CCS

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O Centro de Ciências da Saúde (CCS) foi criado em 1976 com a fusão de várias escolas superiores do Recife. O Centro possui nove cursos de graduação: Farmácia, Odontologia, Medicina, Enfermagem, Nutrição, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia e Educação Física.

Em relação à graduação, estes departamentos são as unidades responsáveis pelos 09 cursos de graduação: Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Nutrição, Odontologia, Terapia Ocupacional.

O Centro mantém publicações periódicas: os Anais da Faculdade de Medicina (1937), os Anais da Faculdade de Odontologia (1968) e os Cadernos do Centro de Ciências da Saúde. Os dois primeiros tratam da temática científica, com metodologia própria; o último é voltado para a veiculação de assuntos mais gerais, incluindo aqueles de cultura e do humanismo.

Os cursos do centro, a exceção de Educação Física, têm aulas práticas nas instalações do Hospital das Clínicas durante o decorrer dos semestres letivos.

Ministra os cursos de Pós-Graduação stricto sensu em:

  • Ciências da Saúde – Mestrado;
  • Ciências Farmacêuticas – Mestrado;
  • Cirurgia – Mestrado e Doutorado;
  • Enfermagem – Mestrado;
  • Fisioterapia – Mestrado;
  • Medicina Tropical – Mestrado e Doutorado;
  • Neuropsiquiatria – Mestrado e Doutorado;
  • Nutrição – Mestrado e Doutorado;
  • Odontologia – Mestrado e Doutorado;
  • Patologia – Mestrado;
  • Saúde da Criança e do Adolescente – Mestrado e Doutorado;
  • Saúde Coletiva – Mestrado.

Seu corpo docente é composto de 475 professores efetivos, sendo 157 doutores, 185 mestres, 78 especialistas e 55 graduados.

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Primeira aula de Medicina - trabalho realizado por Murilo La Greca sob encomenda da Universidade Federal de Pernambuco

 

No começo da década de 1940, o pintor foi convidado a executar um quadro de grandes proporções, que deveria ornamentar a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco. O tema, conforme sugestão do Reitor Joaquim Amazonas, seria fundamentado em Hipócrates e retrataria a visão clássica de uma "primeira aula de medicina". A concepção compositiva, no entanto, coube inteiramente a Murillo LaGreca. De acordo com sua descrição, a escolha foi de adotar na composição um conceito filosófico-estético, em oposição a um conceito médico-realista. Apoiava-se no fato de Hipócrates ter sido, antes de tudo, filósofo e esteta e ainda para que os professores de medicina pudessem encontrar no quadro um repouso emocional, uma vez que ficaria na sala da Congregação da Faculdade.

A cena imaginada ocupa 7,00 metros de largura por 3,50 metros de altura e a cor dominante foi conseguida equilibradamente, sem se perder diante da grande dimensão e com tantos figurantes existentes. Murillo costumava dizer que sentia o quadro como "um concerto para flauta e orquestra", de Mozart, onde o tema central se harmoniza em equilíbrio, apesar de tantos participantes em torno do solista. Quanto ao colorido, enquanto que no quadro A fonte de Castália a nota dominante é o verde, neste já é o róseo.

A grande obra tomou definitivamente o título A Primeira Aula de Medicina (Hipócrates). Custou um grande esforço físico ao pintor, que o realizava subindo e descendo escadas, com tintas, paleta e pincéis, diariamente. Sua representação não é um simples aspecto do cotidiano, comum nas enfermarias, mas é sobretudo uma alegoria à arte de curar, no aforismo de Hipócrates, gravado no papiro que se vê no quadro, como uma legenda de perenidade: "Ho bios brakhus, hé de teckné makré"(A vida é breve, a arte é longa).

Conforme a descrição feita pelo artista, a cena apresenta o Mestre rodeado de alunos e de pacientes, alguns já beneficiados pela medicina hipocrática e outros à espera de serem examinados. Cada figura responde com sua atitude e seus atributos a uma significação, de acordo com os princípios da medicina da Escola de Kós. No centro, de pé, no primeiro plano, o hierático vulto do Mestre. À sua esquerda, sentado em plano mais proeminente, Tessalos, um de seus filhos, em atitude de indagação; entre este e o Mestre, uma paciente estendida na mesa médica; logo atrás da paciente, Políbio, seu genro. Do lado oposto, Dracus, outro filho de Hipócrates.

Continuando, vê-se o Hidróforo, aquele que, com a hídria, colhe o líquido vivificador da fonte, uma figura angular, à esquerda do quadro. Ao lado direito do Mestre, no primeiro plan, o Escriba anotando instruções; seguindo à direita, a figura de uma protagonista com o filho no regaço, representando a maternidade. Atrás, em plano secundário, outros alunos, o Risotomista, que leva ervas medicinais e duas figuras de adolescentes, despidas, prontas para se submeterem ao exame preventivo, prática instituída por Hipócrates. Um jovem conduz um adolescente, e, na mesma ala, em primeiro plano, um ancião em atitude de repouso, representando a Senectude, sã, já amparada pela medicina hipocrática - uma figura angular do lado direito.

Ao fundo, no ápice da composição, ve-se o grupo escultório formado por Esculápio e sua filha Higiéia, respectivamente deus e personificação da saúde. Esculápio (nome latino do deus e personificação da saúde. Esculápio (nome latino do deus Asclépio) tinha a serpente como o animal a ele consagrado, aparecendo sempre enrolada a um bastão, o que veio figurar o símbolo clássico da Medicina. Esse grupo escultórico foi incluído no quadro por Murillo LaGreca em homenagem ao conjunto original, em mármore, que se encontra numa das galerias do Museu do Vaticano.

A composição, no sentido técnico, foi esquematizada em linhas frontais. As linhas geométricas que partem dos ângulos do quadro se conjugam no vértice, onde se ergue o grupo escultórico, descrevendo uma pirâmide.

O pintor procurou pôr em evidência a estrutura anatômica de cada figura, respeitando a canônica das proporções do corpo humano, adotada pelos artistas, e a Eugenia - ciência considerada moderna, mas já conhecida e usada largamente na Grécia antiga, no luminoso período hipocrático. Murillo realizou um conjunto pictórico com observância das leis da Euritmia: harmonia da dinâmica e da proporção.

 

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