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A produção de biodiesel a partir de óleo de soja já é prática consolidada na Universidade Federal de Pernambuco há algum tempo. A inovação neste processo, desenvolvida pelos alunos Bruno Melo e Victor Lima do 2º ano do Ensino Médio do Colégio de Aplicação da UFPE (CAp), sob a orientação da professora de Química Kátia Aquino, fica por conta do material utilizado para esta produção: maquinário produzido com sucata e o principal, bateria de carro como fonte de energia e botijão de gás como fonte de calor. O projeto foi o vencedor da Feira Científico-Cultural CAp/UFPE de 2009, na sua categoria, e vai representar o Colégio de Aplicação na Feira Ciência Jovem em 2010, na categoria Desenvolvimento Tecnológico. A feira é promovida pelo Espaço Ciência, do Governo de Pernambuco. Dando continuidade ao projeto “Produção Alternativa de Biodiesel a partir do Descarte de Óleo de Soja Utilizado em Frituras: Produzindo Energia sem Energia” iniciado em 2008, os alunos utilizaram o maquinário produzido com pedaço de cadeira de ferro, puxador de armário, tampa de lata de leite e um motor de para-brisas, para produzir o biocombustível através de transesterificação, que consiste em reagir um lipídeo, que é um triéster de ácido graxo, com um álcool para produzir um novo éster, que é o biodiesel e glicerina. Para tanto, os pesquisadores reagiram etanol com óleo de soja usado em frituras, utilizando o hidróxido de sódio como catalisador. A mistura ficou girando a 320 rpm, num recipiente acoplado ao maquinário, durante uma hora, com temperatura oscilando entre 55 e 65 graus, controlada manualmente e com um termômetro.
Junto com a produção do biodiesel há a formação da glicerina subproduto da reação. A glicerina que, segundo os pesquisadores, não será descartada, podendo servir à indústria farmacêutica e de plástico. “Ela não vai ser descartada no meio ambiente, ainda tem outros usos” diz Bruno Melo. O biocombustível produzido ainda está com excesso de álcool, carecendo de lavagem. Depois de lavado, será observada a qualidade do produto, de acordo com os parâmetros da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A professora Kátia afirma que as análises serão feitas por Ressonância Magnética Nuclear de prótons. O projeto está sendo desenvolvido em parceria com o Departamento de Engenharia Mecânica da UFPE, que os ajudou a desenvolver o maquinário e o laboratório de biocombustíveis, visto que o maquinário é uma adaptação de plantapiloto deste laboratório.
OBJETIVOS – Para os jovens pesquisadores do CAp, o projeto tem três objetivos principais: produzir o biodiesel através do óleo de soja, como fonte renovável; fazer o descarte devido do óleo de soja já utilizado e usar a energia de bateria em vez da eletricidade. “Se fôssemos usar eletricidade, por exemplo, iríamos gastar de energia 12 centavos por hora de reação e na bateria não íamos gastar nada”, afirma Victor, deixando claro que o uso paralelo da bateria na produção do biodiesel não produziria gasto real, visto que, ao ser colocada de volta no veículo, ela volta a se carregar.
Segundo a professora, a substituição da energia elétrica pela energia de bateria e a fonte de calor de uma chapa aquecedora convencional por um botijão de gás é o grande trunfo deste projeto. Além disso, o uso de óleo altamente impuro, utilizado por várias vezes, também é algo pouco trabalhado. Os alunos afirmam que recolheram o óleo – de cor muito escura - em uma pastelaria no entorno da Universidade, para perceber que há a possibilidade real de produção do composto químico. “A gente tem que se aproximar da realidade. Ninguém vai fazer uma única fritura e doar o óleo”, afirma a pesquisadora.
Como perspectivas do trabalho, os alunos e a orientadora afirmam a possibilidade de utilização de outros tipos de óleo, assim como da coleta de óleo de soja usado. “A gente pode até fazer uma campanha, para que os alunos tragam esse óleo pra cá, como uma central de recolhimento”, afirma a professora. Ainda segundo Kátia Aquino, também está entre as perspectivas do projeto a utilização da rota metílica no processo, que consiste em substituir o etanol por metanol, acelerando a produção do biodiesel.
Os alunos também irão comparar o biodiesel produzido com óleo de fritura com aquele produzido com o óleo comercial, ainda sem utilização. As analogias acontecerão tanto pela rota etílica quanto pela rota metílica e deverão comprovar a eficiência do maquinário, propiciando, assim, a criação de um biodiesel mais barato. As análises e posteriores experimentos acontecerão no início deste ano, acompanhando o ano letivo dos novos pesquisadores.
Mais informações Professora Kátia Aquino
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