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Festas juninas

Por Gilson Edmar Gonçalves e Silva

A tradição das comemorações das festas de São João faz parte da cultura do povo nordestino, cada Estado com algumas peculiaridades próprias, especialmente o nosso Pernambuco. No mês de junho se reverencia três santos: Santo Antônio, São João e São Pedro. O dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro, é o 13º do mês e se caracteriza pelos pedidos feitos a ele, na véspera, pelas jovens solteiras. São várias as adivinhações, hoje denominadas simpatias. Uma delas era deixar cair os pingos de uma vela, ainda não usada, numa bacia, também nunca usada, cheia de água, esperando que se formasse o nome ou a primeira letra do nome do pretendido. Outra era enfiar uma faca virgem numa bananeira e verificar no dia seguinte se estava também escrito o nome ou a primeira letra do nome do futuro marido. Atualmente, o dia 12 de junho se transformou no Dia dos Namorados, com grande apelo comercial. Mas, a nossa grande festa é na véspera do Dia de São João, ou seja, 23 de junho. É o dia de preparar as comidas feitas com milho, como canjica, pamonha, milho cozido e, os bolos pé de moleque, de milho, de macaxeira e também o souza-leão. Tudo isto era feito em casa, num preparo para a festa, que envolvia toda a família. No final da tarde, era o momento de acender a fogueira, onde se assava o milho e, com as brasas, soltavam-se os fogos, sejam os mais simples (para as crianças, como o vulcão), os mais bonitos (como os de artifício), os mais barulhentos (como as bombas) e os que faziam medo (os rojões, que corriam atrás das pessoas, pelo deslocamento de ar).

À noite ocorriam os bailes, com música típica, como baião, forró pé de serra, e as quadrilhas improvisadas, geralmente com muitos erros dos participantes. As festas, entretanto, começavam muitos dias antes, desde o início do mês, nos colégios, nos clubes, em toda parte, com a turma fantasiada de matuto, com quadrilha bastante ensaiada, motivo de inúmeros namoros. Os colégios, como Instituto Recife, onde estudei, preparava várias danças folclóricas da época para ensinar e preservar nossa cultura: aprendia-se a quadrilha, o xaxado, o coco, entre outras. Hoje as danças são estilizadas, tão bonitas como as originais. Quando havia oportunidade íamos para o interior, para vivenciar a origem desta cultura tendo Gravatá e Caruaru sido escolhidos como os principais locais para estas comemorações. Atualmente, e é bom que isso aconteça, outras cidades estão organizando suas festas. Tenho gratas recordações do São João de Gravatá, pela alegria e pela integração com a família e com os amigos. Lá mostramos aos nossos filhos uma das mais autênticas festas populares do Nordeste.

As festas se modificaram e se modernizaram, para atrair os jovens, através de shows com artistas famosos. É interessante dar chance a vários gostos, pois uma festa popular tem que agradar a todos. Caruaru faz isto muito bem, atraindo verdadeira multidão durante todo o mês, transformando-se na Capital do Forró. Mas é bom para todos que outras oportunidades existam. Como é bonito ver o sanfoneiro e seu grupo tocando a sanfona, a zabumba e o triângulo. Em todos os recantos do nosso Estado são criados arraiais, para deleite do povo, que participa com entusiasmo e animação. A tradição era que as festas se encerrassem no dia de São Pedro, atualmente banido das comemorações por ter sido cassado o seu dia. Que bom quando chega o São João para festejarmos com comida, dança, fogueira, fogos e bombas.

* Gilson Edmar Gonçalves e Silva é vice-reitor da UFPE
Data da última modificação: 27/10/2016, 14:30