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Posição prona é importante aliada para pacientes com a Covid-19 no HC

Procedimento foi recomendado, em março, pela OMS para pacientes com Covid-19 em Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)

Pacientes de bruços nos leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e da enfermaria no Hospital das Clínicas da UFPE e em muitas outras unidades de saúde do Brasil e do mundo se tornaram comuns no tratamento da Covid-19. A técnica tem nome: posição prona. Ela melhora a função dos pulmões dos pacientes com insuficiência respiratória. O HC é unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

Foto: Divulgação

No HC, seis profissionais atuam na realização da manobra

O procedimento foi recomendado, em março, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para pacientes com Covid-19 em Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e é utilizada desde os anos 1970, com maior expansão a partir de meados da década de 1980. “Os pulmões são muito acometidos pela Covid-19. Na posição prona (de bruços), há melhora dos parâmetros respiratórios, facilitando a abertura de alvéolos pulmonares que não participavam da respiração em posição supina (dorso), proporcionando melhores trocas gasosas”, afirma a chefe da UTI geral do HC, Michele Godoy.

A médica intensivista Vanessa Borba explica que a técnica tem surtido efeito aplicada de forma precoce (nas primeiras 48 horas de insuficiência respiratória), melhorando a condição do paciente e, consequentemente, reduzindo a taxa de mortalidade. Também tem sido realizada em pessoas com dificuldades respiratórias, mas que ainda não estão utilizando a ventilação mecânica. “A literatura científica já consagra a pronação com o uso de respiradores mecânicos. No contexto da Covid, temos notado também os benefícios dela em pacientes que não estão no respirador”, comenta Vanessa. Na Enfermaria de Covid-19 do HC, a técnica está sendo utilizada também.

Além de ser realizada nas primeiras 48 horas da insuficiência respiratória do paciente, a pronação deve ser feita durante as 48 horas subsequentes por 17 ou 18 horas por dia, com avaliação da condição do paciente, além de técnicas pré e pós-prona. Há contraindicações para a pronação em pessoas com instabilidade hemodinâmica, com pressão intra-abdominal alta e com lesões no peito, entre outros.

A posição prona promove modificações fisiológicas na distribuição do ar pelo pulmão e na dinâmica do tórax que resultam em menor estresse e tensão sobre o pulmão e uma maior conexão entre a ventilação e o sangue que passa pelos pulmões. “A melhora da oxigenação contribui para a redução do tempo sob ventilação mecânica e, consequentemente, pode reduzir o risco de morte do paciente. Contudo, o próprio procedimento envolve riscos e, para haver a indicação da prona, o paciente precisa se enquadrar em critérios em que os benefícios superam os riscos. Para isso, ele é previamente avaliado por uma série de parâmetros e se após adotada a correta Estratégia Ventilatória Protetora e realizado os ajustes possíveis da ventilação mecânica ele não melhorar, a prona é indicada e realizada num trabalho integrado de toda a equipe”, explica a fisioterapeuta Fabianne Novaes.

Uma vez em prona, o paciente segue monitorado e também sob assistência fisioterapêutica. “Testes avaliam a cada 4 ou 6 horas os índices de trocas gasosas. A cabeça e os membros superiores são mudados de posição a cada duas horas e os coxins (almofadas) também são trocados de lugar nos membros inferiores para evitar lesões por pressão”, completa Fabianne Novaes.

EQUIPE TREINADA – Para a realização da manobra para a posição prona é preciso ter uma equipe de assistência treinada e capacitada para realizar com exatidão todos os procedimentos. “Estamos em treinamento constante, tanto aprimorando a técnica quanto capacitando mais profissionais (cerca de 150 foram treinados). Pelo menos, cinco são necessários nessa operação. No HC, utilizamos seis: um fica para os ajustes na cabeça do paciente, dois ficam de cada lado da cama e o sexto profissional é responsável pelo check-list de todos os procedimentos e por monitorar os sinais vitais do paciente. É uma manobra que exige técnica e habilidade e em que não pode haver falha”, explica a enfermeira intensivista Patrícia Magalhães.

“No contexto da Covid-19, a frequência com que realizamos a pronação aumentou muito dada a necessidade de melhorar a capacidade respiratória dos pacientes. Em condições normais, o perfil dos nossos pacientes (pós-cirúrgicos, em sua maioria) não exigia essa demanda tão frequente da equipe”, completa.

Data da última modificação: 02/06/2020, 15:02