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Universidade e cordialidade

Sílvio Romero de Barros Marques
silvio.marques@ufpe.br Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

Em recente processo eleitoral, trabalhamos de forma contínua e intensa na construção de um novo modelo de gestão para a UFPE, pois esta é a grande expectativa dos campi, centros, órgãos suplementares, núcleos e departamentos. Visitamos de forma exaustiva todos os setores de atividades no Recife, Vitória de Santo Antão e Caruaru. Ouvimos com atenção, técnicos, alunos e docentes, registrando os apelos por uma Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ágil, moderna, com processos flexíveis, fluxos de controles acadêmicos e progressões funcionais rápidas. Juntos e cercados de confiabilidade e segurança. Neste universo de aproximadamente 44 mil pessoas, com orçamento superior ao de muitos municípios importantes da União, faz-se necessária a implantação de uma verdadeira revolução tecnológica. A comunicação e a informação surgem como elementos de suporte para ações administrativas, técnicas, científicas, e de segurança.

Nesta universidade, homens e mulheres, jovens em sua maioria, desejam ser ouvidos. Pretendem encontrar e conhecer os seus gestores. Exigem ser respeitados em seus anseios e dúvidas e esforçam-se para se apropriarem de conhecimentos que os qualifiquem para enfrentar o mundo moderno interagindo com a sociedade. São homens e mulheres cordiais. Este povo, definido por Sergio Buarque de Holanda através da imagem do "homem cordial", não é necessariamente dócil ou gentil. São seres de sentimento, de espírito aberto, cujo desprendimento permite expor seus objetivos e compartilhá-los com o próximo, ainda que seja um desconhecido, ou que identifiquem apenas alguns traços da sua personalidade. Desejam protagonizar os grandes movimentos sociais, não se contentam com papéis coadjuvantes. Homens e mulheres cordiais estão por toda parte no Brasil, nesta e em outras universidades.

Em demorados encontros nas diversas áreas, grupos de pesquisa, laboratórios e coordenações dos diversos cursos da UFPE, recebemos pleitos por uma universidade humanizada, privilegiando o convívio e o entendimento. Neste sentido obras físicas são necessárias com o objetivo de adequar os campi à sua principal finalidade: de bem acolher os seus usuários, estudantes, técnicos e professores. No entanto nada será possível realizar sem que estes três segmentos se comuniquem em tempo real.

Os brasileiros cordiais são frequentadores das redes sociais e já representam 34% deste público em todo o mundo. A universidade tem obrigação de prover os seus locais de trabalho com tecnologia capaz de responder com celeridade às solicitações em diversos níveis. Através da web é possível acompanhar obras, conhecer projetos e localizar dificuldades nos processos e licitações. Da mesma forma deverá ser possível acompanhar uma reforma abrangente do Estatuto da Universidade, os movimentos da gestão e a sua governabilidade. Só a transversalidade de uma política de comunicação e informação poderá fortalecer e sustentar um projeto desta natureza. Maturá-lo e finalizá-lo em seus detalhes é nossa obrigação.

Vivemos a provocação dos desafios, desde a recuperação do intrincado complexo onde gravitam o Núcleo de Tecnologia da Informação, as Rádios e TV Universitárias, a Ascom, a Biblioteca Central e a Editora, até a conclusão das obras onde investimentos são obrigatórios na compra de equipamentos e nos recursos humanos. A defesa do caráter público, gratuito e laico desta instituição é fundamental para alcançarmos estes objetivos.

Sílvio Romero de Barros Marques é vice-reitor da UFPE

Artigo publicado no Jornal do Commercio de 7 de fevereiro de 2012
Data da última modificação: 27/10/2016, 14:17