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Estudo questiona relação entre quimioterapia e alterações das funções executivas nas mulheres

Dentre as pacientes avaliadas, algumas apresentaram indícios de declínios para algumas habilidades, enquanto outras permanecem inalteradas

Por Larissa Valentim 
      
A quimioterapia é uma das formas de tratamento mais utilizadas para o combate ao câncer de mama, mas essa modalidade terapêutica vem sendo associada a alterações no funcionamento cognitivo, que incluem memória, aprendizagem, concentração e funções executivas. Diante da assertiva, a mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFPE Monyke Cabral e Silva de Souza investigou o desempenho das funções executivas em mulheres com câncer de mama em estágios II e III, em tratamento de quimioterapia. Autora da dissertação “Avaliação neuropsicológica das funções executivas em mulheres com câncer de mama submetidas à quimioterapia”, Monyke constatou que, “apesar dos resultados apontarem, de forma geral, que existe uma tendência ao declínio das funções executivas em mulheres em tratamento, não é possível determinar com exatidão a existência dessa correlação”.

O trabalho, orientado pela professora Renata Maria Nogueira, indica que as mulheres com câncer de mama apresentaram indícios de declínios para algumas habilidades (controle inibitório e flexibilidade cognitiva), enquanto que outras permanecem inalteradas, como a capacidade de planejamento. “Constatou-se, ainda, que as mulheres em tratamento apresentaram indícios de melhora significativa em um subcomponente das funções executivas (memória de trabalho)”, afirma a mestra em Psicologia Monyke Souza. “Apesar dos resultados apontarem que existe uma tendência ao declínio das funções executivas em mulheres em tratamento através da quimioterapia, não é possível determinar com exatidão a existência dessa correlação”, comenta a autora. Este fato, segundo Monyke, pode ser justificado em função do número limitado de participantes, pela heterogeneidade da amostra, e também dada a carência de uniformidade metodológica no que se refere aos testes aplicados na comunidade acadêmica e pela ausência de uma definição consensual dos construtos e subcomponentes associados às funções executivas.

METODOLOGIA | O estudo foi realizado no Ambulatório de Oncologia de Adulto do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), localizado no Recife (PE), que atende de forma integral, através de uma equipe multidisciplinar e funciona como um centro de referência do controle da dor e infusão de medicações quimioterápicas. A amostra foi constituída por 38 mulheres entre 40 e 59 anos, moradoras de Pernambuco, selecionadas para compor os seguintes grupos pareados em função da idade, escolaridade e nível de estresse: o grupo de mulheres com câncer de mama em estágios II e III em tratamento com quimioterapia (CQT) e o grupo de mulheres saudáveis (sem câncer) que não fazem uso de quimioterapia (SQT).

Para alcançar os objetivos traçados, Monyke utilizou questionário de entrevista semiestruturada; prontuários multiprofissionais, Inventário de Sintomas de Stress; Mini Exame do Estado Mental – MEEM; teste de cubos e dígitos da Escala de Inteligência Wechsler para Adultos – WAIS III; Teste da Torre de Londres; e Teste dos Cinco Dígitos – FDT. Segundo a autora, todos os instrumentos utilizados foram padronizados para a população brasileira e adequados para a faixa etária de interesse. As avaliações aconteceram de forma individual e em ambientes sem interferências sonoras ou de outra natureza que pudessem vir a comprometer a aplicação dos testes. 

Para verificar a existência de associação entre as variáveis investigadas, foram utilizados o Teste Qui-Quadrado e o Teste Exato de Fisher para as variáveis categóricas. “O teste de Normalidade de Kolmogorov-Smirnov foi utilizado para variáveis quantitativas. A comparação entre os grupos foi realizada pelo Teste t Student, para Distribuição Normal e Mann-Whitney para distribuição não normal. Para avaliar a intensidade da relação entre as variáveis, foi realizado o teste de Correlação de Spearman”, comenta Monyke. 

Mais informações
Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPsi)
(81) 2126.8271
secretariappgpsi@gmail.com

Monyke Cabral e Silva de Souza
monyke_cabral@hotmail.com

Data da última modificação: 14/08/2019, 17:27