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Rio Ipojuca, em Caruaru, apresenta níveis excessivos de metais e fármacos

Presença desses compostos na água de um rio que serve para consumo público da população é preocupante

Por Amanda Myrtes
      
O Rio Ipojuca, que, ao cortar o Agreste pernambucano, abastece 12 municípios, entre eles a cidade de Caruaru, e cobre uma área de 3.435,34 km², está contaminado com elevados índices de poluentes. Segundo aponta o mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental (PPGECAM) do Centro Acadêmico do Agreste da UFPE José Adson Andrade de Carvalho Filho, em sua dissertação “Estudo de contaminantes emergentes e meiofauna no rio Ipojuca no município de Caruaru”, elementos como Cloreto, N amoniacal, fosfato total, ferro, manganês, alumínio e componentes fármacos, ocorrem naquele rio com valores acima da máxima permitida para cursos d'água enquadrado na classe II, categoria atribuída às águas destinadas ao abastecimento para o consumo humano, após o tratamento convencional; proteção das comunidades aquáticas e recreação, entre outros.

Sob orientação do professor Anderson Luiz Ribeiro de Paiva e coorientação da doutora em Engenharia Civil Tatiane Barbosa Veras de Albuquerque, a pesquisa teve como objetivo verificar a presença de fármacos em um trecho médio do Rio Ipojuca, bem como a caracterização da zona hiporreica do trecho estudado, para dois pontos (P1 e P2). Para isso, explica o autor, “foi realizado monitoramento qualitativo através parâmetros físico-químicos e metais em amostras da água do Rio Ipojuca, seguindo o Standard Methods (2005) e comparados com os padrões expostos na Resolução 357 do Conama (2005) para rios de classe II”. 


Ponto 1 - Local mais afastado do centro urbano, com boa parte da vegetação ciliar preservada

Segundo a pesquisa, além do excesso de metais, sais como Sulfato e Nitrito foram encontrados em maior quantidade que o permitido no ponto 2, local mais próximo do centro urbano de Caruaru e, consequentemente, mais afetado pelas ações antropológicas; em contrapartida do P1, que encontra-se mais afastado do centro urbano de Caruaru e possui boa parte da vegetação ciliar preservada. De acordo com a Resolução 357 do Conama, o valor máximo permitido de metais como Cloreto, Sulfato e Nitrito, em miligramas por litros, são, consecutivamente, 250 mg/L; 250 mg/L; e 1 mg/L.

Em análise, durante dez meses, foi constatado que o Rio Ipojuca apresenta uma média, no P1 e P2, de forma consecutiva, de 278,11 mg/ L e 992,00 mg/L de Cloreto; 116,86 mg/L e 940,00 mg/L de Sulfato; e 0,75 e 3,45 mg/L de Nitrito. Ou seja, números que vão além do permitido, prejudicando a vitalidade do rio e, consequentemente, a população que faz uso da água do rio. Ainda mais, “dos fármacos analisados (paracetamol, dipirona, diclofenaco e Ibuprofeno), apenas o diclofenaco e o ibuprofeno apresentaram concentrações a níveis detectáveis, sendo o diclofenaco presente em todas as amostras coletadas”, afirma o pesquisador.


Ponto 2 - Local mais próximo do centro urbano, apresenta excesso de metais e sais como Sulfato e Nitrito

José Adson também destaca o quão preocupante pode ser a presença desses compostos na água de um rio que serve para consumo público da população e explica: “O ibuprofeno e o diclofenaco são fármacos persistentes no meio ambiente e de difícil tratamento, fazendo-se necessário uma campanha de conscientização da população a respeito do excesso de consumo e do descarte inadequado desses medicamentos[...]”. Para o pesquisador, esses achados são resultado “dos modelos atuais de desenvolvimento econômicos e sociais, a forma desorganizada em que a urbanização acontece e a produção exacerbada de produtos pela indústria em geral, a sociedade moderna vem causando danos ao meio ambiente”.

A título de conclusão e sugestão, José Adson aponta que “a qualidade da água do Rio Ipojuca está bem deteriorada e aquém do que se espera para uma água de rio classe II”, situação essa resultante “das cargas poluidoras de esgotamento doméstico e industrial lançados na matriz aquática”. Portanto, defende o autor, são necessárias “tomadas de decisões para melhoria da qualidade da água do rio, tais como a ampliação do atendimento do esgotamento sanitário, tratamento de efluentes domésticos e uma maior fiscalização dos efluentes lançados pelas industriais”.

Mais informações
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental do Centro Acadêmicos do Agreste da UFPE (PPGECAM)
(81) 2103.9198
ppgecam.caa@gmail.com

José Adson Andrade de Carvalho Filho
adson.carvalhojr@gmail.com

Data da última modificação: 14/10/2019, 15:17