes temperaturas de calcinação sobre as propriedades pozolânicas do material e sua aplicação no desenvolvimento do cimento de calcário e argila calcinada (LC³), contribuindo para uma alternativa mais sustentável na indústria cimenteira. O estudo foi realizado durante o doutorado em Engenharia Civil de Tacila Bertulino, ainda em andamento na UFPE, com a colaboração da pesquisadora Fernanda W. C. Araújo (Universidade Federal Rural de Pernambuco) e sob a orientação do professor Antônio Acácio de Melo Neto (LabTag/UFPE). 

AVANÇOS TÉCNICOS E PRINCIPAIS RESULTADOS - Com o crescimento da população e das cidades, a demanda por água tratada aumenta, e, com isso, cresce também a quantidade de lodo gerado nas estações de tratamento. Esse subproduto do processo de purificação da água é frequentemente descartado, representando um desafio ambiental e logístico. No entanto, a pesquisa demonstrou que ele pode ser reaproveitado de forma sustentável na produção de cimento.

No estudo, as cinzas do lodo foram aquecidas a diferentes temperaturas e analisadas para verificar sua atividade pozolânica. Foram realizados testes como o Índice de Atividade Pozolânica (SAI), que mede a eficiência do material no aumento da resistência, e o teste de cal, que avalia sua reatividade química. Além disso, a quantidade de água combinada foi aplicada para analisar a interação do material com íons cálcio, fornecendo um indicativo de sua reatividade e da formação inicial de compostos hidratados. Os resultados mostraram que, quando calcinadas a 700°C, as cinzas apresentam propriedades que melhoram a resistência, favorecendo a criação de uma estrutura cimentícia mais estável e eficiente. Isso permite substituir parte do cimento convencional por esse material, reduzindo a necessidade de novas matérias-primas e diminuindo as emissões de CO2 da indústria cimenteira.

O estudo aborda uma importante questão ambiental ao apresentar uma solução para o descarte inadequado do lodo gerado nas estações de tratamento de água, que, quando não tratado corretamente, pode afetar os ecossistemas locais. Realizada com o lodo da Estação de Tratamento de Água Pirapama, em Pernambuco, a pesquisa sugere uma maneira de transformar esse resíduo em um material útil para a produção de cimento sustentável, o que contribui para a redução do impacto ambiental tanto do descarte do lodo quanto das emissões associadas à produção de cimento convencional. 

Conforme os autores, o impacto local é significativo, com a Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento), responsável pelo abastecimento de água na Região Metropolitana do Recife (RMR), desempenhando papel fundamental nesta inovação. Ainda segundo os pesquisadores, o reaproveitamento do lodo não só resolve um problema ambiental, como também reforça o compromisso da empresa com soluções sustentáveis, beneficiando diretamente a comunidade local, promovendo a economia circular e contribuindo para a redução dos impactos ambientais.

Date of last modification: 11/04/2025, 08:30

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