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Diário de Pernambuco- Sempre é tempo de Jackson

Sempre é tempo de Jackson

Viver

Página 06

Sempre é tempo de Jackson

O legado de Jackson do Pandeiro é maior que a soma de suas 400 composições. Ele vive, na verdade, em cada um dos ritmos que dominou com maestria: baião, xote, xaxado, coco, arrasta-pé, frevo, maracatu e samba. É uma diversidade que desafia qualquer comparação até os dias de hoje. Cabe aos seus admiradores, portanto, mantê-la viva e em movimento, como faz a cantora recifense Lucinha Guerra no espetáculo Do Jackson ao Pandeiro, hoje, às 19h30, na Caixa Cultural, dentro da programação do Janeiro dos Grandes Espetáculos. Os ingressos, por sinal, já estão esgotados. Assinando a direção artística e musical, Lucinha traça uma linha do tempo do “Rei do Ritmo”, destacando faixas menos conhecidas do seu vasto repertório. É o caso do “Dia de Beijada”, que representa a fase em que o artista se voltou para temas da espiritualidade. O setlist, porém, também reverencia clássicos consagrados, como “Sebastiana” e “Chiclete com Banana”, totalizando 15 músicas em cerca de uma hora de show, com a produção de Pedro de Castro e participação dos músicos Gabriel dos Anjos, George Rocha, Nelson Brederode, Julho Cruz e Tonynho do Acordeon.

Assim como Jackson, Lucinha canta por paixão, independentemente do estilo. Formada em Canto pela UFPE, ela transita com naturalidade entre o samba, o forró, o baião e até a música francesa. Mas pa ra sua voz, nada se compara à obra do mestre paraibano, especialmente “Baião do Bambolê” e a própria “Sebastiana”. “Sou uma pessoa do ritmo, e o Jackson é puro ritmo”, afirma em entre vista ao Diario. Com cinco décadas como ouvinte e mais de 15 anos cantando sua obra, Lucinha segue o redescobrindo a cada novo projeto.

“Por mais que eu cante, sempre há novidades, porque ele compôs de tudo”, exalta. Preservar a memória musical é o cerne do trabalho de Lucinha. Não só Jackson, mas também Luiz Gonzaga, Carlos Fernando e outros ícones ocupam seu repertório em uma escolha consciente. “Eu sempre procuro cantá-los, porque é música pura, clássica, eterna. Precisa ser perene”, justifica. Em 2019, integrou uma celebração histórica no Festival de Inverno de Garanhuns, ao lado de Silvério Pessoa, Elba Ramalho, Zélia Duncan e Geraldo Maia, pelo centenário de Jackson. Agora, sem uma efeméride específica, ela volta a se dedicar ao Rei do Ritmo. Afinal, como ela mesma afirma: ‘É sempre tempo de comemorar o Jackson do Pandeiro”. Na sua visão, o Brasil não re conheceu Jackson na dimensão devida, nem mesmo em Pernambuco, onde ele morou por cinco anos e despontou co mo mestre do coco, da embola da, do baião e do frevo, consa grando-se antes de migrar pa ra o Rio.

“Ele também é nosso”, defende Lucinha. Daí a importância de uma voz feminina pernambucana dialogar com sua primeira fase, ainda pouco explorada. ‘A linguagem dele é muito contemporânea, diria que até eterna’, acrescenta. Assim, enquanto Lucinha Guerra subir ao palco, Jackson do Pandeiro terá voz. Ainda que os ingressos de hoje já estejam esgotados, a cantora já prepara a volta do espetáculo no São João. “Ele é paraiba no de origem, mas sua música tem alma pernambucana”, diz Lucinha, reafirmando o compromisso de quem faz da memória um ato de resistência e celebração.

Date of last modification: 20/01/2026, 09:25