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PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DO CURSO DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
Recife – 2003

1.1 - OPORTUNIDADES DE SUPERAÇÃO DO MODELO ATUAL

São várias as frentes de trabalho que se engajam na luta por um Curso inserido no tempo e na sociedade atuais, sem a perda de sua referência, entre elas:

  • a de recuperar a sua sede e uma estrutura administrativa que devolva a sua identidade física e sua funcionalidade;
  • a de consolidar um novo modelo pedagógico, que se implanta progressivamente, no intuito de formar médicos bem qualificados, humanos e éticos, comprometidos com as necessidades da população;
  • a de se inserir cada vez mais, no SUS, de modo a ampliar o seu campo na produção do conhecimento, de contribuir de forma mais sistematizada às demandas sociais;
  • a de transpor o trabalho intramuros, criando novos cenários de aprendizagem, não só para alunos, mas para professores e profissionais de saúde.
  • a de se projetar no futuro se adequando às novas exigências que a sociedade está a fazer e com esta formar o novo médico, mais ético, mais humano e mais comprometido socialmente utilizando como seu campo de prática, o Sistema Único de Saúde (SUS) o que lhe dará a oportunidade de percebe-lo como um sistema construído socialmente, e cujo modelo descentralizado, princípios de integralidade, universalidade, equidade, estrutura pública, complementar e privado, representa um dos sistemas de saúde mais importantes até então concebido.

1.2 - POR UM NOVO MODELO PEDAGÓGICO

O intenso e acelerado processo de transformação social tem sido uma das características marcantes das últimas décadas. Novos paradigmas vêm se afirmando dando origem a mudanças importantes nas sociedades, independentemente do seu regime político ou desenvolvimento social e econômico. São mudanças que têm a informação, a comunicação e a revolução tecnológica como principais agentes. Para enfrentar essa nova realidade tem se exigido de cada indivíduo uma formação continuada ao longo de sua vida de modo que possa responder aos importantes e novos desafios colocados.

Nessa formação para responder com eficácia às questões formuladas pela ciência, pela tecnologia, pela comunicação e pela informação há que se redesenhar as competências profissionais, rever as atitudes e habilidades para o atendimento às necessidades do mercado de trabalho às necessidades políticas, econômicas e sociais.

Considerando que o conhecimento determina a modalidade de intervenção humana, esse conhecimento necessita de um foco ampliado para responder questões complexas, abordar temas amplos, resolver novos problemas com agilidade e enfrentar situações sem precedentes, exigindo competência, postura ética, humanista, compromisso social, criatividade e versatilidade, e os modelos tradicionais de ensino que proporcionam um conhecimento fragmentado, dificilmente darão conta, a seus detentores, de reconhecerem e enfrentarem problemas e situações novas, que emergem em um mundo a cuja complexidade natural se acrescenta a resultante desse próprio conhecimento, transformado pela tecnologia em ação que incorpora, a cada dia, novos fatos à realidade (UFPE, 1997).

São modelos que se baseiam na repetição de procedimentos, de conhecimentos transmitidos de geração para geração, por tradição, sem que se conteste as bases que os sustentam. São modelos que não dão mais conta da formação do profissional que a sociedade necessita. São modelos cujos currículos, cujos profissionais são extremamente técnicos, e portanto rapidamente desatualizados, diante do progresso científico e tecnológico; currículos voltados para o perfil acadêmico, para a teoria e a pesquisa científica descontextualizadas, (UFPE, 1997).

Ora, o Brasil vive significativa crise econômica e social, de caráter estrutural, acelerada pela constante mudança de paradigmas tecnológicos e de políticas econômicas e sociais excludentes. Uma formação de recursos humanos, descontextualizada, que se processe sem uma integração das dimensões cognitiva, afetiva e psico – motora, que se dê em torno da valorização individual, da competitividade, da facilidade de acesso a informações, do domínio e benefícios isolados da tecnologia e dos benefícios da ciência, acentuará cada vez mais as desigualdades sociais.

Como propugnado na nova LDB e nas Diretrizes Curriculares – MEC, DOU, nov. 2001, há uma necessidade urgente de mudança de postura em relação ao modo de se elaborar os currículos dos cursos de graduação. Mudança exigida pela necessidade de desenvolver uma competência técnico-científica voltada para a resolução de problemas, da comunicação e, tomada de decisões corretas, do trabalho em equipe, de uma diversidade de cenários de prática, além de uma postura ética, humanista, e de compromisso social.

