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UFPE e sociedade I

Publicado no Jornal do Commercio, no dia 24 de novembro de 2018

Anísio Brasileiro e Ana Cristina Fernandes

Recentemente, publicamos nesse espaço artigos sobre as perspectivas de inovação acadêmica com a implantação do Campus da UFPE em Goiana. Voltamos novamente a esse projeto, pois ele abre oportunidades para uma nova forma de ensino superior, pesquisa e extensão, integrada ao contexto socioeconômico local e conectada a fluxos globais de conhecimento. Mencionamos as premissas que inspiram o projeto: a construção de um centro de produção de conhecimento avançado e de formação de profissionais dotados de habilidades e senso crítico, necessários à investigação de sua realidade e desenvolvimento de soluções para problemas concretos. Tais premissas pressupõem estímulos à interdisciplinaridade, criatividade e interação com a sociedade, habilitando estudantes a atuar no campo das inovações tecnológicas.

Nesta perspectiva, as áreas de concentração consideradas centrais no projeto do Campus Goiana de Tecnologias Avançadas – a ser discutido e validado pelos atores envolvidos – incluem as Ciências Exatas, as Ciências do Território (orientadas pela abordagem interdisciplinar que articula ciências ambientais e gestão do território aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e da Ciência Farmacêutica. Tal seleção expressa orientação conectada a trajetórias tecnológicas em curso, no plano internacional, as quais a UFPE está atenta, embora não se feche, obviamente, a outras demandas levantadas por atores locais.

Métodos de ensino-aprendizagem que contemplem trabalho em equipes multidisciplinares, em estreita cooperação com entidades dos setores público e privado, são condições fundamentais para que a implantação desse campus se destaque como uma experiência relevante não apenas para a economia de sua região, mas também de todo o país. O diálogo requer, entretanto, uma visão compartilhada sobre mecanismos que viabilizem essa aproximação entre universidade, sociedade, economia e governo. No mundo contemporâneo de transformações profundas em direção à intensificação da digitalização dos processos produtivos, com efeitos evidentes sobre a sociedade em geral e sobre a própria academia, essa aproximação se torna ainda mais fundamental.

Anísio Brasileiro é reitor da UFPE e Ana Cristina Fernandes, coordenadora de Parcerias Estratégicas da Universidade

Data da última modificação: 09/07/2019, 10:39