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Inovação na UFPE

Por Anísio Brasileiro - pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPE
anisio.brasileiro@ufpe.br Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

Na história das sociedades o conhecimento se constitui em um capital crucial para a integração das populações às riquezas geradas pelo trabalho. O combate à desigualdade social e à exclusão passa por investimentos públicos e privados no fortalecimento da pesquisa. Uma vez que o capital humano e a inovação, aqui entendida enquanto desenvolvimento tecnológico, são fontes de crescimento econômico, é essencial fortalecer os Sistemas Nacionais de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação. O Brasil conta com um consistente Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, elaborado em 2005, pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e com instituições nacionais (CNPq, Finep, Capes) que, com as fundações de apoio à pesquisa, a exemplo da Facepe, de órgãos como a Fundação Oswaldo Cruz e a Embrapa – o colocam entre os treze países que mais publicam no mundo.

Apesar desses avanços, um grande desafio se põe ao País: a apropriação dos benefícios sociais do conhecimento. E isso só é possível se o Brasil colocar como prioridade a inovação, em particular na sua dimensão tecnológica, que permite a criação de um novo produto ou processo oferecido à população com menor custo e maior qualidade. Daí a importância de estimular a parceria Universidade-Empresa e a proteção intelectual das invenções. O Brasil tem feito esforços: são exemplos, a criação dos Fundos Setoriais (1990), a elaboração da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (1993), a criação da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (1994), a reestruturação do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (2004), as Leis de Inovação (2004), do Bem (2005) e das Micro e Pequenas Empresas (2006).

Nas universidades públicas temos feito grandes esforços para enfrentar esse desafio. Cite-se a criação da Agência de Inovação na Unicamp, da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico na UFRGS, da Inova na UFMG, da Agência de Inovação da UFSCar e da Agência USP de Inovação.

Na UFPE, data do ano 2000 a instalação e promoção do primeiro Núcleo de Inovação, para fomentar a proteção legal das criações na instituição. Posteriormente, na gestão do reitor Amaro Lins, foi reestruturado o núcleo de inovação e criada a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), para proteger e gerir a Propriedade Intelectual da UFPE, fortalecer as interações com empresas e órgãos públicos.

Esses esforços institucionais vêm sendo recompensados, pois a pesquisa na instituição vem tendo aplicações concretas, criando um ambiente favorável ao aparecimento de criações para a solução de problemas demandados pela sociedade. São exemplos as cooperações com a Petrobras, a Refinaria Abreu e Lima e o Estaleiro Atlântico Sul, que resultaram na criação de um dos mais avançados laboratórios da América Latina, para testes de equipamentos usados em poços de petróleo: o Centro de Estudos e Ensaios em Risco e Modelagem Ambiental (Ceerma). Estão ainda em elaboração os projetos dos Laboratórios de Geociências e Engenharia de Petróleo (Litpeg) e do Centro Nacional de Tecnologia de União de Materiais e Revestimentos (CNTM).

Na área da Saúde, destaca-se no Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika) o desenvolvimento de vacinas terapêuticas para doenças infecciosas. Tendo sido realizada, a partir dessa pesquisa, a primeira fase de testes clínicos em 18 pacientes, demonstrando excelentes resultados em oito pacientes acometidos por infecção pelo vírus HIV – aids e, mais recentemente, o estudo de outras vacinas terapêuticas e métodos de diagnóstico para doenças virais, como dengue e HPV, metabólicas e câncer. Temos também o Centro de Ensino e Pesquisa de Laser em Odontologia e projetos nas áreas de informática e medicina, estando hoje 100 cidades de Pernambuco ligadas por uma rede de telemedicina, para aumentar a cobertura do SUS.

No Hospital das Clínicas, destaca-se o fortalecimento do ambulatório de Oftalmologia que, através da aquisição de novos equipamentos, possibilita a realização de exames e cirurgias. Incentivos também são dados às pesquisas no setor de insumos prioritários para a saúde através do Núcleo de Inovação Terapêutica, com ênfase em fármacos e medicamentos, associando pesquisa básica e aplicada em Biologia, Farmácia, Química e Medicina. Destaca-se também a Informática, que constitui referência internacional na formação de recursos humanos e em aplicações inovadoras em hardware e software.

Sabemos que enfrentar o desafio de transformar a pesquisa em inovação como prática transformadora das realidades locais só é possível pela superação de barreiras culturais, do trabalho interdisciplinar através de redes de pesquisa e da formação de recursos humanos de qualidade. Essa é a missão que vem sendo cumprida pela UFPE no seu papel de contribuir para a justiça social.

Publicado na edição do dia 24.10.2010, na seção Artigos do Jornal do Commercio
Data da última modificação: 27/10/2016, 14:57