Nesse contexto, cabe ao Curso de Medicina da UFPE se adequar e se posicionar em direção ao futuro, e, respeitando sua cultura, romper paradigmas considerados ultrapassados e criar outros na perspectiva de formar um novo profissional numa nova arquitetura curricular articulada no projeto de construção da sociedade brasileira mais fraterna, mais humana e mais justa, sem perder de vista toda a complexidade que conforma a qualificação técnico - científica do profissional médico. Estrutura curricular fundamentada na importância da relação entre conhecimentos teórico-práticos específicos da área Médica, respaldados nos conhecimentos da ciência e da tecnologia; que utilize metodologias que favoreçam o desenvolvimento de habilidades com ênfase nas atividades práticas de campo e fundamentos históricos, filosóficos e sociais da ciência. Assim, o Curso de Medicina da UFPE inicia seus alunos nas atividades de pesquisa científica fornecendo-lhes oportunidades para realizar experimentações básicas e aplicadas que permitam uma maior compreensão das questões que envolvem o processo saúde e doença e o ambiente.

A estrutura de curso procura suplantar o estádio da mera informação pelo da construção do conhecimento, mediante a formação do indivíduo através do desenvolvimento do espírito de solidariedade, do despertar do espírito crítico e ético, como forma de superar as aparentes contradições do corpo social. Estrutura de curso onde as relações se processam de forma democrática impulsionando a participação na tomada de decisões, num trabalho cooperativo e emancipador.

O Curso incentiva, progressivamente, o diálogo e a comunicação entre o professor e o aluno de modo a romper o isolamento professor x aluno, professor x professor, aluno x aluno e a possibilita um processo de participação, cooperação, numa perspectiva de construção coletiva do saber, utilizando uma metodologia de ensino aprendizagem centrada no aluno, oportunizando a problematização e outras técnicas de aprendizado que estimulem a ação- reflexão-ação. Utiliza diferentes cenários de prática, incluindo o da prestação de serviços à população como forma de garantir uma formação passível de possibilitar a inserção de seus egressos no mercado de trabalho.

Nessa perspectiva, de ação e relação social, o Curso de Medicina da UFPE, encontra sua identidade e expressão, em sua concepção clínica e social da promoção, prevenção, proteção e reabilitação de problemas da saúde dos indivíduos. 

1.3 - PERFIL PROFISSIONAL

O Curso de Medicina da UFPE define como perfil do seu egresso: um profissional de formação técnico – científica geral, empreendedor, ético, humanista, crítico, reflexivo e comprometido socialmente, capaz de promover, prevenir, tratar e recuperar a saúde do individuo na sua integralidade; que valoriza a interdisciplinaridade, autonomia no pensar, decidir e ser capaz de atender as necessidades regionais e nacionais no âmbito de sua competência. Em sua atuação, o futuro médico deverá conceber o ambiente de trabalho como parte integrante do sistema organizado de atenção à saúde e o paciente como sujeito de suas ações, que poderá ser incentivado na busca de melhores condições de saúde. Nessa perspectiva, o médico deve ser capacitado para perceber e transformar, continuamente, essa realidade, gerando novos conhecimentos por meio de pesquisas e de atuação profissional consistente.

1.4 - COMPETÊNCIAS

No âmbito das políticas sociais:

  • compreender os determinantes sociais, culturais, econômicos e políticos do processo saúde-doença e da função médica para contribuir na transformação da realidade social;
  • compreender as relações entre saúde e sociedade, identificando o papel do profissional de saúde como agente educador e transformador das práticas sanitárias:
  • refletir criticamente sobre a realidade histórico-conjuntural em nível nacional, regional e local e, em sua área de atuação contribuindo criativamente com soluções para a promoção da saúde e o bem estar dos cidadãos e da comunidade;
  • ter capacidade de atuar em equipe interdisciplinar e multiprofissional, valorizando as competências específicas dos membros da equipe;
  • Engajar-se em projetos e programas de saúde voltados para a educação e a prevenção de demandas de saúde da comunidade

No âmbito ético humanístico:

  • exercitar atitudes flexíveis e de adaptação a situações adversas no seu cotidiano profissional, servindo-se de valores éticos e de cidadania,
  • operar profissionalmente, em diferentes contextos, com idoneidade e responsabilidade;
  • consciente do seu papel de médico e cidadão, ético, humanista, crítico, reflexivo e comprometido com as transformações sociais;
  • ter atitude ética, formação humanística e consciência da responsabilidade social, com capacidade para lidar com os múltiplos aspectos da relação médico paciente;
  • saber lidar com a diversidade de crenças, comportamento e idéias, suportando frustrações e demonstrando atitude empática com o sofrimento alheio;
  • ser solidário com os que o procuram e com sua comunidade;

