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UFPE e UFPA promovem minicurso do projeto Escrevivências com moradores da ilha de Soure, no Pará
O minicurso trabalhou a percepção ambiental dos participantes, enquanto moradores de uma ilha ambientalmente protegida
O primeiro minicurso do projeto de extensão “Escrevivências de moradores de ilhas protegidas”, resultado de uma parceria entre pesquisadoras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal do Pará (UFPA), foi realizado de 26 a 30 de janeiro, em Soure, cidade localizada na Ilha de Marajó (Pará). O projeto tem como objetivo incentivar entre os participantes o hábito da leitura e da escrita, possibilitando que reconheçam em si a capacidade de autoria e se autoidentifiquem como detentores de saberes e de conhecimentos únicos sobre o território onde moram.
“O termo ‘escrevivência’, criado pela autora brasileira Conceição Evaristo, denota uma escrita que emerge da experiência de vida, que transforma vivências pessoais e coletivas em literatura, resgatando vozes historicamente silenciadas, e por isso as aulas foram pensadas a partir desta abordagem metodológica”, afirma o texto sobre o projeto, que é coordenado em Soure pela professora Missilene Silva Barreto, atual Diretora da Faculdade de Letras (FALE) do Campus Universitário do Marajó-Soure/UFPA.
Durante o minicurso foi trabalhada a percepção ambiental dos participantes, enquanto moradores de uma ilha ambientalmente protegida, considerando a existência da Área de Proteção Ambiental (APA) do Marajó e da Reserva Extrativista Marinha (Resex) de Soure. Muitos dos participantes são filhos de pescadores, artesãos, moram em comunidades tradicionais e quilombolas. Ao longo das aulas, foram abordados conceitos como educação ambiental, unidades de conservação, uso sustentável de recursos naturais e racismo ambiental, para estimular os participantes a refletirem sobre sua relação com o local em que vivem, identificando os elementos que asseguram seu bem-estar e qualidade de vida, bem como propondo ideias e sugestões para a melhoria socioambiental desse espaço.
As aulas foram ministradas pela analista ambiental Lucélia Gonçalves Moraes, que está realizando sua pesquisa de doutorado junto ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema/UFPE), sob orientação da professora Ana Lúcia Bezerra Candeias. A equipe contou com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) Soure para a realização da atividade. Como resultado do curso, os alunos produziram um material de autoria coletiva, no qual apresentam qual significado tem o Marajó em suas trajetórias de vida.
“A realização do curso de extensão oportunizou trocas de conhecimento muito potentes. Foi emocionante falar de questões ambientais com pessoas que valorizam o local onde moram, e reacender a importância de preservá-lo. Os textos produzidos pela turma refletem o amor pelo Marajó. Agradeço muito à professora Missilene e à Turma de Letras 2023 por esta oportunidade de partilha. A escrita marajoara irá cruzar o atlântico, e chegar ao continente africano”, afirma Lucélia, comentando sobre a realização de seu doutorado sanduíche, nos próximos meses, em Cabo Verde, país africano que é um arquipélago composto por doze ilhas, algumas das quais também áreas ambientalmente protegidas. A proposta da pesquisadora é que os estudantes caboverdianos possam conhecer o Marajó a partir dos textos produzidos pelos estudantes do curso de extensão realizado em Soure, promovendo um intercâmbio profícuo de saberes entre as ilhas.
Havendo demanda da comunidade acadêmica e também da comunidade externa, a equipe organizadora do projeto pretende realizar outras edições do minicurso de extensão, sempre com a busca pela democratização do conhecimento e do acesso à leitura e à escrita.