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Semana da Visibilidade Assexual

De 23 a 29 de outubro é celebrada a Semana da Visibilidade Assexual. A Psicóloga da Diretoria LGBT da UFPE, Renata Arcoverde, preparou um texto sobre o assunto.

A assexualidade se define, a princípio, como a falta de interesse em relações sexuais. Não é uma aversão ou fobia ao sexo, nem uma impossibilidade de o praticar por questões fisiológicas ou religiosas.

Ao considerar-se o espectro da diversidade sexual e de gênero, ela estaria conceituada como uma orientação sexual, assim como a heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade, pansexualidade, entre outras. No entanto, as pessoas que se definem como assexuais preferem identificar-se como hétero-românticas, homo-românticas, bi-românticas ou mesmo arromânticas. Isso justamente porque o sufixo “sexual” não está exatamente de acordo com suas vivências.

É importante destacar logo na apresentação que a assexualidade não está classificada no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais/DSM-V (American Psychiatry Association, 2014) como uma doença, porém, a estigmatização de pessoas que não sentem o desejo de se envolver em práticas sexuais ainda é bastante presente, causando constrangimento e sofrimento psíquico para os que assim se identificam e vivem.

Para além da pressão sexo-normativa que supõe que todos devem sentir atração sexual, o que já causa nos assexuais um intenso sofrimento psíquico por não serem considerados “normais”, assumir-se nessa identidade podem ter consequências desastrosas, como o afastamento de familiares e amigos, a estigmatização, o isolamento, a dor de ser considerado um “E.T.”, e até mesmo, supõe-se, o surgimento de transtornos como a depressão.

A assexualidade é uma forma de ver e viver o corpo e as relações com outros corpos. Um grupo minoritário, mas crescente, está escolhendo identificar-se com uma categoria que foge às normas e padrões daquilo que é considerado o esperado. O termo “assexual” não faz parte dos discursos tradicionais acadêmicos nem militantes, uma vez que a sociedade atual vive o que se chama de sexo-normatividade, ou seja, a universalidade e centralidade das atividades sexuais nas relações amorosas, a sexualização dos corpos. Essa sociedade admite e legitima o sexo sem amor, mas não o amor sem sexo. Por isso, a assexualidade pode ser lida por alguns como apenas uma fase do amadurecimento sexual, a falta de encontro com a “pessoa certa” ou mesmo um transtorno passível de intervenção.

Por fim, verifica-se que a identidade assexual só pôde ser construída a partir do momento em que os indivíduos tomaram conhecimento dessa categoria, principalmente através da Internet, onde circulam os discursos acerca desse tema. O desinteresse sexual e/ou amoroso era historicamente considerado um distúrbio psicológico ou fisiológico, mas ganha novo significado no século XXI com o surgimento de comunidades virtuais que reúnem pessoas em torno da identidade assexual como um modo de vida legítimo.

Data da última modificação: 25/10/2017, 18:10