No âmbito do auto desenvolvimento:

  • desenvolver sua capacidade intelectual e senso de liderança como fator inerente a sua atuação individual.
  • manter-se atualizado, assumindo e incentivando seus colaboradores na adoção de uma postura crítica e de busca de aperfeiçoamento pessoal profissional;
  • ter consciência da necessidade de aprimoramento pela educação continuada, como novo paradigma de aperfeiçoamento profissional;
  • conhecer e entender o processo de investigação científica, estando apto a proceder à realização de pesquisas no campo da Medicina, com capacidade crítica para interpretar e aplicar dados;
  • ter embasamento cientifico, para adquirir e produzir conhecimentos, manter-se em dia ao longo de sua vida profissional e utilizar o método científico como um instrumento da sua prática diária na identificação e solução de problemas;
  • avaliar criticamente a literatura científica, manejando bem a língua portuguesa, os idiomas espanhol e/ou inglês e a informática básica. Acompanha e incorpora inovações tecnológicas (informática, biotecnologia e novas metodologias) no exercício da profissão
  • saber comunicar-se adequadamente com o paciente e seus familiares, com seus companheiros de trabalho e a comunidade científica;

No âmbito técnico-científico:

  • desempenhar tarefas técnicas em todas as áreas de atuação em equipes multiprofissionais, seja em empregos formais – em instituições públicas e privadas – seja como profissional autônomo ou em atividades de ensino, pesquisa e extensão.
  • elaborar diagnóstico e, a partir dele, estabelecendo as etapas de assistência subsidiadas em dados coletados e observados;
  • ter capacidade de identificar compreender, integrar e aplicar os conhecimentos básicos na prática clínica;
  • tem formação geral sólida com capacidade para atuar nos diferentes níveis de atenção à saúde desde o primário ao mais complexo, resolvendo com qualidade os problemas prevalentes de saúde, atendendo as urgências e emergências;
  • ser habilitado a praticar a clínica médica na obtenção da história clínica do paciente, realização do seu exame físico, verificação do seu estado nutricional, mental de forma abrangente, interpretando os achados e demonstrando competência na realização de um número limitado de procedimentos técnicos básicos
  • usar recursos propedêuticos com visão de custo-benefício solicitando, executando e interpretando metodologicamente os devidos exames complementares no diagnóstico e controle evolutivo clínico da demanda;
  • é capacitado a diagnosticar os problemas de saúde da população identificando os grupos de risco;
  • ter capacidade para atuar na promoção, prevenção de doenças e promoção da saúde física e mental compreendendo as necessidades individuais e coletivas do ponto de vista biológico, psicológico, familiar, laboral e comunitário;
  • saber encaminhar de modo adequado os pacientes cujos problemas fogem ao alcance do médico com formação geral;
  • Planejar, supervisionar e orientar intervenções médicas, de atenção primária, secundária ou terciária de saúde
  • Exercer a profissão em instituições de ensino, em atividades de docência, de pesquisa, de administração acadêmica (coordenação de cursos, supervisão de estagiários, entre outras), prestando consultorias e administrando serviços públicos ou privados na área de saúde
  • Emitir laudos, pareceres e atestados

1.5 – OBJETIVOS DO CURSO DE MEDICINA DA UFPE

Geral: O Curso de Medicina da UFPE tem como objetivo proporcionar a formação de um profissional que se orienta para a promoção, prevenção, preservação, desenvolvimento e recuperação da saúde além da reintegração do indivíduo na sociedade; com visão global do processo saúde doença a partir da teoria e da prática direcionadas por princípios éticos, bioéticos e de respeito ao ser humano e à diversidade cultural de indivíduos e coletividade; orientado ao estudo independente, na busca da autonomia intelectual, como requisito à autonomia profissional ou melhor consciente da necessidade de construir permanentemente o conhecimento e a entender a necessidade de aprimoramento pela educação continuada, como novo paradigma de aperfeiçoamento profissional. 

