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Consumo colaborativo no turismo mantém boa relação entre discurso de plataforma e identidade do consumidor

Estudo analisou o discurso da plataforma de viagens Airbnb e o perfil dos seus usuários

Por Larissa Valentim 
                                                                                         
“Diversos aspectos sociais, econômicos, tecnológicos e ambientais têm levado as pessoas a alterarem seus padrões de consumo e essas transformações vêm direcionando a sociedade para uma nova procura turística, buscando, por exemplo, autenticidade e sustentabilidade nesses novos modelos de viagem”. Essas alterações no interesse e no padrão de consumo da sociedade pós-moderna, segundo a turismóloga com pós-graduação em Administração Luana Alexandre Silva, possibilita formas alternativas de consumo, como o serviço on-line comunitário para as pessoas anunciarem, descobrirem e reservarem acomodações e meios de hospedagem, o Airbnb.

Autora da dissertação “Discurso e identidade no consumo colaborativo de turismo: uma investigação sobre a plataforma de viagens Airbnb e seus usuários”, defendida no Programa de Pós-Graduação em Administração da UFPE (Proapad), Luana avalia que “o consumo colaborativo de viagens está ligado a questões morais e de identidade, nas quais está enquadrada a dúvida de ser viajante ou turista”. No estudo, orientada pela professora Maria de Lourdes Barbosa e baseado nos discursos utilizados pela plataforma de viagem Airbnb, Luana aponta que essas novas formas de consumo “têm sido formuladas e reformuladas para atender as demandas de uma sociedade moderna, caracterizada pelas frequentes mudanças e pelo constante sentimento de insatisfação”. 

Segundo o estudo, a aparente mudança de mentalidade do consumidor propicia o contexto no qual o consumo colaborativo se desenvolve – abrindo espaço para novas conexões sociais, já que este tipo de consumo tende a tornar o tópico social mais importante. “A partir dessas novas alternativas de hospedagem, modelos de negócios colaborativos como o Airbnb têm facilitado um turismo mais acessível”, afirma. Luana observa, também, algumas características presentes na plataforma da web que difunde e viabiliza esse modelo de negócio, como não enfatizar as relações comerciais evitando utilizar palavra “cliente” ou a valorização do consumo de experiência, que indicam a existência de um discurso “antiturista do lado do consumidor e da plataforma”. 

Ainda segundo a pesquisadora, o fato da a maioria dos consumidores ser jovem também auxilia nesse panorama. “Viajar de maneira independente e estar aberto a experiências diferentes pode indicar que os consumidores desses negócios possuem estilos de vida e interesses semelhantes, mais do que uma única identidade de viajante ou turista”, observa a mestre em Administração. Com a internet, novas formas de acesso, compartilhamento e colaboração, o “autosserviço” torna-se possível aos viajantes, que não são mais dependentes de intermediários, reduzindo, assim, os custos. A autora também aponta que por mais que a questão econômica seja um ponto importante para a utilização desses serviços de compartilhamento, os consumidores desses serviços aparentam ter estilos de vida e interesses bastante definidos. "O website analisado, por exemplo, direciona o serviço, falando direto com o seu consumidor", atesta.

METODOLOGIA | Para chegar aos resultados, a turismóloga coletou dados fazendo uma leitura crítica e um roteiro de investigação do website Airbnb e fez entrevistas individuais com 28 pessoas, com idade entre 22 e 40 anos que tinham utilizado a plataforma há, pelo menos, três anos. A partir dessas sondagens, Luana conseguiu analisar criticamente os discursos dos website e como os consumidores os interpretavam, observando se esses discursos são capazes de influenciar construções identitárias e fomentar o consumo das pessoas ou se “o indivíduo possui a liberdade e o poder de absorver ou modificar essas ideias”. 

Com o confrontamento de dados, foi possível perceber como os discursos apresentados pelas plataformas foram interpretados pelos consumidores, de acordo com suas identidades de turistas e/ou viajantes. “Observou-se com a pesquisa que, no caso da plataforma de hospedagens compartilhadas Airbnb, o discurso da empresa, a interpretação dos usuários e a identidade dos mesmos possuem relação positiva, já que há pouca variação entre o que é dito pelo website da plataforma e o que é percebido pelos consumidores”, aponta a autora. 

Mais informações

Programa de Pós-Graduação em Administração da UFPE
(81) 2126.8878
coordenação.proapad@gmail.com

Luana Alexandre Silva
luanaalsilva@gmail.com

Data da última modificação: 24/04/2019, 15:37