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UFPE e o futuro, agora

Publicado no Jornal do Commercio, no dia 24 de fevereiro de 2018

Por Anísio Brasileiro e Ana Cristina Fernandes

A magnitude e a velocidade do progresso técnico ocorrido nas últimas décadas, a partir da revolução da microeletrônica e da internet, têm afetado o modo como produzimos conhecimento, acelerando a vida útil dos produtos, a obsolescência de ocupações, em processo de substituição por algoritmos. Tal aceleração tem levantado questões sobre o padrão de formação profissional compartimentado que tem caracterizado o ensino superior no mundo, baseado na simples acumulação de conhecimento. Nesse contexto, a busca por metodologias de ensino-aprendizagem inovadoras torna-se cada vez mais necessária, de modo a dotar os futuros profissionais de habilidades e recursos que lhes permitam mobilizar novos conhecimentos e interagir com diferentes campos disciplinares, aproximando saberes distintos para identificação e resolução de problemas reais, das tecnologias digitais, inteligência artificial, robótica e automação às ciências humanas e sociais, dos novos materiais à neurociência, nanotecnologia e biotecnologia.

A formação profissional não pode mais se resumir ao acúmulo de conhecimentos específicos e datados, nem a períodos específicos da vida dos indivíduos. Cabe à universidade promover em seus estudantes hábitos de aprendizagem contínua, competências e prontidão para se tornarem ágeis aprendizes, capazes de se reinventar tantas vezes quantas forem necessárias ao longo de sua vida profissional. A UFPE está desafiada a enfrentar a construção desta nova Universidade, reinventar-se para poder melhor contribuir para a autodeterminação dos indivíduos e o desenvolvimento soberano do Brasil. Com o Projeto UFPE Futuro, afirmamos que nós aceitamos o desafio. Chegou a hora de criar cursos novos, estruturados de forma intermultitransdisciplinar, e de ocupar estrategicamente diversas localidades, com campi inovadores, integrados aos territórios em que se situam.

Com o Projeto UFPE Futuro, reafirmamos a necessidade de um modelo de universidade relevante, sendo pública, gratuita e de excelência, e inspirada pelo compromisso de responder a problemas de seu contexto local, e de participar de fluxos globais de conhecimento. Convidamos nossa comunidade acadêmica a integrar-se ao projeto e participar da articulação e da repactuação de parcerias com órgãos públicos, com a iniciativa privada e com a sociedade civil, em sintonia com as habilidades e competências que requer a sociedade do aprendizado, e com o Sistema Pernambucano de Inovação. Para a UFPE, o futuro é agora.

Anísio Brasileiro é reitor da UFPE e Ana Cristina Fernandes, coordenadora do Projeto UFPE Futuro

 

 

Data da última modificação: 09/07/2019, 10:47