Específicos: O Curso de Medicina da UFPE, define como objetivos específicos:

  • adotar uma prática pedagógica centrada no aluno;
  • contribuir para a formação de um profissional de consciência crítica e reflexiva, visando uma prática médica participativa e transformadora;
  • formar o médico dentro de sólidos valores que lhes possibilite exercer a profissão com responsabilidade, senso crítico, de liderança, consciência política, social e ética emancipadoras;
  • formar um profissional agente de transformação social mediante iniciativas pessoais ou coletivas;
  • formar um profissional com habilidades nas ações de planejamento, gestão e execução nos órgãos de saúde pública e privada;
  • formar um profissional com domínio no processo de intervenção terapêutica e da fundamentação científica de seus métodos;
  • garantir a estreita e permanente relação entre teoria e prática, entre conhecimento sistematizado e ação profissional.

1.6 - ORGANIZAÇÃO CURRICULAR

1.6.1 - DIMENSÃO TEÓRICO-METODOLÓGICA

O Curso de Medicina da UFPE orienta sua estrutura curricular voltada para atender o perfil profissional, como especificado no item anterior.
Para isto define como estratégias:

  • coordenação, sistematização e orientação das atividades curriculares, extracurriculares, visando a articulação dos componentes curriculares como elementos indicadores da materialização do perfil do profissional que se pretende formar;
  • priorização do ensino e aprendizagem da Medicina, objetivando uma base sólida de conhecimentos científicos, médicos e filosóficos, com vistas à construção da consciência social e profissional como fatores importantes de cidadania;
  • adoção em todas as instâncias (colegiado de curso, clínicas, coordenação pedagógica) da metodologia do planejamento participativo para favorecer a tomada de decisões que se impõem;
  • proposição e execução de um sistema de avaliação permanente para diagnosticar os avanços e recuos como possibilidade de melhoria qualitativa das atividades acadêmicas;
  • busca da inter-relação entre a dinâmica do curso e o cotidiano do SUS em Pernambuco como elemento fortalecedor das relações curso/sociedade;
  • revisão permanente e atualização dos conteúdos programáticos e das metodologias, tendo em vista o progresso da ciência, as expectativas dos alunos e as exigências da sociedade, integralizando teoria e prática, instituição e sociedade;
  • definição das necessidades biopsicossociais de saúde dos indivíduos e da população, como orientadores da construção do saber médico e da conformação da prática médica nos serviços de saúde;
  • integração entre as diferentes áreas biopsicossociais do conhecimento: biologia, morfologia, fisiologia, clínica, cirurgia, comportamento, saúde coletiva nas diferentes fases do ciclo vital, estruturadas em módulos;
  • módulos, cujo núcleo é o conhecimento integrado por áreas do conhecimento – disciplinas, visando a formação geral do médico, embasada, cientificamente em tecnologias convencionais e avançadas, na ética e no humanismo;
  • currículo adotando um campo de prática diversificado, utilizando não só os hospitais, mas, os serviços de saúde do SUS, na sua dimensão própria e complementar, além de outros serviços possíveis como ONGs, serviços da comunidade, creches, etc;
  • adoção do saber técnico científico como um importante e essencial insumo, meio, ferramenta, mediante o qual o profissional em formação, sob orientação e vivência no campo de prática, apreende as necessidades de saúde, tanto do indivíduo quanto da população, constrói o seu significado e formula as intervenções adequadas sejam individuais e/ou coletivas;
  • adoção de um currículo centrado no aluno, possibilitando o desenvolvimento de uma postura crítica, responsável e reflexiva, sendo o aluno sujeito do processo ensino aprendizagem, do processo de construção do seu conhecimento e do cuidado das pessoas, assumindo autonomia e responsabilização crescente sobre os mesmos;
  • docente consciente de seu papel de mediador e motivador do processo ensino aprendizagem;
  • Estrutura curricular que condiciona a flexibilização/integração de conteúdo e carga horária, além de possibilitar a adoção de métodos e técnicas pedagógicas diferenciados. Cuja integração responde a prioridades da educação médica e que figuram nas Diretrizes Curriculares para os Cursos de Medicina, MEC, DOU, 09 de novembro de 2001, baseado em que, conhecimentos, habilidades e atitudes adquiridos em trabalho interdisciplinar ficam retidos por tempo prolongado e sua recuperação em momento oportuno torna-se facilitada.

Nesta perspectiva, a organização curricular do Curso assenta-se, pois, em áreas temáticas teórico-filosóficas correspondentes a uma perspectiva crítica da Medicina e fundamentalmente capaz de romper a dicotomia teoria/prática adotando-se modelo didático orientado para o processo de aprendizagem e, por conseguinte, centrado no profissional em formação.

