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Exposição Refugo reúne paisagens imaginárias de Guto Barros

Esta é a primeira vez que as colagens do artista serão apresentadas ao público

Da assessoria do evento

Em um cotidiano que acaba exigindo cada dia mais - desempenho, velocidade, comunicação -, onde o tempo parece ficar comprimido frente às crescentes demandas, cada indivíduo procura um refúgio, um lugar seguro de escape, onde o não-pensar possibilite um desacelerar, uma oxigenação que alimente e revigore os processos de existência e criação. Foi nesse espaço que o artista contemporâneo Guto Barros, doutorando em Design pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), dedicou-se à produção de colagens, agora selecionadas e reunidas na exposição “Refugo”, que será aberta ao público na terça-feira (18), às 19h, no ZV Tattoo e Galeria, que fica na Galeria Joana D'Arc, no Pina.

Em “Refugo”, que conta com curadoria da artista visual e arteterapeuta Camila Sobreira e do artista visual e tatuador Nando Zevê, o público irá conhecer cerca de 60 obras. As colagens, criadas por Guto entre 2016 e 2019, estarão lado a lado com projetos tatuáveis, adaptações da arte abstrata encontrada no trabalho de Barros, promovendo aí o diálogo da tatuagem como linguagem das artes visuais - proposta do ZV Tattoo e Galeria.

Apaixonado pelos grandes murais, telas e painéis, Augusto foi buscar nas colagens as pequenas dimensões que lhe desafiaram o criar. Sua matéria prima era o que sobrava de material e pensamento. Escritor de graffiti, mestre em Teoria da Arte, professor de História e Teoria da Arte e doutorando em Design, profundamente marcado pela vivência acadêmica, Guto encontrou nos procedimentos técnicos as ferramentas para o seu processo criativo do escape, do não-pensar.

Ao mesmo tempo caótico e metódico, Augusto coleciona recortes de jornais e revistas - devidamente catalogados - onde sobrepõe imagens e experiências do inconsciente, produzindo o que hoje considera serem paisagens imaginárias. "O meu trabalho abstrato, já há alguns anos, tem essa vontade de ser mapa, de ser paisagem, por conta da minha relação com as minhas experiências de cidade, das minhas andadas, da minha vontade de fazer grafitti. E eu gosto de imaginar espaços quando estou fazendo as minhas obras. Essas colagens remetem um pouco a caminho, pavimento, rotas. A paisagem remete um pouco à fuga, a sair dessa realidade e construir paisagens, mapas imaginários, relações imaginárias, e isso vai se alimentando", conta.

TATTOO – A tatuagem entrou como linguagem do processo artístico de Augusto a partir do desejo de explorar o corpo enquanto território, plataforma de mapeamento e percepção dos espaços. “Os situacionistas propunham construir mapas de acordo com a realidade percebida por cada indivíduo e desejo muito conseguir traduzir esse tipo de experiência na tattoo”, diz Barros, que começou a trabalhar na pele enquanto suporte para a criação artística no final de 2017.

Para “Refugo”, o artista encarou ainda o desafio de adaptar o seu trabalho abstrato para a pele. As obras foram redesenhadas, a partir das colagens, pensando nas especificidades do corpo. “A abstração do meu trabalho, na colagem, exige uma adaptação para a tattoo. Tem elementos dessas imagens que têm a ver com a textura do papel, com a tela branca, e precisam ser adaptados para acompanhar a cor da pele, o desenho do corpo, o espaço onde vai ser aplicado", explica Guto.

“Refugo” ficará aberta ao público até 18 de agosto, e o acesso é aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 14h às 21h. Quem se interessar em tatuar alguma das obras da exposição deve agendar com o artista pelo e-mail barrossguto@gmail.com.


 

Data da última modificação: 12/06/2019, 17:48