MODELOS DO SISTEMA GENITAL FEMININO PARA AULAS DE CIÊNCIAS

AUTORES:

Fernanda Maria de Oliveira Villarouco Professora do Departamento de Anatomia Humana do Centro de Ciências Biológicas da UFPE Danielle Cristine Almeida e Silva; Edneuza M. D. Nascimento; Lígia Ferreira de Lima; Neidjane Trajano do Nascimento;Ricardo Jorge Barbosa

Taciana Silva Rabelo de Albuquerque; Estudantes do Curso de Licenciatura em Biologia – CCB/UFPE

A morfologia, estudo da forma e estrutura do corpo humano, atravessou vários momentos durante o seu desenvolvimento. Desde a origem da humanidade o homem se interessa em conhecer tanto os seres que o cercam como a si mesmo, os gregos preocuparam-se com a origem dos seres vivos e com a zoologia e botânica descritivas, sendo seus mais importantes biólogos Anaximandros, Aristóteles e seu discípulo Teofrastos. A Medicina Ocidental tal qual a conhecemos, de caráter estritamente técnico-científico é uma herança da Grécia Antiga. O próprio símbolo da Medicina, ainda hoje utilizado, é de origem grega. Dentre os povos antigos que desenvolveram conhecimentos acerca do homem, destacou-se o povo grego, naquela época os gregos, os egípcios e os mesopotâmios, acreditavam que as doenças eram provocadas pelos deuses e a cura era uma intervenção divina. Por volta da metade do século os médicos gregos já haviam desenvolvido teorias para explicar o funcionamento do corpo humano e o mecanismo das doenças. Os princípios de higiene, alimentação e exercícios que utilizavam no tratamento dos doentes, entretanto, em grande parte são válidos até o presente. Com o tempo apuraram-se os conhecimentos básicos de anatomia, fisiologia e embriologia, em grande parte graças a não-médicos como os filósofos Aristóteles e seu discípulo Teofrastos. Ainda na Grécia antiga, no tempo de Hipócrates (460 a .C.), a palavra anatomia (a ¢ n a t o m h ¢ ) significava dissecção, sendo formada, de t o m h ¢ , corte, mais o prefixo a ¢ n a ¢ através de. Mesmo hoje, a anatomia aparece na mente de todos profundamente relacionada à dissecção, porém esta definição deve incluir todo conhecimento relacionado com as estruturas dos seres vivos. Com o passar do tempo e o avanço da civilização o homem passou a preocupar-se cada vez mais com os aspectos dos órgãos e estruturas que os constituíam, tentando sempre descobrir um pouco mais. Mais adiante a morfologia foi incluída no currículo de algumas universidades e de lá para cá passou por diversas mudanças nas suas abordagens, devido às tecnologias disponíveis. A invenção do microscópio tornou possível a visualização de estruturas impossíveis de serem vistas a olho nu e isso trouxe consigo mudanças na compreensão do corpo humano. Na atualidade, com a informática é possível observar estruturas impossíveis de serem vistas usando os meios tradicionais, e ainda contar com a associação de textos, imagens e sons. A utilização de imagens torna-se cada vez mais fascinante com a informática, figuras e fotos com movimento e em várias dimensões facilitam a compreensão. A anatomia, estudo do corpo humano, é estudada desde as primeiras séries escolares, onde a criança começa a descobrir a formação do corpo, em geral são usados desenhos que representam o Corpo Humano. A cada série é adicionado um pouco mais sobre o conhecimento do corpo, além da divisão do corpo humano, os alunos começam a estudar os sistemas que fazem parte dele e depois os órgãos que compõem os sistemas. A tecnologia auxilia tornando este aprendizado cada vez mais eficaz e mais próximo da realidade, através de modelos do corpo humano que são réplicas do real, porém este tipo de material ainda não está disponível para todos devido ao seu alto custo. Uma forma de minimizar este problema é a criação de modelos com material reciclável e/ou de baixo custo, favorecendo assim a um grande número de estudantes. Dentro da disciplina de Anatomia Humana 1 do Curso de Licenciatura em Biologia, que é um curso formador de Professores de Ciências e Biologia para o 1º e 2º graus, os alunos criam modelos dos diversos sistemas com o objetivo de facilitar o aprendizado dos estudantes de 1º grau de escolas públicas. No segundo semestre letivo de 1998 foram realizados alguns trabalhos sobre o Sistema Genital Feminino, nestes foram formulados roteiros com instruções de preparo do modelo a ser montado e um exemplar do modelo, tudo isto com base no conhecimento adquirido na disciplina e tentando reproduzir as peças reais. Para entender melhor os roteiros é preciso conhecer um pouco do Sistema. O sistema Genital Feminino é formado por órgãos internos (representados nos trabalhos) e externos, o útero, as trompas ou tubas uterinas, os ovários e a vagina fazem parte do conjunto de órgãos internos, enquanto que o conjunto das estruturas externas recebe o nome de vulva. Os ovários são responsáveis pela produção dos óvulos e de alguns hormônios, o útero é a sede da gestação, as trompas servem de caminho para os óvulos e para os espermatozóides, sendo o local onde ocorre a fecundação e a vagina apresenta condução em duas vias uma de entrada para os espermatozóides e outra de saída como porta de passagem do bebê no momento do parto. O conhecimento do corpo, da função e localização de seus órgãos é de grande importância, estando por isto desde os primeiros anos escolares dentro do programa de ciências. Aqui vamos ilustrar um pouco do Sistema Genital Feminino e ensinar a montar alguns dos modelos criados pelos estudantes da Licenciatura em Biologia do Centro de Ciências Biológicas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 1 – Órgãos internos do Sistema Genital Feminino.