Nesse contexto, percebe-se o currículo como conjunto articulado de atividades que propiciam a construção do conhecimento mediante diversos procedimentos metodológicos, pedagógicos e acadêmicos adequados a seus conteúdos. A inter-relação do ensino teórico e prático é alcançada pela total e permanente integração do conteúdo programático, quando aspectos teóricos são oferecidos subsidiando a abordagem prática quer seja laboratorial, ambulatorial ou coletiva, de forma concomitante e contínua na quase totalidade dos módulos que compõem a estrutura curricular. Aliado a isso identificam-se os objetivos da carreira do Médico considerando as múltiplas áreas do saber que constituem os conteúdos das matérias de natureza biológica, humanas e sociais, biotecnológica e médica, necessárias à formação e ao exercício da profissão.

Procura-se, também, estabelecer uma convergência entre os objetivos definidos para o curso, o perfil traçado para orientar a formação do egresso e aquele que é o principal lastro a conformá-los, a saber: as peculiaridades de condições socioeconômicas, culturais e de saúde do município e do Estado; a demanda e a suposição de que, dentro da realidade em que vivemos, a promoção, prevenção, a cura e a reabilitação ainda não constituem uma evidência.

1.6.2 - ESTRUTURA CURRICULAR

O Curso está estruturado em 12 semestres, tendo cada período a duração de 18 semanas. Desses 12 períodos 04 são destinados ao Estágio Supervisionado - Internato.

Na nova estrutura optou-se por uma estrutura modular desde que entre outros: a mesma facilitaria a racionalização de carga horária com vistas a implantação de um Internato de 24 meses e a expansão de outras práticas em serviços de saúde; racionalizaria a exposição de conteúdo considerando a necessidade de superar a sua superposição; facilitaria a implementação de uma integração progressiva de disciplinas, conforme já é visível na estrutura proposta; otimizará a compreensão dos estudantes dos conteúdos abordados uma vez que serão discutidos em bloco por diferentes áreas do conhecimento; A estrutura modular também cria a possibilidade de uma avaliação mais racional, evitando o stress indesejável a que os alunos, habitualmente são submetidos, pela proximidade de provas em várias disciplinas, que se desenvolvem de modo paralelo e dissociado.

Assim, o conteúdo obrigatório está contido em eixos longitudinais, verticais e no Internato. O conteúdo complementar será oferecido por disciplinas ou módulos eletivos. O Curso terá a duração de 12 períodos correspondente a 12 semestre e no máximo de 18 períodos correspondendo a 18 semestres.

1.6.3 - EIXOS E MÓDULOS

Os eixos são áreas do saber que se desenvolvem ao longo do curso. Esses eixos são longitudinais e verticais, sendo dois os longitudinais: o de desenvolvimento ético e humanista e o do desenvolvimento profissional - social, e um eixo vertical o da preparação técnico científica. Esses eixos se confundem no seu desenvolvimento. A sua explicitação se dá por uma necessidade de exposição e organização didática.

Os módulos são áreas de conhecimento formados por uma cadeia de conceitos, selecionada de áreas de conhecimento que se integram com esse fim e em função dos objetivos definidos para o Curso/Período, tendo como referência o conhecimento a ser construído e a prática profissional no desenvolvimento de habilidades e atitudes que deverão conformar o perfil do profissional egresso embasado na dimensão teórico – metodológica descrita no item anterior.

1.6.3.1 - EIXOS LONGITUDINAIS 

Embora perpassem todo o Curso sub áreas do conhecimento serão desenvolvidas em cada período por módulos. Ao longo do Curso estão previstos: os eixos de Desenvolvimento Pessoal, relativos à Ética e ao Humanismo, e o de Desenvolvimento profissional - Social, relativos ao desenvolvimento de práticas, à Saúde Coletiva e à Atenção Básica.

Os módulos dos eixos longitudinais têm uma pequena carga horária semanal (quatro a oito horas), mas durante todas as semanas de todo o Curso, de modo a garantir um contato permanente do aluno com estes temas, e com os serviços extra - muros, de forma contínua, consistente, articulada internamente e com as outras atividades do Curso, favorecendo a sua progressiva incorporação para a vida profissional.

O Eixo de Desenvolvimento Pessoal: relativo à Ética e ao Humanismo, tem por objetivo estimular nos alunos o desenvolvimento das habilidades, atitudes e o compromisso com a defesa da vida, a partir de valores e convicções éticas, morais, favorecendo uma prática ética humana e comprometida socialmente.

