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Jogo da memória ajuda adolescentes na prevenção da hanseníase

A iniciativa, desenvolvida na pós em Enfermagem da UFPE, reúne 24 cartas com imagens e informações correspondentes às características clínicas da doença

Por Maik Santos
      
A pesquisadora Marta Maria Francisco produziu, através do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFPE, um jogo da memória capaz de desenvolver nos adolescentes o conhecimento para identificar a presença da hanseníase. Com a proposta, a autora espera identificar precocemente a doença, combater o estigma e auxiliar no seu controle, “uma vez que irá trabalhar com a população escolar estimulando, por meio do jogo a sedimentação do conhecimento sobre a hanseníase, que possibilitará a identificação precoce”. 

Desenvolvido sob orientação da professora Maria Gorete Lucena de Vasconcelos e coorientação da professora Eliane Maria Ribeiro de Vasconcelos, o trabalho “Construção e validação de um jogo da memória sobre hanseníase para adolescentes” se propõe a contribuir para a educação em saúde na atenção básica, na Estratégia de Saúde da família, e para os serviços de média complexidade, como os serviços de referência, na identificação das lesões pelos adolescentes, alertando sua comunidade, como explica a autora.  

O jogo possui 24 cartas pareadas e mais duas, sendo uma com as regras e outra carta coringa, Doze cartas trazem imagens de como a hanseníase se manifesta em diversas partes dos corpos e em diferentes níveis. As demais cartas pareadas possuem detalhes das características da doença. O jogador deverá combinar a carta com a imagem, com a carta que traz detalhes sobre os características da forma clínica da doença.

A proposição da atividade lúdica sobre hanseníase foi baseada em orientações do Ministério da Saúde e passou pela avaliação de 22 juízes, sendo o grupo formado por sete enfermeiros, cinco médicos, cinco fisioterapeutas e cinco educadores. Os juízes avaliaram o jogo quanto ao conteúdo, para verificar se o jogo educativo está de acordo com as recomendações ministeriais sobre hanseníase; se aborda a temática a respeito da enfermidade de maneira clara e objetiva, e se está adequado para os adolescentes. Sobre esses três aspectos, a grande maioria dos avaliadores validou a iniciativa.

A segunda categoria avaliada corresponde à linguagem presente nas cartas do jogo. Do corpo de avaliadores, 17 concordaram que jogo educativo apresenta uma linguagem coerente para a compreensão dos adolescentes sobre hanseníase e 15 deles consideraram que a linguagem está agradável para estimular a atenção dos adolescentes para a aprendizagem sobre a hanseníase. Quando questionados se as regras do jogo educativo estão apropriadas à faixa etária, 17 juízes concordaram.

O último item avaliado foi em relação à aparência do jogo, 17 dos juízes estão de acordo que a aparência do jogo educacional despertará interesse para o aprendizado. Em relação se a distribuição do conteúdo está atrativa para a concentração do adolescente, 17 deles concordaram que sim. Por fim, 16 dos 22 juízes concordaram que as imagens do jogo educativo estão claras e de boa visibilidade para a faixa etária. “Ao desenvolver o projeto observamos que, apesar do haver o programa do Ministério da Saúde para o combate e controle das doenças negligenciadas, havia poucos estudos em relação às tecnologias educacionais voltadas para hanseníase na população adolescente”, explica Marta Maria.

Na pesquisa, a autora ainda aponta que entre as doenças infecciosas, a hanseníase é considerada uma das principais causas de incapacidade física, como consequência das lesões neurais causadas. Nas pessoas susceptíveis à bactéria Mycobacterium leprae, causadora da hanseníase, a enfermidade se manifesta de diferentes formas, a depender de fatores relacionados à idade e a vulnerabilidades sociais. Esse predomínio é explicado, geralmente, pela maior exposição ao bacilo e falta do autocuidado de indivíduos com a sua saúde, o que retarda o diagnóstico e aumenta o risco de desenvolver incapacidades físicas.

De acordo com Marta Maria, em seu estudo a detecção da hanseníase no Brasil, no período de 2012 a 2016, em menores de 15 anos, apresentou alta endemicidade (4,81 e 3,63 por 100 mil/habitante); em Pernambuco, o ano de 2012 apresentou como hiperendemicidade (10,86 por 100 mil/habitante) e, em 2016 (7,56 por 100 mil/habitante), apesar de ter havido um decréscimo, o parâmetro foi de muito alta. No mesmo período, Recife pode ser enquadrado como hiperendêmico (51,88 e 57,91 por 100 mil/habitante), ficando acima dos dados nacionais.

Mais informações

Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFPE
(81) 2126.8566
ppgenfermagem.ufpe@gmail.com

Marta Maria Francisco
marta_m_francisco@yahoo.com.br

Data da última modificação: 28/08/2019, 16:51