 

 

 

 






 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 2 – Corte frontal dos órgãos internos do Sistema Genital Feminino.

 

 

Baseados nestes desenhos e no material observado nas aulas práticas, os alunos da Licenciatura, construíram seus modelos. Segue abaixo os roteiros para criação dos modelos do Sistema Genital Feminino. Roteiro 1 – Material Necessário: 1 cabaça pequena; 1 vela 7 dias cor de rosa; 1 madeira de 40x20cm; 60cm de equipo (de soro); 20cm de trilho (utilizado para quadro); 2 tampas transparentes (de garrafa de água mineral); 60cm de fio 12. Montagem do modelo: Faça um furo no meio da madeira e coloque o trilho como se fosse o mastro de uma bandeira, reserve este material. Introduza o fio desencapado no equipo e divida em duas partes uma com 40cm para fazer as tubas uterinas e outra com 20cm para os ovários. Pegue as tampinhas das garrafas e recorte-as formando uma franja em toda sua borda, elas servirão como extremidade das tubas uterinas. Monte as tubas uterinas juntando o equipo com o fio e em uma das extremidades coloque as tampinhas. A cabaça, que servirá como útero, deve ser serrada em duas metades e depois preenchida com parafina. Em uma dessas partes faça dois furos na parte mais larga, um de cada lado e na mesma direção, onde será encaixada as tubas uterinas direita e esquerda. Agora você já tem o esqueleto do útero e tubas. Para moldar os ovários, derreta um pouco da parafina e dê o formato oval quando ela começar a endurecer, junte-os ao equipo de 20cm que foi separado, monte com o restante do material de forma que o ovário fique um pouco abaixo das tubas uterinas e com as tampinhas próximas de uma de suas extremidades. Mergulhe todo o material em parafina para dar o acabamento e depois prenda-o com arame no trilho que foi preparado no início da montagem, desta forma seu modelo ficará preso na parte superior do trilho e assim mais visível quando for ser utilizado em aulas. Roteiro2 - Material Necessário: folha de isopor de 20mm; 1 folha de isopor de 5mm; tintas acrilex de várias cores; estilete; pincéis; gliter perolado; verniz para isopor e papel contact. Montagem do modelo: Pegue uma figura do Sistema Reprodutor Feminino, que pode ser retirada de um Atlas de Anatomia, amplie para uma cartolina e depois repasse para a folha de isopor de 20mm, com o auxílio do estilete faça o contorno do desenho, desta forma os órgão vão adquirir um pouco de relevo, pinte com tinta acrilex, envernize e coloque um pouco de gliter. Está montada a primeira etapa do modelo. Na Segunda etapa, faça no isopor de 5mm desenhos da espermatozóides na vagina, depois no útero e nas tubas uterinas. Seguindo imagens de atlas e/ou livros desenhe a fecundação do óvulo e a mórula, a blástula, fases iniciais de desenvolvimento do ser humano e o embrião. Também pode ser desenhado um útero com o feto e um útero com que represente a menstruação, todos estes materiais devem ser pintados da mesma forma que o material da primeira etapa e depois recortados e recobertos com papel contact. Este modelo pode ser utilizado para ilustrar a reprodução humana e as primeiras fases de desenvolvimento do embrião. Roteiro 3 - Material Necessário: Arame; espuma; cartolina; estilete; 1 folha de isopor de 50mm; 1 ofla de isopor de 20mm; pincel; sonda uretral nº8; tesoura; tinta de tecido nas cores vinho, cor da pele, vermelho-fogo, branca, laranja, amarelo-ouro e preta; 2 folhas de papel camurça cor-de-rosa e fita dupla face. Montagem do modelo: Como primeiro passo deve-se tirar os moldes, na cartolina, das peças a serem feitas (o útero e a vagina são desenhados juntos), depois passar estes moldes para a espuma e cortá-los com o auxílio do estilete. Agora com auxílio de um atlas, moldar as peças utilizando uma tesoura, de forma a obter uma aparência próxima do real. O material que representa o útero e a vagina devem representar os órgãos abertos, sendo sua forma interna moldada com o auxílio da tesoura. Em seguida as peças devem ser pintadas, neste modelo foram adotadas as seguintes cores: vinho para o útero; uma mistura do vermelho-fogo com branco para vagina; uma mistura de laranja e branco para as tubas uterinas; os ovários de amarelo-ouro e a vulva de cor-da-pele. Para base usamos a folha de isopor de 50mm como suporte para os órgãos e a folha de 20mm como suporte para a folha de isopor mais grossa. Este isopor deve ser coberto com o papel camurça para dar um acabamento. Todos os órgãos são presos no isopor com o auxílio da fita dupla-face e do arame e nesta fase para que haja uma melhor reprodução da posição real dos órgão é bom novamente dar uma olhada nas figuras dos atlas e livros. Foram aqui descritos 3 modelos diferentes que podem ser utilizados para aulas do Sistema Reprodutor Feminino nas turmas de 1º grau, facilitando o aprendizado e dando uma idéia dos órgãos que fazem parte deste sistema. Referências Bibliográficas: NETTER, F.H. Atlas de Anatomia Humana, Editora Artes Médicas Sul Porto Alegre, 1996 GRAY, F.R.S.H. Anatomia, 29ª ed, Editora Guanabara Koogan S.A., 1988 ROHEN, J.W.; YOKOCHI, C.; LÜTJEN, E. Atlas Fotográfico de Anatomia Sistêmica e Regional, Ed. Manole LTDA, 4ª ed. São Paulo, 1998.

 

 

Fernanda Maria de Oliveira Villarouco

Professora do Departamento de Anatomia do Centro de Ciências Biológicas/UFPE

Fone: 271.8555 e-mail: fmov@hotlink.com.br