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Diário de Pernambuco - Uma nova esperança contra o Alzheimer
Uma nova esperança contra o Alzheimer
Vida Urbana
Página 11

Uma nova esperança contra o Alzheimer
Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco estão realizando estudos para a criação de um remédio a base de óleo de copaíba
Um estudo conduzido na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) pode desenvolver um novo medicamento, produzido à base de moléculas extraídas do óleo de copaíba, para prevenir e interferir nos mecanismos moleculares associados à doença de Alzheimer.
Desenvolvida pelo pesquisador Iverson Conrado, sob orientação da professora Priscila Gubert, o estudo é considerado, segundo eles, algo inédito dentro da literatura científica mundial. A pesquisa, publicada no Journal of Molecular Graphics and Modelling, periódico científico internacional da área de modelagem molecular e simulações computacionais, destaca resultados favoráveis ao combate da doença, comprovados em simulações computacionais avançadas.
Em entrevista ao Diario de Pernambuco, os pesquisadores afirmaram que, durante os estudos, foram identificadas que as moléculas cariofileno e copaeno, extraídas do tronco da copaibeira, podem interferir nos mecanismos moleculares associados à doença de Alzheimer, principalmente no peptídeo beta-amiloide, proteína central no desenvolvimento da doença.
O beta-amiloide é um peptídeo conhecido por sua capacidade de se acumular no cérebro, formando estruturas tóxicas que atrapalham o funcionamento normal do neurônio no cérebro, causando danos e até a morte deles. Esse processo está diretamente associado ao avanço do Alzheimer e ao surgimento de sintomas como perda de memória, alterações cognitivas, dificuldades de aprendizagem e comprometimento das funções motoras em estágios mais avançados.
Por meio das simulações computacionais, que consistem em um dos primeiros passos da pesquisa, foram observadas que essas duas moléculas desenvolvem uma barreira de proteção nos neurônios, evitando que esses peptídeos se agreguem e causem a morte dos neurônios.
Segundo os pesquisadores, que fazem parte do Instituto Keizo Asami (iLIKA/UFPE) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia - Ciências Moleculares (INCT-CiMol), a prevenção é a principal forma de combater a doença, porque o processo de recuperação e regeneração desses neurônios mortos é muito difícil. Apesar do potencial favorável do óleo de copaíba, os pesquisadores destacam que o estudo está no estágio inicial. Por conta disso, os tratamentos atualmente disponíveis em clínicas especializadas são os mais indicados para combater a doença.
“As perspectivas futuras é tirar do papel a simulação e aplicar em um modelo animal. Já iniciamos essa segunda fase da pesquisa, no qual estamos observando como o peptídeo que causa a doença age em um verme que não se movimenta de forma legal”, adiantou Iverson Conrado, que realiza a pesquisa durante a realização do seu mestrado.
Além dos pesquisadores, o estudo contou com a participação da professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Karen Weber, e da professora do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE), Giovanna Machado.
Apesar de estar na segunda fase, o avanço pesquisa, que deve ser experimentadas em camundongos para depois chegar na testagem em humanos, deve levar alguns anos. “Depois que terminar esses testes nos vermes, iremos publicar o artigo que será avaliado por diversos pesquisadores críticos. Com a aprovação, iremos procurar modelos mais complexos, como camundongos, para podermos estudar o comportamento”, explicou.