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Jornal do Commercio- Pernambuco tem cursos de Medicina nota 5 no Enamed, mas também instituições com risco de punições

Pernambuco tem cursos de Medicina nota 5 no Enamed, mas também instituições com risco de punições

Saúde e Bem-Estar 

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Pernambuco tem cursos de Medicina nota 5 no Enamed, mas também instituições com risco de punições

O resultado do primeiro Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC), revelou que cerca de 30% dos cursos de Medicina do Brasil tiveram desempenho insatisfatório, o que acende um alerta sobre a qualidade da formação médica no Brasil.

Em Pernambuco, o cenário mostra contrastes: enquanto instituições públicas e algumas privadas alcançaram notas de excelência, cursos tradicionais e de grande porte ficaram abaixo do esperado. Isso evidencia desigualdades na formação médica dentro do próprio Estado.

No País, dos 351 cursos avaliados, 107 ficaram com notas 1 e 2 e vão sofrer sanções.

O Enamed é uma prova anual aplicada pelo MEC por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para avaliar a formação médica no Brasil.

TRÊS CURSOS COM NOTA MÁXIMA

Em Pernambuco, três cursos conquistaram a nota máxima (conceito 5): a Universidade de Pernambuco (UPE), nos campi de Serra Talhada e Garanhuns, e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina. O desempenho reforça o protagonismo do interior pernambucano na formação médica e acompanha a tendência nacional de melhores resultados entre instituições públicas.

DESEMPENHO BOM

Também com avaliação positiva, no conceito 4, aparecem a Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) nos campi Recife e Caruaru, e a UPE Recife. Esses cursos foram classificados como de desempenho muito bom, acima do padrão esperado pelo MEC.

DENTRO DO MÍNIMO ESPERADO

Outras duas instituições ficaram com conceito 3, nota considerada regular e dentro do mínimo esperado: a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e a Faculdade de Medicina do Sertão, em Arcoverde, no Sertão.

TRÊS RECEBERAM CONCEITO INSATISFATÓRIO

Além disso, três instituições em Pernambuco receberam conceito 2, considerado insatisfatório: a Afya Faculdade de Ciências Médicas de Jaboatão dos Guararapes, a Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) e a Uninassau.

Cursos com esse desempenho (conceito 2) entram no grupo que pode sofrer medidas de supervisão por parte do Ministério da Educação, como restrição de vagas, suspensão de novos vestibulares e exigência de planos de melhoria.

RESPOSTAS

Em nota, a Afya informou que está acompanhando a divulgação dos resultados do exame. “Análises de instituições de todo o país indicam divergência de dados, entre os que foram reportados como insumos, em dezembro passado, em relação ao número de estudantes proficientes de seus cursos, e os divulgados hoje. Diante disso, o grupo aguarda esclarecimentos técnicos por parte do MEC e do Inep antes de se manifestar de forma conclusiva sobre os números apresentados”, comunicou a instituição.

Já a Uninassau, também em nota, disse que “manifesta preocupação com a forma como foi conduzida a primeira edição do Enamed”. Para a faculdade, “as condições de nota, os critérios de desempenho e os efeitos regulatórios e punitivos do exame foram divulgados após a realização da prova, sem regime de transição e sem tempo hábil para que as instituições orientas sem seus estudantes”.

Além disso, a Uninassau diz que o Enamed “rompe com a lógica formativa adotada em avaliações nacionais anteriores, criando novas faixas para atribuição do conceito. Esse descompasso indica um viés punitivo, com potenciais impactos severos sobre cursos e estudantes, sem regulamentação pública transparente”.

A nota da Uninassau acrescenta ainda que “defende a avaliação da formação médica, porém, ela precisa ser técnica, previsível e orientada à melhoria do ensino, não à penalização institucional”.

INTERIOR EM DESTAQUE

Em Pernambuco, chama atenção o desempenho dos campi localizados fora da Região Metropolitana do Recife. As notas máximas obtidas em Serra Talhada, Garanhuns e Petrolina reforçam o papel das universidades públicas no processo de interiorização do ensino superior e da formação de profissionais de saúde.

AVALIAÇÃO NOVA

O Enamed substituiu o Enade especificamente para os cursos de Medicina e tem como objetivo medir se os concluintes da graduação dominam as competências e conhecimentos previstos nas Diretrizes Curriculares Nacionais.

A prova avalia conteúdos ligados à clínica médica, cirurgia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, saúde coletiva e ética profissional.

De acordo com o MEC, os resultados do exame servirão de base para políticas de regulação e supervisão dos cursos, em um contexto de forte expansão das graduações em Medicina no País, especialmente na rede privada.

PRÓXIMOS PASSOS

Os cursos que obtiveram conceitos 1 e 2 ainda poderão apresentar defesa junto ao MEC antes da adoção de medidas administrativas.

O Enamed deverá ser aplicado de forma regular nos próximos anos e poderá, futuramente, incluir avaliações em outras etapas da graduação médica.

NOTAS POR INSTITUIÇÃO

Conceito 5 (excelência)

UPE – Serra Talhada

UPE – Garanhuns

Univasf – Petrolina

Conceito 4 (muito bom)

-FPS 

UFPE – Recife

UFPE – Caruaru

UPE – Recife

Conceito 3 (regular/den tro do mínimo esperado)

Unicap

Faculdade de Medicina do Sertão – Arcoverde

Conceito 2 (insatisfatório)

Afya Jaboatão dos Guara rapes

Faculdade de Medicina de Olinda (FMO)

Uninassau 

Data da última modificação: 20/01/2026, 09:09