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Inaugurado Geossítio K-Pg Mina Poty, que tem parceria da UFPE

A área, de 6,5 hectares, está organizada em quatro exposições permanentes, cada uma com painéis explicativos com informações científicas

Por Ana Célia de Sá

Pernambuco ganha o primeiro sítio geológico aberto à visitação e em área privada da América do Sul que contém registros da queda do meteoro que marcou o fim da era dos dinossauros. Trata-se do Geossítio K-Pg Mina Poty, inaugurado ontem (7) na unidade do Grupo Votorantim localizada no município de Paulista, no Grande Recife. A iniciativa tem parceria científica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Fotos: Passarinho

Local, inicialmente, está voltado a visitações científicas e educativas
em níveis de graduação e pós-graduação

O geossítio traz afloramentos de rochas, nos quais os visitantes podem ver o material e entender a estratigrafia dele, com visualização das camadas rochosas mais antigas às mais recentes. A área, de 6,5 hectares, está organizada em quatro exposições permanentes, cada uma com painéis explicativos com informações científicas. No local, está o registro da queda, ocorrida no Golfo do México, de um meteoro associado à extinção dos dinossauros, no chamado Limite K-Pg, que demarca o fim do período Cretáceo (K) e o início do Paleógeno (Pg), há aproximadamente 65 milhões de anos. 

“A gente destaca bem qual é o limite, ou seja, qual é essa camada de rocha onde está registrada a queda de um meteoro, e isso foi feito através de correlações de irídio, que é um elemento químico que praticamente não existe na crosta da Terra, e outros elementos muito técnicos, que devem ser mais detalhados em microscópio”, explicou Rodrigo Sansonowski, gerente de Direito Mineral Corporativo do Grupo Votorantim e responsável pelo projeto do geossítio na empresa.

O local, inicialmente, está voltado a visitações científicas e educativas em níveis de graduação e pós-graduação – há perspectiva de que o espaço receba também a comunidade local. Os focos são o desenvolvimento de estudos, principalmente nas áreas de Geologia, Paleontologia e Biologia, e a realização de aulas de campo, que qualificam a formação dos estudantes. O agendamento deve ser feito conforme especificado no site do Grupo Votorantim na aba Sustentabilidade – Geossítio K-Pg Mina Poty.

Parceira da iniciativa, a UFPE tem cooperado em termos de pesquisa e ensino. “Nós temos atuado principalmente na área da Paleontologia porque esse geossítio, a Mina Poty, tem várias evidências desse evento catastrófico que gerou o final de uma era e o início da nova era. Então, são evidências de rocha, evidências geoquímicas e evidências paleontológicas também”, afirmou a professora Alcina Barreto, do Departamento de Geologia da UFPE, uma das representantes da Universidade no projeto.


Vice-reitora destaca parceria científica entre a empresa e a UFPE

“É um privilégio muito grande para a UFPE estar participando dessa parceria, junto com a Votorantim, na instalação de um geossítio numa condição muito boa, que permite visitações e desenvolvimento de pesquisas”, destacou a vice-reitora Florisbela Campos, durante a inauguração. “É um trabalho efetivo do Grupo Votorantim, da UFPE, do Ministério Público e de outros parceiros”, reforçou. 

ACHADOS – Os registros deixados pelo impacto de um meteoro responsável por uma extinção em massa da vida na Terra (no Limite K-Pg), que gerou também um tsunami, foram encontrados, na Mina Poty, em 1993, pelo geólogo da Petrobras Gilberto Albertão, durante a realização do seu curso de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (MG), sob a orientação do professor Paulo Martins. Para Albertão, a importância deste geossítio ultrapassa o trabalho científico desenvolvido por ele. Agora, a área torna-se um local de referência para visitação da comunidade acadêmica e amplia o desenvolvimento da ciência. “A gente vai ter a garantia de que vai ter a continuidade da manutenção adequada dessas exposições e também a possibilidade de ter o desenvolvimento dos estudos que vão se seguir”, disse ele. 

Vale lembrar que, antes do trabalho desenvolvido por Gilberto Albertão, a Mina Poty vinha sendo estudada sob outros vieses científicos por professores, pesquisadores e estudantes da UFPE, desde meados do século XX. No local, já foram descobertos fósseis de répteis marinhos, como mosassauros, do período Cretáceo (Era Mesozoica), e crocodilos e tartarugas, que viveram no período Paleógeno (Era Cenozoica). 

Os trabalhos relativos à estruturação do Geossítio K-Pg Mina Poty começaram em 2014. Foram realizados projetos, estudos e parcerias que viabilizaram a abertura do sítio geológico dentro do terreno da Mina Poty, a qual continua com atividades de mineração, mas teve o seu projeto de lavra alterado para preservar os 6,5 hectares que compõem o geossítio, como parte das ações de sustentabilidade da empresa. 

 

Data da última modificação: 09/11/2018, 11:26