História do Curso de Graduação em Estatística

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Fundação

O curso de graduação em Estatística foi formado em 1968 e reconhecido pelo Decreto Federal 81.036 de 15/12/77, publicado em 16/12/1977 com o parecer 2.685/1977 CFE de 03/10/1977.

Galeria de Coordenadores e Vice-coodenadores

  • ago/1976-fev/1980: Profa. Dra. Maria da Glória Abage de Lima (??)
  • mar/1980-?/19??: Prof. Dr. Franklin de Souza Martorano (??)
  • dez/1983-mar/1991: Profa. Dra. Maria da Glória Abage de Lima (??)
  • abr/1991-?/19??: Profa. Dra. Jacira Guiro Marino (??)
  • ago/1997-jul/2000: Prof. Dr. Klaus Leite Pinto Vasconcellos (??)
  • ago/2000-?/2005: Prof. Dr. Sylvio José Pereira dos Santos (??)
  • ?/2006-?/2010: Prof. Dr. Cristiano Ferraz (??)
  • 4/2010-4/2012: Profa. Dra. Audrey Helen Mariz de Aquino Cysneiros (Profa. Dra. Patrícia Leone Espinheira Ospina)
  • 4/2012-4/2014: Profa. Dra. Audrey Helen Mariz de Aquino Cysneiros (Profa. Dra. Betsabé Blas Achic)

Notas Históricas do Curso de Graduação em Estatística

Texto baseado em mensagem eletrônica autorada pelo Prof. Moscoso à Profa. Ma. Cristina Raposo. Editado por Prof. Gauss M. Cordeiro, Prof. Klaus L. P. Vasconcellos e Profa. Ma. Cristina Raposo.

No ano de 1963, a OEA, juntamente com o “Instituto de Cultura Hispânica”, da Espanha, criaram o “Programa Extracontinental n° 36 da OEA” onde o “Instituto de Investigaciones Estadisticas del Consejo Superior de Investigaciones Cientificas”, da Espanha, e a “Escuela de Estadistica”, da Universidade de Madrid,  ministrariam um curso de pós-graduação, de um ano de duração, de “Pesquisa Operacional”  para ingressantes do “Centro Interamericano de Enseñanza de Estadistica- CIENES”.

Caso o primeiro curso tivesse aceitação, se continuaria com o programa.

O representante da OEA que acompanhava o “Programa” era um brasileiro, da Bahia, residente em Washington e funcionário da OEA chamado Tulo H. Montenegro. O diretor do Instituto de Cultura Hispânica (hoje “Instituto de Cooperaccíon Internacional-ICI”) era Sr. Suarez de Puga e o Diretor do “Instituto de Investigaciones Estadisticas del CSIC” e da “Escuela de Estadistica” de La Universidade de Madrid o Prof. Sixto Rios Garcia. A OEA através daquele Programa desenvolveu um ciclo de conferências pelos países: Argentina, Uruguai e Brasil (UFBA e UFPE), durante um mês, ministradas pelo Prof. Sixto Rios Garcia.

Nos centros onde se celebraram as conferências, consultaram o Prof. Sixto Rios sobre a possibilidade de que algum professor pudesse trabalhar durante um ano ministrando alguns cursos ou palestras sobre estatística matemática e pesquisa operacional. O Prof. Sixto Rios ficou bem impressionado com o Instituto de Matemática da UFPE, onde se encontrava o Professor  Manoel Zaluar Nunes, pessoa de alto valor intelectual  que compreendia as grandes perspectivas do crescimento de todos os ramos da ciência com apoio da matemática probabilística.

