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Jornal do Commercio- “O problema está 50% resolvido se soubermos qual é”, afirma arquiteto sobre Rua da Imperatriz

“O problema está 50% resolvido se soubermos qual é”, afirma arquiteto sobre Rua da Imperatriz

Cidades 

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“O problema está 50% resolvido se soubermos qual é”, afirma arquiteto sobre Rua da Imperatriz

Representantes da Sudene e UFPE debatem futuro do logradouro em debate da Rádio Jornal. Estudos vocacionais foram iniciados este mês

A revitalização da Rua Imperatriz Tereza Cristina, localizada no bairro da Boa Vista, região central do Recife, foi o tema central de um debate realizado hoje na Rádio Jornal.

O encontro detalhou a parceria firmada entre a Superintendência do De senvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para a elaboração de estudos vocacionais na área. A iniciativa visa rever ter o processo de deterioração urbanística e mapear novas funções econômicas para a via.

ORIGEM E ARTICULAÇÃO DO PROJETO

A demanda pelo estudo partiu de proprietários e comerciantes locais, que buscaram alternativas ins titucionais frente à queda de circulação no centro histórico. Segundo a arquiteta e pesquisadora do departamento de arquitetura e urbanismo da UFPE, Julia na Cunha Barreto, o movimento da sociedade civil foi o ponto de partida.

“Diante do problema da deterioração física, funcional e urbanística da Rua da Imperatriz, alguns proprietários evocaram ações de políticas públicas para melhoria na região”. O arquiteto e urbanista Francisco Cunha destacou que uma solução efetiva depende, obrigatoriamente, da união estruturada de diferentes setores. “O que está sendo feito aí é uma articulação absolutamente essencial hoje em dia entre a sociedade que solicitou, a universidade que tem o conhecimento estruturado e o governo que tem a capacida de de fazer”, explica.

“Tudo muda, e a mudança pode ser para melhor se for ordenada. O problema está 50% resolvido se soubermos exatamente qual é ele; por isso, o estudo vocacional encomendado à UFPE é funda mental”, afirma Cunha.

DIAGNÓSTICO E POTENCIAL DE USO

O estudo vocacional par te da premissa factual de que o perfil puramente varejista tradicional da área sofreu transformações sistêmicas definitivas.

“Nós pretendemos subsidiar com essas informações a formulação de estratégias de políticas públicas que possam ser direcionadas a oferecer incentivos, a apresentar esses imóveis de acordo com as suas potencialidades”, explica a arquiteta e professora da UFPE, Iana Ludermir. Para definir o futuro da via, os pesquisadores concentram o levantamento de dados práticos nos seguin tes pontos:

Mercado imobiliário: mapeamento das relações de propriedade, vínculos legais, possíveis aquisições e benefícios fiscais.

Mapeamento físico: quantificação de imóveis em uso ativo e análise estrutural de componentes como fachadas e marquises.

Novos usos e fluxos: avaliação da viabilidade técnica para destinar pavimentos superiores a atividades que extrapolem o horário comercial, incluindo moradia.

FINANCIAMENTO E RETROFIT

A pesquisa contou com um investimento inicial de R$ 287.000, proveniente do orçamento da própria Sudene. Com a conclusão do levantamento prevista para o segundo semestre de 2026, o foco se voltará para a atração de investimentos diretos.

O economista e coorde nador-geral de Estudos e Pesquisas da Sudene, José Farias, apontou que já existem instrumentos financei ros disponíveis para o mercado, operados pelo Banco do Nordeste.

“É uma linha de crédito que pode ser usada para o chamado retrofit, que na verdade é o recondicionamento de imóveis que podem ser utilizados para moradia”, afirmou Farias.

O economista ressaltou ainda que o Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste (FNE) dispõe de condições e taxas de juros competitivas frente ao cenário macroeconômico atual para os empresários interessados em reestruturar as edificações do centro.

Date of last modification: 25/03/2026, 08:25