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UFPE concede títulos de Doutor e Doutoras Honoris Causa a três líderes indígenas do Estado
A Universidade entregará os títulos ao Pajé Zequinha, a Pretinha Truká e a Francisca Kambiwá no próximo dia 17, em Pesqueira, no Agreste do Estado
A Universidade Federal de Pernambuco vai homenagear três lideranças indígenas do Estado por sua luta pelos direitos dos povos indígenas com a concessão dos títulos de Doutor e Doutoras Honoris Causa ao Pajé Zequinha (Pedro Rodrigues Bispo), a Pretinha Truká (Edilene Bezerra Pajeú) e a Francisca Kambiwá (Francisca Bezerra da Silva). A homenagem será entregue pelo reitor Alfredo Gomes às 14h do dia 17, primeiro dia da 26.ª Assembleia do Povo Xukuru do Ororubá, a ser realizada no Espaço Mandaru, na Aldeia Pedra D'Água, no Território Indígena Xukuri do Ororubá, em Pesqueira, no Agreste do Estado.
A concessão dos títulos foi aprovada pelo Conselho Universitário da UFPE, em março deste ano, e ocorrerá no evento anual que reunirá centenas de pessoas para celebrar a cultura tradicional e debater temas políticos, ambientais, de direitos humanos, da organização e gestão do território onde vivem mais de 12 mil pessoas em 24 aldeias. A assembleia, que ocorrerá de 17 a 20 de maio, será um momento de encontro e integração entre diversas etnias do Nordeste e terá como tema este ano “Limolaygo Toype: A cada Guerreira que se Levanta, nossa Luta se Fortalece”, destacando a força das mulheres indígenas na resistência e defesa do território.
Para o reitor Alfredo Gomes, “a concessão dos títulos de Doutor e Doutoras Honoris Causa ao Pajé Zequinha, a Pretinha Truká e a Francisca Kambiwá representa um dos momentos mais significativos da história recente da Universidade Federal de Pernambuco”. “Este reconhecimento expressa um compromisso ético, político e civilizatório da UFPE com os povos originários, com a memória ancestral e com os saberes historicamente silenciados por todas as formas de colonialismo e exclusão social”, afirma ele.
“Ao reconhecer essas três grandes lideranças indígenas, a Universidade reconhece também que há múltiplas formas de produzir conhecimento, educar, cuidar da vida, proteger os territórios e construir coletivamente a dignidade humana. Pajé Zequinha, Pretinha Truká e Francisca Kambiwá carregam trajetórias marcadas pela resistência, pela ancestralidade, pela luta em defesa dos direitos indígenas e pela construção de uma educação comprometida com a autonomia e a afirmação dos povos originários. Esta homenagem afirma que a universidade pública brasileira deve ser cada vez mais plural, intercultural e aberta aos saberes ancestrais que sustentam a diversidade e a riqueza do nosso país”, destaca ainda o reitor.
CURRÍCULOS – A Diretoria de Ações Afirmativas (DAA) e Núcleo de Política de Educação das Relações Étnico-Raciais (Erer) da UFPE apresentaram a proposta de título de Doutor Honoris Causa ao Pajé Zequinha, como é conhecido Pedro Rodrigues Bispo, do povo Xukuru do Ororubá. “O homenageado, nascido em 24 de novembro de 1930, na Aldeia Cana Brava, município de Pesqueira, constitui uma das figuras mais expressivas da resistência indígena contemporânea, sendo guardião das tradições e da espiritualidade do povo Xukuru do Ororubá. Sua vida e atuação traduzem a força dos saberes ancestrais que moldam a história e a identidade dos povos originários do Nordeste brasileiro”, destaca o parecer do professor Edson Hely Silva, elaborado para solicitar a concessão do título. Pajé Zequinha é reconhecido como um guardião da memória e dos saberes tradicionais, sendo depositário de um conhecimento espiritual e medicinal que transcende o âmbito local e dialoga com a universalidade do conhecimento humano
O Gabinete do Reitor encaminhou a proposta apresentada pelo povo Truká de concessão do título de Doutora Honoris Causa a Pretinha Truká, como é conhecida Edilene Bezerra Pajeú, do povo Truká. Ela possui trajetória reconhecida no movimento indígena, com atuação destacada nos campos da educação, articulação política e defesa de direitos territoriais. Iniciou sua formação acadêmica no curso de Magistério, concluído em 1994. Em 2009, ingressou na Licenciatura Intercultural Indígena da UFPE, graduando-se em 2012. Posteriormente, foi aprovada na primeira seleção para a Especialização em Educação Decolonial do IF Sertão, concluindo o curso em 2014. Desde então, tem contribuído com o colegiado da especialização, auxiliando na construção curricular e em processos de seleção voltados à formação de docentes indígenas e quilombolas. No campo da educação indígena, foi uma das fundadoras, em 1999, da Copipe. Em 2004, tornou-se a primeira mulher indígena do Brasil a denunciar formalmente violações de direitos humanos na ONU, em Genebra, na Suíça e em outros países. Foi a primeira mulher do povo Truká a exercer mandato eletivo, ao ser eleita vereadora em Cabrobó no ano de 2016.
Também foi o Gabinete do Reitor que encaminhou a proposta apresentada pelo povo Kambiwá de concessão do título de Doutora Honoris Causa a Francisca Kambiwá, como é conhecida Francisca Bezerra da Silva, do povo Kambiwá. Francisca nasceu em 4 de outubro de 1961, no território Kambiwá na Aldeia Nazário. Criada pelos avós maternos, Zeca e Mariana, no território Kambiwá, criou um forte vínculo afetivo com a comunidade, onde atuou na educação municipal de Ibimirim, na escola da Aldeia Tacho e depois na Escola Municipal Pedro Ferreira de Queiroz, onde construiu uma trajetória de vida dentro da educação do povo Kambiwá, marcada por dedicação, coragem e resistência. Formada em Magistério, iniciou uma caminhada de luta política e pedagógica ao lado de outras lideranças, por meio do Projeto Escola de Índio. O movimento resultou na criação da Copipe – Comissão dos Professores Indígenas do Estado de Pernambuco. A luta pela terra dos povos indígenas e pela educação a levou a ter participação direta, em 2009, na criação do curso de Licenciatura Intercultural Indígena da UFPE, tendo sido aluna da primeira turna.