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Questão energética é debatida no Fórum Brasil por Luis Nassif e João Paulo Aguiar

No debate, o engenheiro João Paulo Aguiar fez uma defesa veemente pela autonomia da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf)

Soberania. Essa foi a palavra-chave das palestras promovidas na quinta-feira (19) na abertura do Fórum Brasil, realizado pelo Instituto Futuro da UFPE, com a participação do engenheiro especialista em energia João Paulo Aguiar e o jornalista Luis Nassif, e mediação do ex-reitor Amaro Lins. Com o tema “A questão energética nacional e regional”, o fórum, segundo a sua coordenadora, professora Maria de Jesus, “se propõe a promover reflexões sobre temas cruciais para o país, a partis do conhecimento de quem pensa o país, sobretudo nesse momento de crise em que estamos vivendo, a fim de lançar alternativas para quando essa situação passar”.

Foto: Passarinho

O ex-reitor Amaro Lins intermediou o debate, com Nassif e Aguiar

Para Nassif, que construiu sua carreira atuando predominantemente na área de economia, o Brasil está vivendo um processo de destruição de conquistas e o maior desafio é reduzir as perdas. “E de onde virá a resposta para esse desafio?”, indagou, apontando a resposta: “A saída não deve vir do meio político, nem de outras tradicionais instituições, pois que muitas delas vivem no desânimo absurdo. Devemos buscar respostas na universidade; é nela que se vê a luta para recriar uma pauta nacional para servir de base para quando a virada chegar. E ela virá”. O jornalista ainda alerta que “o moralismo insípido reinante está impedindo que se pense sistematicamente no país”.

CHESF – Um dos maiores conhecedores da política energética do país, o engenheiro João Paulo Aguiar fez uma defesa veemente pela autonomia da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf). Segundo Aguiar, que foi coordenador dos Comitês de Recursos Hídricos, de Responsabilidade Social e de Relações Sindicais da Chesf e supervisor dos Projetos de Responsabilidade Social nos Empreendimentos de Geração da Chesf, a melhor as opção para a questão energética regional é manter a Chesf pública, com um conselho que defina a partição dos seus recursos. “Há coisas que não podem nem devem ser privatizadas e energia elétrica, que é uma questão de soberania nacional, é uma delas”, afirmou.

Para ilustrar sua posição, Aguiar lançou a seguinte hipótese: “Imaginem um investidor estrangeiro adquirir a Chesf e, como é hábito e natural para as populações ribeirinhas, alguém instalar uma tomada para puxar água do Rio São Francisco a fim de irrigar sua plantação. Será que esse empresário vai permitir? é claro que ele vai afirmar que a exploração do rio é exclusiva dele e que essa água dissipada implica na redução da vazão das usinas que ele administra”. A título de consolo para a plateia, o engenheiro terminou assim sua apresentação: “Acredito que eles não vão conseguir privatizar nosso sistema energético, não por outra razão, mas por serem incompetentes”.

O Fórum Brasil prossegue com uma palestra a cada mês, já estando definida a de novembro que vai abordar “O papel das mídias”. Para a coordenadora do Instituto do Futuro, Maria de Jesus, ouvir quem está pensando o Brasil e o que fazer depois da crise é o propósito dessa iniciativa, que se realiza no auditório da Biblioteca central da UFPE e é aberto ao público. Ao final da programação, o conteúdo das palestras será disponibilizado no portal da UFPE.

Confira o vídeo sobre o evento, produzido pela Pró-Reitoria de Comunicação, Informação e Tecnologia da Informação (Procit).

 

 

Data da última modificação: 23/10/2017, 15:24