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Artigo com profissionais do HC é publicado em jornal científico internacional

Estudo traça o perfil de pacientes com a Doença Inflamatória Intestinal em Pernambuco

O artigo científico “Clinical and Epidemiological Characteristics of Patients with Intestinal Inflammatory Disease in Pernambuco, Northeast of Brazil" (Características Clínicas e Epidemiológicas de Pacientes com Doença Inflamatória Intestinal em Pernambuco, Nordeste do Brasil) foi publicado no Journal of Gastroenterology and Hepatology Research, no último dia 21.

O estudo, realizado por profissionais do Hospital das Clínicas, da UFPE (Departamento de Patologia e Centro de Ciências Médicas) e do Instituto Aggeu Magalhães/Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz PE), avaliou 220 pacientes do ambulatório especializado do hospital-escola, que é unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

A Doença Inflamatória Intestinal (DII) é uma condição autoimune inflamatória crônica, que tem acometido cada vez mais um grande número de brasileiros, causada pela desregulação imunológica, provocada por fatores ambientais, genéticos e imunológicos. “Essa doença é bem documentada na Europa e nos Estados Unidos, mas não ainda no Brasil e, em especial, no Nordeste. No ambulatório do HC, temos notado uma grande demanda de pessoas que sofrem com a doença”, explica o médico do HC e professor da UFPE Carlos Brito, , um dos autores do artigo, que também é assinado por Valéria Martinelli (coordenadora do Ambulatório de DII no HC), Renan Gomes, Ana Lúcia Domingues, Norma Jucá, Marina Brito e Norma Licínio-Silva.

O estudo analisou os dados demográficos, sociais e clínicos de pacientes em acompanhamento ambulatorial no HC, coletados de janeiro de 2011 a março de 2012. Dos 220 pacientes com DII avaliados, 65% apresentavam colite ulcerativa idiopática; 32,7% apresentavam Doença de Crohn; e 2,3% apresentavam colite indeterminada. Essas doenças não têm cura, mas são controladas com medicamentos e tratamentos (como a Terapia Biológica) que reduzem a inflamação intestinal.

“Notamos a preponderância das formas mais extensas de colite ulcerativa idiopática e das formas mais complicadas da Doença de Crohn causada por diagnósticos tardios, seja porque os sintomas intestinais são minimizados pelos pacientes e tratados por fórmulas caseiras ou com automedicação; seja porque essas pessoas têm dificuldade de acessar o serviço de saúde; seja porque ainda há a dificuldade de realizar os exames que diagnosticam a doença”, analisa Carlos Brito.

O estudo detectou que o tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico da DII foi de dois anos e quatro meses, em média. Os procedimentos cirúrgicos devido a complicações ou intratabilidade clínica ocorreram em 34,7% dos pacientes com Doença de Crohn e 5,6% naqueles com colite ulcerativa. Os sintomas são dores abdominais, diarreia, constipação, presença de sangue e muco (catarro) nas fezes, perda de peso e anemia, entre outros.

A depender dos sintomas e da avaliação do médico, exames de sangue e fezes, endoscopia digestiva alta e colonoscopia, tomografia ou ressonância magnética do abdome podem ser necessários para fechar o diagnóstico.

Neste momento, o HC coordena um novo estudo multicêntrico com pesquisadores da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais.

Data da última modificação: 29/06/2020, 14:43