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Instituto de Petróleo e Energia

Publicado no Jornal do Commercio, no dia 9 de março de 2019

Anísio Brasileiro e Paulo Lyra

O conhecimento científico que se desenvolve em universidades e institutos de pesquisa é, por essência, internacional e interdisciplinar. Ao integrar saberes acadêmicos e sociais, os institutos cumprem papel estratégico na articulação e construção de alianças entre Universidade, governos, empresas e sociedade. Desta forma, os impactos das pesquisas podem melhorar a vida das pessoas no cotidiano, atribuindo sentido à existência da universidade pública.

No Brasil e na UFPE, os institutos surgiram nos anos 1950, na passagem da Universidade voltada à formação profissional, por meio de escolas e faculdades isoladas, para a Universidade de pesquisa, quando são criados os Institutos de Nutrição, Antibióticos, Micologia, Oceanografia, Matemática e Física, e o Instituto do Homem. Essas unidades de pesquisa surgiram, em sintonia com a criação da Capes e CNPq, em um contexto de afirmação da necessidade do Brasil formar pesquisadores a fim de contribuir para o desenvolvimento do país.

Esses institutos deixaram de existir quando a reforma universitária de 1968 criou os departamentos e os centros acadêmicos tal qual temos hoje na nossa instituição. Retomar a expressão Instituto é muito importante para a afirmação da pesquisa. Pelo novo Estatuto da UFPE, o instituto é uma unidade vinculada à Reitoria com o objetivo de realizar pesquisa e inovação e atividades de ensino de pós-graduação e/ou extensão. Eles atuam em redes articuladas com centros acadêmicos e universidades, possuem uma dimensão interdisciplinar e têm uma abrangência internacional.

Esse é o caso do Instituto de Pesquisa em Petróleo e Energia a ser inaugurado na próxima terça-feira (12), reunindo mais de 80 pesquisadores em 12 laboratórios de pesquisa, com cerca de 400 pessoas em atividades de ensino, pesquisa, inovação e extensão. Ao Instituto, associam-se dois laboratórios já existentes, o Centro de Estudos e Ensaios de Riscos e Modelagem Ambiental e o Laboratório de Monitoramento Ambiental. Com recursos da ordem de R$ 76,6 milhões, esse é o maior investimento da Petrobras em um único projeto em uma universidade. 

Trata-se, portanto, de um projeto de parcerias estratégicas entre a UFPE e a Petrobras, que decidem juntar esforços e, através da pesquisa, contribuir para o desenvolvimento autônomo do Brasil. Isso possibilita uma mudança de cultura na direção da formação de alianças estratégicas entre universidades, empresas, governos e sociedade. Essas alianças podem possibilitar o fortalecimento da competência do Brasil em temas de interesse da soberania nacional, a exemplo de seus recursos naturais e minerais, condição primeira para melhorar a vida dos brasileiros.

Anísio Brasileiro é reitor da UFPE e Paulo Lyra é coordenador do Instituto de Petróleo e Energia

Data da última modificação: 09/07/2019, 10:35