Interatividade em tempo real

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05-03-2012.DP.DIVIRTA2000

Estado está capacitando professores para usarem programa de computador em 3D na sala de aula

O sol brilhava forte do lado de fora do auditório da Escola Almirante Soares Dutra, em Santo Amaro. Mas ninguém estava disposto a ir embora. Um grupo de 160 professores do ensino médio foi escolhido para dar o primeiro passo dos cursos de capacitação em tecnologia 3D, que chegarão a 300 escolas ligadas à Secretaria Estadual de Educação, até o final de março. A ação faz parte do projeto Educação Integral, do Pacto pela Educação, implantado pelo governo do estado, com aporte total de R$ 9 milhões. O primeiro encontro foi direcionado a docentes de geografia, química e biologia. No próximo sábado, as oficinas serão para quem leciona robótica, física e matemática.

“Vamos mudar a cara da educação em Pernambuco. Não basta apenas dar os equipamentos aos professores, é preciso motivá-los, valorizá-los, para melhorar a forma do aluno aprender hoje”, ressalta Anderson Gomes, secretário estadual de Educação. Para auxiliar nesta mudança, foi adquirido um programa de computador criado pela P3D, empresa com sede em São Paulo, especializada em softwares educativos em três dimensões e realidade virtual. Com origem na Universidade de São Paulo (USP), a empresa atua em mais de 20 países.

O programa é capaz de promover uma “sessão de imersão” em figuras e objetos como mapas, esqueletos, a tabela periódica, possibilitando ao usuário mexer nas imagens, girar (rotacionar), ver por novos e inusitados ângulos. O software já é utilizado em mais de 500 escolas públicas e privadas de todo o Brasil.“A tecnologia tem que ser fácil. É preciso usar apenas quatro botões para navegar no programa. O professor pode escrever sobre o objeto e salvar o slide ou criar um vídeo, propondo um novo contexto, escolhendo o caminho que a aula deve tomar”, detalha Jane Vieira, fundadora da P3D, que coordenou a equipe de treinamento, composta por professores e doutorandos de universidades pernambucanas (UFPE/ UPE/ UFRPE).

“É a interatividade em tempo real. O impacto visual aumenta o poder de retenção da informação, existem pesquisas comprovando isso”, compara ela. Animais, plantas, o sistema solar, as fases da lua, o globo terrestre, fenômenos naturais como tsunami, são inúmeras as possibilidades do programa da P3D, que precisa de poucos elementos para ser rodado: um projetor, um computador e um mouse. O concurso, que ficará com inscrições abertas de 15 de março a 15 de junho, irá premiar 40 projetos que utilizem o software da P3D. Os vencedores receberão 15 Ipads (para os professores) e 25 Ipods Nano (para os alunos). O resultado deve ser divulgado ainda em junho.

Saiba mais

Realidade virtual // Corpo humano, a terra, tartaruga , tabela periódica e muitos outros assuntos podem ser, além de acessados, “mexidos” virtualmente pelos estudantes

Preparo em dobro

“A mente dos meninos funciona num tempo muito dinâmico”, opina a professora Minancy Gomes de Oliveira, 45 anos, desde os 19 acostumada à rotina em sala de aula. Para a docente, cursos como o do último sábado são mais do que necessários para estar em dia com o aprendizado dos alunos. “A sociedade pede por isso, é preciso estar de acordo com uma época de tecnologia extremamente avançada. Os estudantes usam o computador o tempo todo, na lan house, na escola, em casa”, enumera.

A professora, que cuida de 13 turmas, com 45 a 48 estudantes cada uma, no Ginásio Pernambucano, escola-modelo localizada à Rua da Aurora, no Bairro do Recife, ressalta que algo interativo dá mais possibilidades de se trabalhar com os alunos. Na visão de Minancy, para ensinar tendo o computador como ferramenta é preciso um preparo dobrado. “Você deve dominar a parte da pedagogia didática e ainda o objeto trabalhado para não se perder nem desestimular o aluno”, pondera ela, lembrando que o ideal seria existir um microcomputador para cada dois estudantes. “Quem tá mais próximo do mouse e do teclado, domina”, avalia.