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Transgênicos - Brasil na frente

Se não encobrirmos a verdade com dados tomados de órgãos tendenciosos ou desatualizados, vamos descobrir que o Brasil está a frente de gigantes da agricultura quando se trata do uso de plantas geneticamente modificadas. O artigo recém publicado na revista Nature Biotechnology , de autoria de Stacy Lawrence (26 (3), 2008 ), mostra isso, e está apresentado aqui, numa forma traduzida e comentada (em itálicos).

 

O Brasil ultrapassa os Estados Unidos em plantios transgênicos

Em 2007 o Brasil plantou 3,5 milhões (28% de todos os cultivos) de novos hectares com culturas transgênicas, enquanto os EUA aumentaram apenas 3,1 milhões a sua área (25%). Os países desenvolvidos tiveram uma participação de 43% na área global plantada com transgênicos, com uma taxa média de 21% de crescimento. Nos países industrializados a taxa de crescimento de plantios transgênicos foi reduzida em 7%. O Chile ea Polônia plantaram transgênicos pela primeira vez em 2007, e também neste ano uma árvore transgênica foi aprovada nos EUA (uma variedade de ameixa). No cenário mundial, a soja, o milho e o algodão transgênico predominaram, embora outras características agronômicas como produtividade, propriedades nutricionais e o empilhamento de duas u mais características genéticas novas tenham ganho maior popularidade

Área global histórica de cultivos transgênicos

A área plantada com transgênicos cresceu 12% em 2007, com valores globais chegando a 700 milhões de dólares. 

O gráfico ao lado (fonte: International Service for the Acquisition of Agri-Biotech Applications)mostra o avanço do plantio de variedades transgênicas no mundo. Há um aumento quase linear na última década, quando todos os cultivos são considerados simultaneamente.  Os ganhos acompanham a área plantda, indicando que, na média, a produtividade de cada uma das variantes transgênicas, quando inroduzida, não aumentou ao longo da década (o que é natural).

 

 

 

 

 

Área global de cultivos transgênicos por característica genética

Cultivos com duas ou mais características genéticas transgênicas e são se tornando cada vez mais populares, ganhando daquelas variedades que mostram apenas resistência a insetos.

No gráfico ao lado (fonte: International Service for the Acquisition of Agri-Biotech Applications) podemos perceber uma redução da taxa de crescimento dos plantios de cultivos tolerantes apenas a soja ou resistente apenas a insetos(vermelho e amarelo), enquanto há um aumento da adoção de cultivos com duas ou mais características transgênicas associadas (sacked traits, linha azul). Isso é, naturalmente, o que sespera do mercado, que pede plantas com múltiplas vantagens sobre suas parentais não transgênicas. A resistência a insetos é geralmente obtida pela introduçã de um gene cry, de Bacilus thuringiensis, enquanto a tolerânica a herbicida é obtida de dois genes distintos (cp4-epsps e pat), para os herbicidas glufosinato de amônio e glifosato.






Cultivos transgênicos aprovados nos EUA e na União Européia (UE)

País  Companhia  Descrição  Tipo de aprovação 
EUA  Monsanto  MON89788/soja resistente ao glifosato Plantio, alimentação humana e animal 
EUA  Departamento de Agricultura Americano - Serviço de Pesquisa em Agricultura C5/ameixa resistente a virus Plantio 
EUA  Syngenta Seeds  MIR604/milho resistente a inseto   Plantio, alimentação humana e animal 
UE  Dow e Pioneer  DAS-59122-7/milho resistente a herbicida  Alimentação humana e animal 
UE  Dow DAS-01507-1 x MON-00603-6/milho resistente a insetos e tolerante a dois herbicidas Alimentação humana 
UE  Monsanto  MON-00603-6 x MON-008106/milho resistente a insetos e tolerante a um herbicida Alimentação humana 
UE  Monsanto  KM-00071-4 (H7-1)/beterraba tolerante a hebicida   Alimentação humana e animal

  fonte: Agbios

As variedades que acumulam duas ou mais características genéticas costumam ser obtidas como híbridos de parentais cada um carregando uma das marcas genéticas desejadas. Entretanto, pode-se antever que a transformação de plantas com construções que já carreguem duas ou mais marcas vai ser mais comum no futuro.

 

Experimentos em campo com cultivos transgênicos na Europa

 Pelo terceiro ano consecutivo o número de experimentos em campo com transgênicos na União Européia aumentou discretamente (fonte: European Union, GMO Compass ).

 Depois de uma "boom" de experimentos, a União Européia reduziu significativamente o número de experimentos com transgênicos levados a campo, por várias razões mercadológicas. No Brasil dezenas de experimentos de campo estão sendo presentemente conduzidos, conhecidos tecnicamente como liberações planejadas, como se pode atestar no site da CTNBio.

 







Área global de plantios transgênicos no mundo, por país.

Em 207 o Brasil ultrapassou os EUA em novas áreas de plantio. A Índia continuou seu rápido crescimento, seguida de perto pelo Paraguai, África do Sul e Uruguai. Em oposição, na Austrália as áreas com cultivos transgênicos continuam em queda.

Na figura ao lado (fonte: International Service for the Acquisition of Agri-Biotech Applications) o crescimento percentual da área plantada entre 2006 e 2007 está mostrado na coluna da esquerda. O que é enfatizado neste artigo é que o Brasil está adotando a tecnologia de forma mais vez que os EUA, ao menos quando se avalia o aumento percentual de área plantada. É claro que esta visão é quantitativamente questionável, porque os EUA já vêm adotando esta tecnologia há muitos anos.  

 

 

 

 

 

Transgenic crops as a share of total US crops

A vasta maioria do milho, da soja e d algodão plantado nos EUA é transgênico.

O gráfico ao lado (fonte: National Agricultural Statistics Service) mostra aquilo que foi comentado acima: a adoção da tecnologia de transgenia em plantas iniciou-se há mais de uma década e para certos cultivos já atingiu praticamente a saturação, o que justifica a posição de destaque do Brasil (menos por mérito próprio do que pela adoção precoce desta tecnologia em outros países).