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O que esperar dos candidatos?

Publicado no Jornal do Commercio no dia 13 de outubro de 2018

Anísio Brasileiro*

A universidade sópode exercer plenamente seu papel de bem formar pessoas com qualidade e visão cidadã em ambientes democráticos. A democracia também é a condição essencial para que os governantes formulemprojetosdedesenvolvimento inclusivos e solidários, colocando em prática ações bem planejadas e pactuadas com a sociedade, tendo o Estado como indutor. No próximo dia 28, os eleitoresdoBrasil decidirão entre dois projetos antagônicos, tanto pelas concepções de democracia quanto pelos projetos econômicos. Nesse contexto polarizado, é sempre aconselhável que os eleitores pautem suas escolhas a partir de uma visão mais ampla da economia de um país diverso como o Brasil. As reflexões desenvolvidas nas universidades nos levam a defender que o Estado deve exercer um papel indutor para o desenvolvimento, adotando um planejamento que promova o desenvolvimentointegradodoterritório nacional. Tal projeto de desenvolvimento precisa incentivaraeficiência sistêmicano setorprivado, combase na consolidação de agrupamentos produtivos ancorados nos potenciais regionais. É preciso implementar projetos estruturantes, capazes de impulsionar o crescimento regional, selecionados com base em planejamento territorial consistente.

Para quem observa o Brasil de forma integral, é fundamental que o futuro governo tenha capacidade de liderarumanovaondade industrialização, incluindo o beneficiamento de produtos agrícolas e minerais, especialmente no campo da bioquímica, da produção de bens de consumo básico e da garantia de segurança ambiental. É hora também de incentivar parcerias com players internacionais, por meio de projetos de crescimento e de acordos de cooperação entre regiões. Não restam dúvidas de que é essencial a promoção de uma verdadeira revolução educacional, capaz de reorientar estratégias de ensino e aprendizagem em todos os níveis escolares, com foco no empreendedorismo estruturado por meio de alianças entre o sistema educacional e o setor produtivo. Sem isso, corremos o risco de perder posições na atual transição social e tecnológica que já avança. O Brasil não pode, novamente, perder o bonde de nova revolução industrial. Nesses dias que antecedem a eleição, os candidatos têma obrigação de expor de forma clara as medidas que propõem para a sociedade. As universidades possuem papel estratégico para o desenvolvimento científico, tecnológico e socialdopaís.Espera-sedos candidatos compromissos concretos com essa agenda que está fortemente vinculada à prosperidade social.

*Anísio Brasileiro é reitor da UFPE

Data da última modificação: 20/11/2018, 15:47