Asset Publisher Asset Publisher

Back

Jornal do Commercio-Ciência começa na escola

Ciência começa na escola

Educação 

Página  20

Ciência começa na escola

A pesquisa científica de ponta, em grandes universidades e laboratórios no mundo inteiro, possui pelo menos uma característica essencial preservada, desde os primeiros lampejos de curiosidade da consciência na infância: a vontade de co nhecer o mundo e transformar o conhecimento em aplicação prática para o benefício das pessoas. Cientistas foram, antes, crianças. E crianças são sempre curiosas. O aproveita mento desse brilho nos olhares abertos para a novidade que se desbrava entre o receio e a sur presa, entre a insegurança e a alegria da descoberta, compõe um dos principais desafios da educação em seus anos iniciais – para que depois seja mais fácil incorporar o gosto pela pesquisa na juventude. 

Aliando tecnologia e sus tentabilidade, um grupo de estudantes de Pernambuco produziu um biofilme a partir de resíduos de melancia para a feira de ciências do colégio. O resultado foi tão impactante que o projeto foi convidado a expor na Fenecit, em Cama ragibe, onde foi premiado, e recebeu outro convite: para ser apresentado na MILSET Europe Exposcience em Mân tua, na Itália, em outubro. O biofilme sustentável aproveita a parte branca, geralmente descartada, da melancia, e pode substituir o PVC con vencional. 

A turma inventiva é do Colé gio Militar do Recife. Uma das idealizadoras, a aluna Lavínia Freitas, destacou, em declara ção ao JC, a forma caseira de produção do biofi lme. “Todo o processo de extração, mistura e estufa adaptada com forno foi feito para baratear o processo e tornar ele mais alcançável para o público geral”, disse ela à repórter Anaís Coelho. O grupo já conta com o apoio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para dar continuidade à pesquisa, através de melhores condições de laboratório. Para Lavínia, “a ciência está em todo lugar, basta ter olhos e curiosidade para ver. Além disso, os me lhores projetos muitas vezes nascem de uma inovação ou da necessidade de resolver problemas na sua comunidade ou no seu cotidiano”, defende com entusiasmo a jovem pes quisadora. 

Reunindo propósitos de educação científica e empreen dedorismo, a MILSET Europe Exposcience atrai estudantes de nível fundamental, médio e técnico para proporcionar experiências compartilhadas de exaltação à criatividade e à cultura da ciência. A edição 2026 é organizada pelo Man to Circular Lab e pela FAST Milano, e terá exposição de projetos inovadores, conferên cias, visitas guiadas, ofi cinas e atividades de lazer – um inten sivo encontro de intercâmbio para os jovens participantes. É considerada um dos maiores eventos juvenis para a ciência, no mundo. 

A professora Goretti Cabral, que acompanhou o trabalho, re sume o signifi cado da conquista que não é apenas dos estudantes: “Mais do que levantar a ban deira do Brasil, essa conquista signifi ca desmistifi car a ciência em um país que muitas vezes não dá espaço para ela. Signifi ca mostrar onde ela pode te levar e que o Nordeste produz ciência de muita qualidade”. 

A fim de viabilizar a viagem, foi criada uma campanha virtual para financiamento, que pode ser acessada neste link: https://www.vakinha. com.br/vaquinha/ajude-a-le var-a-ciencia-pernambucana--a-italia?utm_source=google. com.

Date of last modification: 15/05/2026, 09:03