Publicador de contenidos Publicador de contenidos

Atrás

Jornal do Commercio- Como um projeto da FAV levou saúde visual a 25% da população de Noronha

Como um projeto da FAV levou saúde visual a 25% da população de Noronha

Saúde e Bem-estar 

Página 29

Como um projeto da FAV levou saúde visual a 25% da população de Noronha

Uma ação inédita de saúde ocular em Fernando de Noronha alcançou mais de 800 pessoas (cerca de um quarto da população local) e expôs uma realidade ainda presente no Brasil: há brasileiros que nunca tiveram acesso a uma consulta oftalmológica básica. Entre eles, estava a moradora Sônia Bernardo, 56 anos, que realizou o primeiro exame de vista durante o projeto conduzido pela Fundação Altino Ventura (FAV) no arquipélago. 

Como ela, centenas de pessoas na ilha foram alcançadas por uma iniciativa que combinou tecno logia, solidariedade e com promisso público com a saúde. A ação, concluída há pouco mais de dois meses, beneficiou crianças, jovens, adultos e idosos, com foco em alunos da rede pública e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

VENCENDO BARREIRAS GEOGRÁFICAS

A presidente da FAV, a oftalmologista Liana Ventura, destacou o impacto institucional e social do projeto. “Em Fernando de Noronha, mostramos que é possível vencer barreiras geográficas e oferecer um atendimento humanizado, resolutivo e de excelência. Esse projeto reafirma nos so compromisso com a redução das desigualdades e com a promoção da cidadania por meio da saúde”, destacou. 

IMPACTO ALÉM DOS EXAMES

A iniciativa não se restringiu a consultas pontuais. Foi estruturado um ciclo completo de cuida do visual, com triagem, diagnóstico, encaminhamento e reabilitação quando necessário.

No caso de Sônia, os exames indicaram a necessidade de óculos multifocais e de acompanhamento imediato para investigação de glaucoma, devido à pressão ocular limítrofe - condição em que a pressão dentro do olho está no limite superior do que é considerado nor mal, mas ainda não é glaucoma por si só. 

Para trabalhadores do mar, como o pescador João Maurício, o projeto representou proteção e reconhecimento. Exposto diariamente ao sol forte, ele destacou os riscos da radiação para a visão e agradeceu pelo atendimento gratuito. “Sou muito grato porque a situação da gente que vive no mar, levando o sol o dia inteiro, é muito difícil e perigoso para nossa visão”, contou João. 

ÓCULOS DE SOL E DE GRAU

Como parte da ação, foram distribuídos 1.295 óculos de sol (700 infantis e 596 adultos) com proteção contra os raios solares (UV), em parceria com a Receita Federal, além de 480 óculos de grau (404 para adultos e 76 para crianças), com apoio da OneSight Essilor Luxottica e da Arnette. 

Também foram distribuídas 354 armações, destinadas principalmente a trabalhadores expostos diariamente à radiação solar.

O projeto também contou com doação de colírios e medicamentos pela GBio e suporte do Grupo Adapt, com equipamentos portáteis de alta tecnologia para diagnóstico de glaucoma.

EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

A operação envolveu uma equipe multidiscipli nar de 32 profissionais - entre eles, médicos da FAV e estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que levaram equipamentos portáteis de alta precisão para diagnósticos na própria ilha.

O projeto também teve caráter educativo: segun do Diana Paes, da One Sight EssilorLuxottica Foundation, cerca de 80% do aprendizado em sala de aula dependem da visão, e problemas visuais estão ligados a até 60% das dificuldades escolares.

Para o coordenador da iniciativa, o oftalmologista Marcelo Ventura Filho, cuidar da visão é cuidar da dignidade, do futuro e da qualidade de vida das pessoas. “O projeto não foi apenas uma ação de saúde, mas um verdadeiro marco na história da saúde ocular em Fernando de Noronha. Levar atendimento especializado a um território remoto é um grande desafio, mas é justamente nesses lugares que a missão social da Fundação se torna ainda mais necessária”, disse. 

QUALIDADE E HUMANIZAÇÃO

A administração de Noronha e a Secretaria Estadual de Saúde (SES) ressaltaram que a ação deixa um lega do histórico, ao demonstrar que é possível levar atendimento especializado do Sistema Único de Saúde (SUS) a áreas isoladas com qualidade e humanização. “O projeto é um exemplo concreto de como a integração entre o Sistema Único de Saúde e instituições de excelência, como a Fundação Altino Ventura, fortalece a assistência à população. Levar atendimento especializado para uma região insular é promover equidade e reafirmar o compromisso do Estado com a saúde de todos os pernambucanos”, afirmou a secretária Estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti.

O administrador do Arquipélago, Virgílio Oliveira, destacou os benefícios diretos. “Para quem vive em Noronha, essa ação projeto representa cuidado, respeito e valorização da nossa população. A saúde ocular impacta diretamente a educação, o trabalho e a qualidade de vida dos moradores”, enfatizou Virgílio.

Fecha de la última modificación: 06/02/2026, 08:45