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Diário de Pernambuco- PL assume liderança numérica no Senado

PL assume liderança numérica no Senado

Política 

Página 03 e 04 

PL assume liderança numérica no Senado

Com o fim do recesso legislativo e a reabertura dos trabalhos em Brasília, o Congresso Nacional entra em 2026 já sob o peso da disputa eleitoral de outubro. O ano começa com um novo desenho das forças partidárias, especialmente no Senado, onde o Partido Liberal (PL) assume, pela pri meira vez desde 2023, a liderança numérica da Casa. O movimento acontece às vésperas de uma eleição conside rada estratégica tanto pela di reita quanto pela esquerda, já que dois terços das cadeiras do Senado estarão em disputa e o resultado pode redefinir a go vernabilidade do próximo presidente. Hoje, o Senado tem 81 parlamentares. O PL inicia o ano eleitoral como maior bancada, com 15 senadores, superando o PSD, que aparece em seguida com 14. MDB (10), PT (9) e PP (7) completam o grupo das cinco maiores bancadas.

Na Câmara dos Deputados, composta por 513 cadeiras, o PL também lidera, com 87 parlamentares. Na sequência, vêm União Brasil (59), PP (50), PSD (47),Republicanos (44) e MDB (42). Para o cientista político Arthur Leandro, professor da UFPE, a mudança no Senado é mais do que simbólica e pode alterar diretamente o equilíbrio institucional do Congresso. “Essa mudança é relevante; o PL ultrapassou o PSD, tornando-se a maior bancada da Casa. Isso reforça o poder de veto da oposição sobre temas sensíveis e transforma o Senado em espaço  de contenção, especialmente em relação à pauta do Executivo”, avalia.

Leandro, amplia a atual conjuntura do partido em áreas estratégicas. “Fazendo com que, na prática, o PL passe a comandar ou influenciar comissões estratégicas, e a ter mais protagonismo em sabatinas e decisões que exigem maioria qualificada”. O Senado, por ter mandatos mais longos e representar os estados, também tende a produzir efeitos políticos mais duradouros. Em outubro, 54 cadeiras estarão em disputa, o equivalente a dois terços da Casa Alta do Congresso. Arthur Leandro analisa que esse volume de renovação po de trazer rearranjos, mas dentro de um ambiente altamente polarizado. “Esse é um ponto importante; vamos ter 54 cadeiras é um número muito relevante para o Senado, que normalmente funciona com estabilidade e certo conservadorismo político”.

Ele acredita que, em te se, poderia haver espaço pa ra moderação. “Esse volume de renovação poderia abrir espaço para lideranças mais moderadas, de perfil técnico ou de composição mais ampla, mas o momento do país é outro”, afirmou. Na avaliação do professor, a tendência é que o Senado “importe” o clima já presente na Câmara. “A tendência atual aponta para uma dinâmica mais polarizada, com os palanques estaduais muito vinculados às candidtos''

Senado é a peça central no tabuleiro de 26

A disputa presidencial deve impactar direta mente a formação das bancadas, tornando o Senado a peça central no tabuleiro de 2026. A avaliação é do cientista político Arthur Leandro, professor da UFPE. “A eleição presidencial tem efeito direto sobre o Senado por dois motivos: primeiro, porque a disputa majoritária estadual é muitas vezes organizada em torno das candidaturas nacionais, com os senadores entrando no ‘palanque’ presidencial”, explica Leandro. Além disso, ele complementa que “o voto para o Senado tende a acompanhar o candidato a presidente, especial mente quando há forte identificação ideológica”.

Essa centralidade também é apontada pelo cientista político Hely Ferreira, que avalia que o PL na liderança pode tornar os embates mais frequentes. “Com certeza o PL assumindo a liderança no Senado, se poderá assistir com mais frequência embates bastante acirrados na Casa”, diz. Segundo Ferreira, o Senado historicamente tem sido “mais próximo do presidente da Repú blica”, mas isso muda em ano eleitoral. “Em ano eleitoral certamente será muito mais acirra do os embates também na Câmara dos Deputados”, completa. Ferreira também chama aten ção para o caráter permanente da disputa política em Brasília. “Não é só 2026, o Congresso vive uma eleição constante”, afirma. Para Hely, a antecipação do debate eleitoral reduz o espaço para pautas estruturantes. “Essa antecipação do debate faz com que muitas vezes as pautas sejam colocadas em segundo plano e os embates sejam antecipados”, diz. Arthur Leandro também acredita que o Congresso tende a funcionar mais como palco do que como espaço deliberativo. “Como é comum em ano de eleições presidenciais, o congresso começa  o ano sendo um tipo especial de palco de campanha”, avalia.

Ele observa que a agenda deve travar a partir do segundo trimestre, avançando apenas propostas de apelo imediato. “O que avança são iniciativas com alto apelo simbólico, baixo cus to político ou que possam ser instrumentalizadas eleitoralmente”, afirma.

IDEOLOGIAS

Na Câmara, apesar da lideran ça do PL, o cenário seguiria fragmentado segundo os especialistas. Para Leandro, não há maioria ideológica clara. “Não há maioria programática ou ideológica consistente. O que há são blocos temáticos, como a bancada evangélica, a ruralista ou a de segurança”, analisa. Isso manteria o Executivo dependente de negociações pontuais. “Essa lógica de ‘presidencialismo de transação’ limita a possibilidade de respostas mais amplas'', completa. 

Hely Ferreira relativiza o debate ideológico. “Não creio que a palavra ideologia caberia bem no que ocorre  muitas vezes nos embates no congresso”, pondera. O especialista avalia que predominam disputas personalistas. “Eu vejo muito mais discursos no campo pessoal, do que no campo ideológico”, afirma.

 

 

Fecha de la última modificación: 09/02/2026, 09:45