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Folha de Pernambuco - 1975, visitando o futuro

1975, visitando o futuro

Política 

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1975, visitando o futuro 

“A cana de açúcar tão pura, se recusa, viva, a estar nua: desde cedo, saias folhudas milvestem-lhe a perna andaluza”. João Cabral de Melo Neto, em Cana de açúcar menina.

Governar é um desafio. Porque envolve escolhas. E, uma das principais escolhas do governante, é entre presente e futuro. Porque as necessidades são maiores do que os recursos fiscais disponíveis. Então, ele há de optar. E a pressão política geralmente favorece o presente. Em detrimento do futuro.

Em 1975, Pernambuco partilhou uma singular experiência de substituição de camadas de poder. Que atualizou o que, então, era presente. Com novos quadros gerenciais. E que também semeou o futuro. Com uma visão transformadora da economia pernambucana. E estruturadora.

O esforço para olhar o futuro, com projetos estruturadores, abrangeu três áreas: a primeira área foi de recursos humanos, com a transformação da autarquia CONDEPE em fundação. E a criação da FIDEM, em 1976, como fundação privada e órgão gestor da região metropolitana. Desempenho técnico e institucional que virou modelo nacional. Nos anos de 1975-85.

A segunda área, na indústria, foi publicar, em 1977, os editais das obras de infraestrutura de Suape. O acesso rodoviário, o acesso ferroviário, as estações de água de Bita e de Utinga, a estação de energia de 69 kv. Dando condições para concretizar a vocação atlântica pernambucana. Batizada com o açúcar exportado para as refinarias de Amsterdam.

A terceira área, no setor do terciário moderno, foi construir, em Olinda, o Centro de Convenções, feiras e exposições. Em 1977. Para fortalecer a vocação terciária do burgo olindense. O projeto resultou de concurso público entre escritórios especializados de arquitetura e engenharia. E o projeto vencedor, com suas linhas contemporâneas, honra, em beleza e funcionalidade, até hoje, seus autores.

A estratégia de desenvolvimento, desenhada à época, decorreu de dupla contribuição: do Programa Integrado de Sociologia e Economia - PIMES, programa de mestrado da UFPE, contratado para apresentar diagnóstico da economia estadual. E do quadro de servidores da área econômica do estado. Mobilizados, no conjunto, para pensar Pernambuco. O documento, orientador das ações, daí em diante, está vivo. Projetado nas ações que, desde então vigentes, vem sendo executadas.

Há outro aspecto desse processo de construção do futuro. Foi a substituição de gerações. O governador, naquele período, entre 1975-79, era José Francisco de Moura Cavalcanti. Ele compreendeu o tempo. Anteviu o porvir. Mediu o azul de Pernambuco. Pesou sertões e mandacarus. Admirou litorais e praias. E, com régua e compasso de inteligência política, reinventou os fazeres administrativos.

Na prática, o traçado produziu mudança que era uma carta ao futuro. Porque os velhos caciques do PSD foram substituídos por jovens concursados. Compromissados com a responsabilidade de transformar Pernambuco.

No arrebol de 2025, quando o sol armorial da várzea do Capibaribe recebe o véu da noite, lembro de Moura Cavalcanti. Visionário. Arquiteto do fazer. E, ao nosso lado, outro pedaço sensível de Pernambuco, poeta, Joaquim Cardozo, que disse:

“O meu canto é de sol, é de verão florindo, os jardins tropicais: de túnicas vermelhas, flamboyants cardeais ! É de manhã nascente em profuso verão: - Púrpuras de jambeiros atiradas no chão !”.

Fecha de la última modificación: 05/01/2026, 09:15