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Aulas no modo remoto exigem alguns ajustes na prática de alunos e professores

O Semestre Suplementar (2020.3) oferta a 25.085 estudantes um total de 2.259 disciplinas distribuídas em 2.937 turmas, que envolvem 1.906 docentes

Por Renata Reynaldo
 
O desafio da relação ensino/aprendizagem por si só já justifica milhares de disciplinas e embates acadêmicos a esse respeito presentes nas universidades mundo afora. Agora, imagine adicionar a essa complexidade um ingrediente ainda não muito popularizado, sobretudo no contexto formal do Ensino Superior, como a modalidade remota de transmissão de conhecimento, ou seja, as aulas virtuais. Pois é justamente nessa vibe que 25.085 alunos e 1.906 docentes da UFPE vão encarar a volta às aulas neste atípico semestre 2020.3. Devido à pandemia, o período letivo será oferecido de maneira não presencial, a partir de aplicativos da web, iniciando-se hoje (24).
 
Mas, diferentemente do que este enunciado sugere, embora o novo momento exija mais versatilidade e resiliência, as dicas de alguns especialistas para enfrentar a situação não diferem muito dos conselhos para quaisquer modalidades de aulas. “Aos/as alunos/as eu recomendo que se sintam à vontade para instrumentalizar os/as professores/as a fim de alcançar seus propósitos acadêmicos”, afirma o professor Luciano Meira, do Departamento de Psicologia da Universidade, que vai oferecer neste semestre extra a disciplina eletiva Psicologia e Inovação, no âmbito da atividade de Projeto de Desenvolvimento (Projetão), que se conecta com o Centro de Informática (CIn) e o Departamento de Design, do Centro de Artes e Comunicação (CAC).
 
Segundo Meira, tanto o estudante quanto o professor precisam, “sobretudo nas aulas virtuais”, fazer indagações a fim de proporcionar ambientes que promovam a geração de questões socialmente relevantes. “Em lugar de assumir o papel de quem absorve conhecimento, o novo estudante e o novo docente devem se empenhar em fazer perguntas, muitas perguntas, para atrair respostas inovadoras”, afirma. Agora, especificamente para a modalidade remota, o professor defende que os alunos e alunas sejam colocados para fazer atividades, pois “por meio da web, pode ficar mais evidente a passividade de alguns estudantes e, para driblar essa realidade, sugiro que sejam postos desafios práticos a fim de mobilizá-los”.
 
Outra dica de Meira é para que o alunado, ainda que conectado apenas virtualmente, seja estimulado a se agrupar. “Todos nossos alunos já interagem entre si pelo WhatsApp, e incentivar tarefas em grupo, mesmo durante as aulas, vai ajudar a quebrar a falta de corporeidade que a web impõe”, enfatiza. Na mesma tônica dos vínculos pessoais, o professor entende que o mundo digital afasta as pessoas, daí a necessidade de se criar mecanismos de acolhimento. Para ele, “o diálogo é o fundamento básico da aprendizagem; então devemos evitar a tela preta, sem que o aluno apareça como ele é, com sua voz, e priorizar a interface ao vivo que gera mais empatia e confiança. Essa estratégia leva a bons resultados intelectuais”.
 
Receptividade e Compromisso
 
A professora Kátia Cunha, do Núcleo de Formação Docente do Centro Acadêmico do Agreste (CAA-UFPE) e diretora de Gestão Acadêmica da Universidade, dá suas dicas para alunos e professores, e alerta: “A postura mais adequada para toda a comunidade acadêmica neste momento é a de comprometimento com o processo e receptividade para o novo”.
 
- Os ambientes virtuais onde ocorrem as aulas são de natureza acadêmica, e exigem o mesmo comprometimento necessário às atividades letivas presenciais;
- Preparar o que for necessário, até mesmo o ambiente em que se permanecerá durante o encontro virtual;
- É fundamental prezar pela pontualidade e pela regularidade; daí a importância de se organizar com antecedência para as aulas;
- Realizar as atividades propostas; estudar os textos indicados; e
- Elencar as perguntas e as dificuldades encontradas para procurar ajuda no momento de aula ou nos fóruns e chats.
Data da última modificação: 24/08/2020, 13:54