Este Eixo compreende conhecimentos de deontologia, de diferentes ciências, de natureza sócio-humanísticas que visam subsidiar o entendimento do ser humano na sua dinâmica social, material e intelectual, acerca do processo saúde/doença em suas múltiplas determinações e inclui a integração de aspectos psicossociais, culturais, filosóficos, antropológicos e epidemiológicos norteados por princípios deontológicos.

No seu desenvolvimento estão previstas atividades semanais, “vivências”, oportunizando aos alunos a expressão dos seus interesses, dificuldades, motivações, dúvidas e de proposições de temas que possam ser debatidos oportunamente.

Os objetivos propostos extrapolam os limites do período, daí o seu caráter de horizontalidade, pois, perpassa todo o curso de medicina, razão pela qual integram este módulo todos os professores do Curso, atentos às oportunidades para o aprimoramento da formação ética, psicológica e humanística dos alunos.

O Módulo de Desenvolvimento Pessoal integra as seguintes áreas temáticas: Evolução Histórica, Científica e Ética da Medicina; Psicologia do Desenvolvimento Humano; Saúde, Cultura e Sociedade; Psicologia Médica; Bioética e Cidadania; Psicopatologia; Saúde Comunitária; Medicina Legal e Deontologia Médica. No Internato serão realizados seminários de Bioética, júris simulados, Grupo Balint e outras atividades similares, para discussão de situações ou assuntos relacionados à Prática e Ética Médicas.

O Eixo de Desenvolvimento Profissional e Compromisso Social: Agrega temas relacionados à Saúde Coletiva e à Atenção em Saúde, objetivando o conhecimento da realidade sócio-econômico-cultural da população, relacionada ao processo saúde - doença. A esses conhecimentos estão incorporados conteúdos relativos às políticas de saúde, trabalho e administração, necessários ao desenvolvimento de habilidades do aluno para o exercício profissional que, por sua vez, encontram suas referências em abordagens filosóficas, sócio-antropológicas, psicológicas, de ética e deontologia, epidemiologia e saúde coletiva. Apreendendo e se habilitando paralelamente em práticas éticas e humanistas, o desenvolvimento da visão coletiva do problema saúde doença, possibilitará aos alunos uma visão de parceria com os indivíduos em busca da saúde e de uma sociedade mais saudável e justa.

O objetivo deste eixo é tornar o médico um cidadão comprometido com as transformações da sociedade, privilegiando a prática médica nos níveis primário e secundário de atenção à saúde, em integração com o Sistema Único de Saúde na sua dimensão própria e complementar.

À semelhança do eixo de Desenvolvimento Pessoal, também extrapola os limites de cada período, perpassando todo o Curso de Medicina.

O Eixo de Desenvolvimento Profissional – Social integra as seguintes áreas temáticas: Fundamentos da Prática e da Assistência Médica; Diagnóstico de Saúde da Comunidade; Epidemiologia e Bioestatística; Medicina Preventiva; Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente; Atenção à Saúde da Criança e da Gestante; Assistência à Saúde do Adulto e do Idoso; e Internato em Saúde Comunitária.

1.6.3.2 - EIXO VERTICAL

O Eixo Vertical é constituído de módulos verticais que se desenvolvem seqüencialmente em cada período, conforme a sua programação. São delimitados por áreas temáticas, mas apresentam a mesma concepção de serem núcleos de conhecimentos afins de uma mesma área temática. Dizem respeito ao conhecimento das ciências biológicas e da medicina. Embora sejam delimitados no período, a sua aplicação é cumulativa, uma vez que vai sendo incorporado ao conhecimento, às atitudes e às habilidades da prática médica que vão se processando, durante o curso. Possibilita a incorporação contextualizada do conhecimento, com crítica e reflexão sobre a ação.

A lógica de exposição dos módulos é a da complexidade de entender o ser humano, enquanto ser biológico, psicológico e social de forma integrada.

Estes módulos têm carga densa, de vinte a vinte e quatro horas semanais, com um total definido para cada módulo, segundo a complexidade do tema abordado. Os laboratórios das ciências básicas, de informática, de habilidades, serão o seu campo de prática. O desenvolvimento das atividades em pequenos grupos, supervisionadas por professores, monitores ou auto – dirigidas, facilitará a assimilação dos temas mediante o contato permanente do aluno com atividades práticas, de forma contínua, consistente, articulada internamente e com as outras atividades do Curso, favorecendo a sua progressiva incorporação para a vida profissional.

