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Universidade-Indústria

Publicado no Jornal do Commercio, no dia 23 de dezembro de 2017

Por Anísio Brasileiro

Em nossa gestão vem se construindo uma agenda de parcerias estratégicas entre a UFPE e a sociedade, com foco em um projeto de desenvolvimento para o Nordeste, que gere emprego, seja inclusivo e contribua para a cidadania. Para subsidiar esse projeto, estivemos na Bélgica a fim de conhecer a experiência adotada na região da Valônia, tendo a cidade de Liège como referência. Desde 1999, o plano denominado “Plan Marshall 4.0” vem sendo implantado, com um fio condutor em torno de cinco eixos: formação do capital humano; desenvolvimento da indústria de base tecnológica avançada; requalificação do território a ser dotado de boa infraestrutura técnica; adoção de tecnologias baseadas em energia solar e eólica e foco na inovação digital.

Recursos financeiros públicos e privados estão sendo alocados, oriundos do governo regional, Europa e empresas da região. O projeto integra empresas, universidades e governos. A coordenação geral e de cada um dos cinco eixos é exercida por uma dupla, na qual o titular representa a indústria e o adjunto representa a universidade. O governo da Valônia instituiu um planejamento territorial e econômico baseado em “polos de competitividade”. A iniciativa surgiu como reação estratégica contra o declínio da antiga base industrial, o que levou, desde 1997, a sucessivas rodadas do programa “Plan Marshall”, que rememora o ressurgimento econômico da Europa depois da II Guerra Mundial. A estratégia – com peso na pesquisa e na qualificação de capital intelectual – partiu da análise de potenciais econômicos novos que permitissem à região modernizar sua economia.

Em virtude dos avanços de P&D identificados, foram escolhidos os polos de competitividade: Biotecnologia; Tecnologia Ambiental; Logística; Mecatrônica e Aeronáutica; e Alimentos. Como resultado, foram criadas pequenas e médias empresas de alto nível tecnológico e competitividade internacional, com geração de emprego e melhoria das condições de vida. Tudo complementado com novos investimentos em infraestruturas, de forma a facilitar a mobilidade. Que ensinamentos temos para o Brasil e o NE? Para terem efetividade, planos devem ser consistentes com a realidade que objetivam alterar, em especial os de longa duração. Mas está claro que conhecer experiências internacionais é essencial, como também conhecer mecanismos de gestão das fontes privadas de recursos.

Anísio Brasileiro é reitor da UFPE

Data da última modificação: 09/07/2019, 10:48