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Diário de Pernambuco - Rua da Imperatriz vira objeto de estudo

Rua da Imperatriz vira objeto de estudo

Vida Urbana 

Página 12

Rua da Imperatriz vira objeto de estudo

A ideia da Sudene e da UFPE é levantar as novas vocações para a via - que já foi um dos locais mais importantes do Centro do Recife

Uma breve pesquisada em edições da década de 1970 do Diario de Pernambuco revela aos leitores as múltiplas atividades que, na época, se desenvolviam na Rua da Imperatriz Tereza Cristina ou, simplesmente, Rua da Imperatriz. De magazines, onde era vendido de um tudo, a hospedagem para estudante, passando por lojas de móveis e rota dos famosos corsos do carnaval, a via era um motor pujante de um Recife que se encontrava no centro da cidade.

Passados os anos, os shoppings com seus aparelhos de ar-condicionado, praças de alimentação e sensação de maior segurança foram tirando, aos poucos, os recifenses do Centro. Mais recentemente, a pandemia da Covid-19 fez esvaziar ainda mais as pessoas da região e a Rua da Imperatriz está bem longe da sua época de ouro. E é diante desse quadro que um estudo de análise de vocação está sendo realizado pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco.

“É preciso encontrar uma alternativa para que a rua volte a ser viável, volte a ter dinamismo e volte a ser utilizada como um ambiente para onde as pessoas vão para lazer, compras, entre outros”, explica o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre. Segundo ele, a ideia de fazer o estudo de vocação para a Rua da Imperatriz é poder replicar esse tipo de avaliação para outras cidades da área de abrangência do órgão, que inclui os nove estados do Nordeste e parte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Francisco explica que o estudo terá a participação não só das duas entidades, mas também de empresários, moradores e outros públicos para tentar encontrar solução “olhando os dias atuais”. “Quando foram feitas as intervenções lá no passado, elas serviam para um objetivo. Hoje, é é possível elas não sejam as mais adequadas”, ressaltou o superintendente, citando, como exemplo, quando a rua passou a ser exclusiva para pedestres.

Ele também lembra que a Sudene possui linhas de financiamento capazes de incentivar novos investimentos na região. Como é o caso do Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste (FNE) – que tem seu direcionamento estabelecido pelo órgão e sua operação sob a responsabilidade do Banco do Nordeste (BNB).

A execução do estudo ficará a cargo da UFPE, por meio do Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural (LUP) e do Grupo de Estudos sobre o Mercado Imobiliário e Fundiário (GEMFI), vinculados ao Departamento de Arquitetura e Urbanismo e ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano da universidade. As arquitetas e coordenadoras do projeto, Iana Laudermir Bernardino e Juliana Barreto, explicaram, durante o lançamento do projeto, os eixos de investigação do trabalho que são o funcionamento atual da área, considerando a infraestrutura existente; a preservação e adaptação dos imóveis históricos; e a dinâmica do mercado imobiliário local.

Segundo Iana, o trabalho contará com a participação de especialistas de diferentes áreas para garantir uma análise abrangente do território. “A proposta é reunir profissionais com conhecimento em patrimônio cultural, mobilidade urbana, espaços públicos, políticas públicas e dinamização imobiliária, para que possamos construir, juntamente com a sociedade, um diagnóstico multitemático e participativo sobre o papel que a Rua da Imperatriz pode desempenhar no processo de revitalização do Centro do Recife”, explicou.

Para subsidiar a elaboração das propostas, a equipe também está analisando iniciativas em andamento voltadas à revitalização do Centro do Recife, como o Projeto Recentro, da Prefeitura do Recife, que promove ações de requalificação em áreas históricas da cidade, incluindo a Avenida Guararapes.

De acordo com o superintendente da Sudene, a previsão é que o estudo seja concluído em 12 meses, com a apresentação final prevista para março do próximo ano. A ideia é levar o resultado para o poder público para que sejam viabilizadas as intervenções pensadas para a Rua.

Date of last modification: 13/04/2026, 08:35