Os módulos verticais relativos ao conhecimento da Biologia, Biotecnologia e da Clínica Médica e Cirúrgica são conformados por áreas temáticas sobre a constituição, a estrutura e o funcionamento do organismo humano as alterações que nele se processam e a sua recuperação, direcionando-os, aplicando-os a possíveis situações com que o egresso do curso irá se defrontar em sua prática profissional. Esses conhecimentos não se esgotam em cada módulo. A sua aplicação é crescente.

Pela complexidade que é conhecer o corpo e a psique humana os módulos serão organizados levando-se em conta a psique e os sistemas orgânicos, reprodutor, nervoso, digestivo, locomotor, cardíaco, respiratório, renal, hematológico, utilizando as áreas específicas e já bem estruturadas do conhecimento da Anatomia, Histologia e Embriologia, Genética, Bioquímica, Farmacologia, Fisiologia, Biofísica e, Patologia Geral, Anatomia Patológica e as diferentes áreas da Clínica e Cirurgia e da Biotecnologia. Esses conhecimentos integrarão cada módulo, segundo a complexidade do sistema. Mesmo tendo a lógica do enfoque do morfofuncional, da tecnologia e da clínica em toda a sua expressão não deverá ser perdido de vista a integração do conteúdo e dos problemas mais presentes na região sob o enfoque da determinação social do processo saúde doença, nem a preocupação com o enfrentamento ético e humanístico de cada caso.

Os conhecimentos que embasam a incorporação das novas tecnologias à pesquisa e à prática da clínica médica serão apreendidos nos fundamentos na biofísica, na informática aplicada à saúde, nos métodos e técnicas do trabalho científico.

Os conhecimentos médicos hoje concentrados em núcleos de saberes de diferentes áreas clínicas e cirúrgicas têm o propósito de prover o aluno dos instrumentos conceituais e metodológicos para aquisição das habilidades e atitudes necessárias ao exercício da profissão. Deverá ser resultante da assimilação de conhecimentos na área de formação Médica que envolve fundamentos, história, ética, aspectos filosóficos e metodológicos da prática médica e seus diferentes níveis de intervenção. 

1.6.3.3 - MÓDULOS ELETIVOS

Os módulos eletivos abordam conteúdos complementares e garantem a necessária flexibilidade ao Curso, conforme preceito das diretrizes curriculares do MEC. A amplitude de temas a serem propostos depende exclusivamente do potencial do corpo docente do Curso de Medicina da UFPE, podendo se estender a áreas de interesse além da Medicina. Nesses módulos, a carga horária, e a metodologia serão determinadas em função das condições de infra-estrutura e objetivos determinados. Constituirão dos módulos eletivos: os módulos cujos grupos de professores responsáveis ofereçam ou as disciplinas que atualmente são oferecidas como optativas ou outras que por acaso venham a ser oferecidas, como Informática, Educação Física, Acupuntura, Homeopatia, Oncologia, Alergia e Imunologia Clínicas, etc.

1.6.4 - HORÁRIO LIVRE

Durante todo o Curso, com exceção do Internato, estão previstos, por semana, dois períodos livres, de 04 horas cada, para que os alunos possam se dedicar ao estudo e a atividades acadêmicas, objetivando evitar o stress, sobrecarga de trabalho e o absenteísmo.

1.6.5 - O INTERNATO

O Estágio Supervisionado – Internato, será realizado nos quatro últimos períodos letivos.

Estudos realizados pela CINAEM, mostram que é nesse período que o aluno demonstra maior domínio do conhecimento. É nesta etapa onde as habilidades e atitudes, do fazer médico, são aperfeiçoadas. Nesse Estágio o aluno aprofunda o seu aprendizado a sua vivência, na relação com os indivíduos, que necessitam os cuidados médicos, seja no plano individual ou coletivo, apreendendo/entendendo o seu sofrimento, dando-lhe um significado segundo a sua compreensão e sob orientação docente, o aluno, define os planos de intervenção e os aplica num processo de construção da sua autonomia profissional.

Nesse Estágio, pelo processo de se assumir enquanto médico, na busca de sua autonomia, há uma maior aproximação do aluno com profissionais médicos e de outras áreas afins, porque visualiza com mais clareza as suas limitações e passa a entender que necessita de apoio para resolver os complexos problemas que envolvem o processo saúde doença.

