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TVU comemora 50 anos amanhã (22) mantendo a identidade com a cena pernambucana

Na fase inicial, a programação cultural trouxe para a telinha o teleteatro, concertos clássicos e música popular, programas de entrevistas e debates

Foto: Paulo Gonçalves/TVU

Emissora ingressou no sistema digital e ganhou nova definição de imagem e som

 

Por Maria Clara Angeiras/TVU

A primeira emissora educativa do Brasil comemora 50 anos amanhã (22) e traz na sua trajetória o pioneirismo na teleducação, nas transmissões esportivas, no telejornalismo e na valorização da cultura regional. Historicamente, a TV Universitária, conhecida como Canal 11, é o embrião do sistema brasileiro de comunicação pública.

Fotos: Divulgação/Acervo TVU

Solenidade de inauguração da emissora, em 1968

Oficializada pelo Decreto 57.750 de 15 de fevereiro de 1966, a concessão do canal 11 UHF à UFPE buscou desenvolver programas de combate ao analfabetismo, cujos altos índices representavam um entrave ao desenvolvimento industrial. Com a missão de ampliar os horizontes da educação e de elevar a cultura do povo do Nordeste e do Brasil, a TVU foi inaugurada no dia 22 de novembro de 1968, nascendo em um cenário improvável, em pleno regime militar, sob os grilhões do AI-5.

O reitor Anísio Brasileiro lembra o nascimento da emissora, quando “havia uma parte considerável da população que precisava ter acesso à educação.Os programas educativos, na época, contribuíram para reduzir o analfabetismo e uma maior inclusão,” destaca.

Ao longo dos anos, a emissora passou por várias fases, do ponto de vista de conteúdo editorial. Nasceu uma TV cultural e, nos dois anos seguintes, assumiu características de uma TV instrucional, com a implantação do Centro Multinacional de TV Educativa, financiado pela Organização dos Estados Americanos (OEA), como ressalta o reitor: “As tecnologias usadas na época, a partir de cooperações internacionais, sobretudo com o Japão, foram fundamentais para formar as primeiras equipes aqui em Pernambuco, no Nordeste, para a televisão.”

Pelo Centro, passaram professores e profissionais da Colômbia, Argentina, México, Japão, Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra, que se qualificaram em cursos de produção de TV educativa, broadcasting management, iluminação em TV, aplicação de leis. Além de influenciar no direcionamento da grade de programação, as atividades desenvolvidas possibilitaram treinamento para toda a equipe e, ainda, de outras emissoras locais.


Programa teleteatro El Cid, com direção de Milton Baccarelli

Na fase inicial, a programação cultural trouxe para a telinha o teleteatro, concertos clássicos e música popular, programas de entrevistas e debates, exibindo: “Tempo de Cinema, “Sala de Visitas”, “No Mundo das Artes”, “Mesa Redonda”, “O Grande Júri”, dentre outros. Na faixa educativa, cursos, documentários e aulas direcionadas também aos telepostos. 


Monitor ministra aulas, usando o conteúdo dos programas

Juntamente com o equipamento Toshiba, vieram 500 aparelhos de TV que foram instalados em centros comunitários, escolas e até presídios. Em cada teleposto, um monitor ministrava aulas, usando o conteúdo dos programas. Estava criado o modelo brasileiro e, entre 1968 e 1974, foram criadas nove emissoras educativas de TV, sendo três ligadas ao Ministério da Educação e outras seis a Secretarias estaduais de Educação, Comunicação ou Cultura: TV Cultura-SP, TVE-AM, TVE-CE, TVE-ES, TVE-MA, TVE-RJ, TVU-RN e TVE-RS.

Com o início da operação via satélite, a partir do início da década de 1980, os recursos passaram a ser distribuídos para as emissoras “cabeça de rede”, localizadas no eixo Rio de Janeiro-São Paulo. O fato gerou uma drástica queda na manutenção dos canais educativos nos demais estados, incluindo Pernambuco. A TVU então buscou, na valorização da cultura regional, o caminho para a viabilização da produção de séries educativas como: “O que temos, o que somos”, “Saúde para Todos”, Léguas Tiranas do Nordeste”, Artesãos ás suas Ordens” e “Projeto Itaparica.”

E o telespectador passou a se reconhecer no ar nas primeiras coberturas do Carnaval de rua, nas transmissões dos jogos de futebol, com entrevistas dos craques tri-campeões de futebol do mundo. Para isto, a emissora dispunha de uma Unidade Móvel (caminhão de externas), a primeira do Norte e Nordeste.

TV PÚBLICA – Com a Constituição de 1988, veio a discussão conceitual sobre TV pública e, em 1996, a TVU passou por uma transformação na linha editorial dos programas, voltados agora para o interesse público, serviço de informação, entretenimento e formação cultural. Nesta fase, surgiram os programas TV Saúde, TV Ciência, TV Cidadania, Documento Nordeste, Cinema 11, Curta Pernambuco e Argumento.

Buscando cada vez se integrar à comunidade, a TVU ingressou no terceiro milênio tendo a frente o desafio da migração para o sistema digital, previsto na legislação brasileira (Decreto 5.820/2006). Nova definição de imagem e som impactou na nova programação. Destacam-se hoje na produção local os programas “Zona Multicor”, “Na Direção Delas”, “Realidades”, “Sessão de Cinema Pernambucano”, incluindo especiais musicais de São João como “É na Pisada”, “Cena Peixinhos” e alguns interprogramas culturais. No jornalismo, o “Opinião Pernambuco” de segunda a sexta abre o debate para a sociedade e os interprogramas “Agenda Pública” e “TVU no Campus” trazem o cotidiano da cidade e o conhecimento além do Campus.

Passados 50 anos, a primeira emissora pública do Brasil traz no registro de sua história uma parte significativa da radiodifusão. Passou pela TV preto e branco com programas ao vivo, seguida do uso de vídeo-tape, que flexibilizou a produção dos programas gravados e editados. Posteriormente, chegou à TV a cores, operação em rede e, dentro desse processo, vieram as mudanças de suporte do filme de cinema para U-maitc, depois de Beta-Cam para DV-Cam. E, por último, chegou a TV digital com suas potencialidades de interatividade e mobilidade no celular, como explica o pró-reitor de Comunicação, Informação e Tecnologia da Informação (Procit), Décio Fonseca, sobre o aplicativo UFPE Play em que é possível acessar a TVU. “Você cria uma maior empatia, um maior engajamento do cidadão com a nova televisão digital. Hoje, temos a oportunidade de mostrar, de ver, de assistir e, no futuro, interagir, através de um aplicativo”, destaca.

A TVU chega aos 50 anos com a missão de integrar o serviço de radiodifusão brasileira de sons e imagens observando a complementaridade dos sistemas privado, público e estatal. Uma integração necessária para dar conta da complexidade da comunicação e da sociedade em suas diversas nuances. Uma data festejada com o sentimento de pertencimento, como ressalta o diretor do Núcleo de Televisão e Rádios Universitárias (NTVRU), José Mário Austregésilo. “Nós temos uma identidade, nós não perdemos. Então, o que a gente tem que celebrar é a identidade da TV pernambucana através da programação da TV Universitária feita por essas gerações que vão levar isso adiante, com certeza”, comemora.

Data da última modificação: 22/11/2018, 14:54