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Jornal do Commercio- Luiz Delgado: vida, obra e valores de um grande pernambucano
Luiz Delgado: Vida, obra e valores de um grande pernambucano
Artigo
Página 19

Luiz Delgado: Vida, obra e valores de um grande pernambucano
No dia 11 de abril, o calendário histórico-cultural de Pernambuco assinalou o centésimo vigésimo aniversário do nascimento de Luiz Maria de Souza Delgado – Luiz Delgado, como ficou conhecido – , escritor e pensador católico, professor da Faculdade de Direito da UFPE, poeta, cronista, historiador e acadêmico da Casa de Carneiro Vilela. Foi um de seus mais ilustres presidentes, a quem se deve a conquista da sede própria, no velho solar do Barão Rodrigues Mendes, graças à sensibilidade do então governador Paulo Guerra.
A certidão de posse foi assegurada já na gestão de seu sucessor, o escritor Marcos Vilaça. Um e outro, complementares na consecução do antigo sonho da sede, não apenas para as reuniões semanais da Academia Pernambucana de Letras (APL), mas também para a realização de atividades em seus espaços e auditório, como cursos, seminários e palestras, além de abrigar valioso acervo mobiliário e uma diversificada biblioteca.
Quando enaltecido pela conquista da sede própria da APL, com sua habitual modéstia, respondia: “Quando muitos, se quiserem meter-me nisso, digam que o presidente da Academia tem um anjo da guarda capaz de incluir uma lembrança dessas entre os pensamentos de um governador”.
A Academia Pernambucana de Letras, neste 13 de abril, em sessão solene presidida pela acadêmica Margarida Cantarelli, prestou homenagem aos 120 anos de nascimento do escritor Luiz Delgado, certa de que, assim fazendo, cultua a memória de um dos maiores humanistas de Pernambuco.
Luiz Delgado nasceu em 11 de abril de 1906 e faleceu em 6 de setembro de 1974, permanecendo, todavia, vivo em espírito, perpetuado por suas obras.
Formou-se pela Faculdade de Direito do Recife, em 1926, sendo aluno laureado e orador de sua turma.
Foi secretário do Interior e Justiça no Governo Constitucional de Carlos de Lima Cavalcanti, no Estado de Pernambuco.
Delgado, casado com Aureolina Marques Delgado – carinhosamente apelidada de Lola – , contraiu núpcias aos 31 anos. Desse enlace, nasceram os filhos José Luiz, José Francisco, Maria Izabel, José Antônio e Maria Rosa, a quem dedicou versos que seus filhos, ao celebrarem as Bodas de Prata dos pais, reuniram no livro A Túnica da Alma.
Versos outros também publicados em diversos trabalhos, que exaltam o amor aos filhos, a exemplo de:
“O essencial não é que vivas apegado / a mim e atendas aos meus desejos / na velhice. / O essencial é que te lembres de mim / ainda que eu tenha morrido há muitos anos, / e encontres nessa lembrança / proteção e carinho. / E que saibas que, quando disseres ‘meu pai’, / sintas que eu correrei do infinito / e te beijarei de leve”.
Delgado era, na expressão de Mauro Mota, um “mestre de dignidade”.
Apesar de tímido e recolhido, tinha uma legião de amigos e, não raras vezes, se reunia com eles em almoços, muitos realizados em sua residência, sob a batuta de sua Lola, a quem sempre se referia com ternura: “Lola é sempre Lola”.
À esposa dedicou o poema “A Mão Que Por Último Apertarei”, no qual, com doçura, conclui:
“A mão que por último apertarei, / no cais da grande partida, / será a tua. E ficarei, do outro lado da morte, / vigiando nas praias, a aguardar que chegues”.
É nesse legado de ética, moral e religiosidade – comparável ao de grandes pensadores católicos, como Alceu Amoroso Lima e Gustavo Corção – que Delgado, marcado por caráter íntegro, inteligência privilegiada e vasto conhecimento, deixa valores que precisam ser cultivados como exemplos pelas gerações mais novas.
Sua primeira obra literária, o romance Inquietos (1929), atraiu a atenção positiva da crítica nacional, em especial de Alceu Amoroso Lima, pela seriedade com que tratava os anseios da juventude da época. No prefácio, o escritor Lucilo Varejão Filho chegou a considerar Delgado o maior humanista de sua geração.
De estilo inexcedível, o mestre de Direito Administrativo da Faculdade de Direito do Recife deixou como legado obras referenciais para a literatura pernambucana e para os estudos jurídicos.
Fiel a Olinda, a quem dedicou o poema “Nunca deixei o Canto onde Nasci”, é possível que a cidade rememore a figura inarredável de seu filho ilustre, sem dúvida um dos maiores expoentes da literatura e do magistério pernambucanos.
Delgado, íntegro e integral, era – e é – uma dessas heranças do passado histórico de nosso Estado, devendo ser estudado pela mocidade para que, redivivo, continue a inspirar os passos de todos quantos saibam ser fiéis ao seu legado: fé, talento, fidelidade aos valores da terra, à moral, à família e à dignidade, como valor ético e estético.
Colaborou em diversos jornais, em especial no Jornal do Commercio do Recife, desde 1928 até sua morte, onde mantinha as colunas “Notas Avulsas”, diária, e “Ideias, livros e fatos”, semanal.
Seu humanismo integral assumia o aspecto de uma evangelização espiritual, capaz de conquistar adeptos para Deus e para a fé. Foi essa a sua vida no plano das coisas eternas.