Assim, o aluno estará voltado para assegurar um núcleo básico de competências que permitam a sua inserção em diferentes contextos institucionais e sociais, de forma articulada com profissionais de áreas afins.

O Estágio será dividido em I, II, III e IV momentos, e realizado nos quatro últimos períodos letivos. Será supervisionado por preceptores, com uma carga horária de 3.840 (três mil oitocentas e quarenta) horas, envolvendo as 5 áreas consideradas básica em Medicina como a Clínica Médica, Cirurgia Geral, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia e Medicina Social em seus diferentes níveis de atuação, quer seja hospitalar, ambulatorial ou unidades básicas de saúde, em área urbana e urbana rural metropolitana, serviços de vigilância sanitária e CAPS, entre outros. Além disso, estão contempladas 04 semanas de férias no segundo ano do estágio.

1.6.6 – METODOLOGIA

Será estimulada uma progressiva utilização da metodologia da problematização, com vistas, a estimular a capacidade do aluno para sua atuação crítica e reflexiva enquanto agente de transformação da prática em serviço, sensibilizado para detectar problemas reais e buscar soluções viáveis e criativas Modelo pedagógico baseado na educação de adultos, onde o indivíduo é responsável pela construção de seu próprio conhecimento.

Progressivamente espera-se adotar a problematização para a identificação dos pontos de estrangulamento, seus determinantes e a confrontação da realidade com a teorização para entendimento e busca da formulação de hipótese para solução do problema em foco.

Na prática, serão formados pequenos grupos e o professor assumirá o papel de facilitador. Os temas serão desenvolvidos com base em casos/situações reais ou simulados.

O processo ensino aprendizagem será construído em sala de aula, laboratórios de habilidades utilizando-se recursos adequados, assim como os espaços dos serviços de saúde, com vistas a uma interação com as necessidades sociais da população e o desenvolvimento de ações de saúde, desde a promoção, à recuperação do processo saúde doença.

A avaliação ocorrerá ao longo de todo o processo ensino aprendizagem, nos domínios cognitivo, de habilidades e de atitudes. Cumprindo os objetivos da avaliação, esta será constante e continua levando em conta o domínio dos aspectos teóricos, das habilidades e das atitudes no processo ensino aprendizagem previsto no curso. Assim serão consideradas:

Avaliação Diagnóstica: Momento no qual se identificam os conhecimentos prévios necessários à compreensão dos temas a serem desenvolvidos em cada módulo da programação mediante uma sistematização de respostas a perguntas orais, escritas tipo pré-teste e tempestade de idéias, possibilitando o relacionamento dos conceitos existentes com os dos temas a serem apresentados.

Avaliação Formativa: No decorrer de cada um dos temas centrais dos módulos serão feitas avaliações orais e escritas individuais ou em grupos. A participação dos trabalhos em grupo e práticas, permitirá observar se a execução está correspondendo tanto às estratégias desenhadas, quanto aos objetivos formulados. A correção dos exames e práticas será uma retroalimentação constante ao planejamento do processo ensino aprendizagem.

Faz-se necessário ressaltar que serão desenvolvidas oficinas sobre tecnologia educacional, com os professores, assim como a preparação dos alunos para a adoção de metodologias inovadoras.

Avaliação somativa: No final de cada módulo serão feitas avaliações escritas que servirão para acompanhar o progresso do estudante e o conhecimento acumulado por ele no decorrer do curso

1.6.7 - ATIVIDADES PRÁTICAS

As atividades práticas devem ser enfatizadas e constituir a base para a aprendizagem, evitando-se a “teorização” das mesmas. Faz-se necessária uma infraestrutura laboratorial e de atendimento ambulatorial adequada. Novos espaços devem ser buscados, junto ao SUS na sua dimensão pública e complementar, especialmente tendo-se em vista a necessidade de se oferecer treinamento nos níveis primário e secundário de atenção à saúde.

1.6.8 – AVALIAÇÃO DA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO

A implantação do projeto pedagógico, como um processo dinâmico, em permanente construção, pressupõe a adoção de um sistema de avaliação que possibilite o acompanhamento e aperfeiçoamento do currículo.

1.6.9 – ACOMPANHAMENTO DO EGRESSO

A acompanhamento do egresso será feita através de informações obtidas do próprio egresso por meio de um banco de e-mails, informações obtidas das secretarias municipais e estaduais de saúde e dos COREMES.