O professor Rafael Moscoso Segovia trabalhava com o professor Sixto Rios na “Escuela de Estadistica” e no “Instituto de Investigaciones Estadisticas” e era professor também nos cursos de “Investigación Operativa” do Programa  da OEA e foi consultado a ele se lhe interessaria passar um ano em Recife ministrando alguns cursos. O professor Moscoso aceitou o convite e chegou ao Recife no dia 13 de janeiro de 1967. Nessa época o professor Zaluar se encontrava enfermo. O diretor do Instituto de Matemática da UFPE era o Prof. Jonio Lemos, uma pessoa com grandes qualidades humanas e profissionais. Soube administrar o Instituto de Matemática em uma época difícil onde existia uma divisão interna, não necessária, já que nunca se limitou a liberdade dos professores para ministrar suas disciplinas da forma que considerassem mais convenientes.

Durante o primeiro ano de atividades, o professor Moscoso ministrou alguns cursos  para alunos concluintes dos cursos de engenharia e matemática.  Estes cursos tratavam do desenvolvimento conceitual do cálculo das probabilidades baseado na axiomática de Kolmogoroff, do conceito de variável aleatória e da determinação das principais funções de distribuição probabilísticas como sucessivas generalizações da função de distribuição de Bernoulli.

O professor Jonio Lemos e o então reitor, professor Murilo Guimarães, convidaram o professor Moscoso para continuar na UFPE por mais um ano. Como o mesmo estava gostando do que fazia, da gente e da cidade, o convite foi aceito.

No ano seguinte, o professor Moscoso repetiu o curso do ano anterior e adicionou outros cursos de duração semestral com carga horária de quatro a seis horas por semana. Estes cursos foram: Inferência Estatística e Teoria da Decisão, Processos Estocásticos, Teoria da Amostragem Probabilística, Teoria de Estoque e Substituição de Equipamentos, Teoria de Filas de Espera e Teoria Matemática dos Jogos. Nestes cursos existia uma forte participação de concluintes do Curso de Matemática que posteriormente, em sua maioria, foram os primeiros professores do Curso de Estatística. Foram eles: Maria da Gloria Abage (docente de 1969 a 1990 e a partir de 2011), José Natal Figueiroa (1969 a 1997), Franklin de Souza Martorano (1968 a 1992), Bartolomeu José  dos Santos (1969 a 1990) e Maria Katheleen Vasconcelos (1969 a 1992).

No terceiro ano, o Professor Jonio Lemos perguntou ao Prof. Moscoso se o mesmo estaria disposto a implantar no Instituto de Matemática um curso de graduação em Estatística.  Como existiam excelentes alunos que tinham concluído o Curso de Matemática e tinham assistido aos cursos que o mesmo tinha ministrado, seria possível com um pouco mais de esforço e com a participação abnegada dos mesmos enfrentar esse desafio.  Assim, o professor Moscoso aceitou o desafio.

O primeiro e segundo anos do Curso de Estatística eram básicos, como em todos os cursos da área de exatas, sendo grande parte das disciplinas comuns aos vários cursos da área, permitindo dispor de tempo para preparar melhor os professores nas disciplinas especificas do Curso de Estatística que iriam entrando progressivamente nos anos seguintes.

Por fim, vale a pena registrar as seguintes palavras do Professor Moscoso em outubro de 2011:

Gostaria nesta oportunidade de reconhecer a dimensão humana e profissional daqueles professores que deram tudo de si em uma missão onde todos estávamos comprometidos em atingir o melhor resultado possível e que, apesar de que não fosse o desejado, éramos conscientes de que sobre essa pedra que estava sendo colocada seria construído um curso que seria cada vez melhor. Reconheço, também, a sabedoria e a coragem que o Prof. Jonio Lemos foi possuidor, que possibilitou que a UFPE implantasse o Curso de Estatística, assim como os professores e pelo qual devemos estar todos gratos.

Gostaria de deixar também um testemunho da grande dimensão humana do Prof. Jonio, que se caracterizou por ser sempre um mediador, apaziguador, procurando como diretor do Instituto de Matemática e como vice-reitor, amenizar os exageros existentes com a repressão estudantil, pelo Regime Militar, dentro da UFPE, evitando, certamente, muitas situações dolorosas, tanto para alunos como para suas famílias. (RAFAEL MOSCOSO SEGÓVIA)