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Diário de Pernambuco-Nascimento de Noronha é tema de estudo

Nascimento de Noronha é tema de estudo

Vida Urbana 

Página 12

Nascimento de Noronha é tema de estudo

Um grupo de pesquisa dores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolve um estudo com abordagem inovadora para compreender como se formou o arquipélago de Fernando de Noronha. A pesquisa, coordenada pela geóloga Carla Joana Barreto, integra o grupo Vulcano e conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“A ilha principal do arquipélago possui uma organização estrutural e litológica bastan te complexa. As feições geológicas encontradas se assemelham às de diversas ilhas vulcânicas distintas ao redor do mundo que compartilham processos de formação parecidos, com destaque para a Ilha de Trindade, no qual as rochas apresentam características similares”, explica a pesquisadora.

Intitulado “Estratigrafia vulcânica e magnética associadas à análise topológica das sucessões efusivas e explosivas do Arquipélago de Fernando de No ronha”, o projeto busca recons truir a história geológica da ilha a partir de uma combinação de técnicas ainda pouco explora das na região. “Eu trabalho com rochas vulcânicas desde o meu mestrado, então já tem alguns anos. Aprovei dois projetos do CNPq, um em 2018 e outro em 2023, e esses projetos possibilitaram a obtenção de recursospara ir à ilha e realizar o mapeamento geológico. Portanto, já são dois projetos desenvolvidos”, afirma Carla Barreto.

“O objetivo é entender como Fernando de Noronha se formou. Fazemos um trabalho de reconhecimento em campo, anali sando diretamente as rochas, descrevendo suas características e coletando amostras para estudo em laboratório. Busca mos compreender a formação dessas rochas vulcânicas do ponto de vista temporal, ou seja, identificar o que veio antes e depois, e também sob o aspecto magnético. Realizamos análises magnéticas para determinar a idade e quanto tempo duraram os diferentes pulsos vulcânicos.”

O arquipélago representa o topo de uma cadeia de montanhas submari nas formada ao longo de uma zona de fratura no assoalho oceânico. As ilhas são compostas por rochas vulcânicas originadas em dois grandes episódios eruptivos: um mais antigo, entre 8 e 12 milhões de anos, e outro mais recente, há cerca de 1,7 milhão de anos. Apesar da extensa produção científica sobre Noronha, ainda são limitados os estudos que abordam aspectos como dinâmica de fluxos de lava, transporte de magma e organização das camadas vulcânicas, lacuna que o projeto pretende preencher.

Uma das inovações da pesquisa é o uso de tecnologias digitais para documentar as forma ções geológicas. “Estamos fazendo o levantamento das praias e das formações rochosas com o uso de drones. A ideia é trabalhar em escalas, sendo elas os modelos 3D dos afloramentos e paredões, modelos das amostras coletadas dessas formações e análises em lâminas. Todo esse material será hospedado em um site que ainda está em fase de alimentação.”

As coletas de dados ocorreram em áreas como a Enseada da Caieira, Baía do Sueste e Praia do Atalaia, onde também foram feitas imagens em 360 graus para compor um acervo virtual do arquipélago. Um dos diferenciais do estudo está na aplicação da chamada estratigrafia magnética. “Algumas rochas vulcânicas possuem minerais magnéticos que, ao se cristalizarem durante o resfriamento do magma, registram o campo magnético da Terra naquele momento. Como esse campo varia ao longo do tempo, conseguimos usar essas informações para identificar períodos e mudanças. Isso permite marcar o tempo dos eventos vulcânicos e diferenciar os pulsos de atividade.”

Essa técnica permite refinar a cronologia das erupções e compreender melhor a sequência dos eventos que moldaram o arquipélago. Os primeiros levantamentos também apontam conexões com outras formações vulcânicas. A expectativa é que, com a finalização das análises laboratoriais, o estudo resulte em um modelo geológico mais detalhado sobre a formação e evolução do arquipélago, contribuindo para ampliar o entendimento científico sobre o vulcanismo em ambientes oceânicos. O estudo reúne uma equipe de dez integrantes e conta com colaboração de outras universidades.

Date of last modification: 24/04/2026, 09:09