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Herbário Geraldo Mariz UFP comemora marca de 100 mil amostras com visita guiada aberta ao público
O local possui o maior acervo científico de plantas de Pernambuco, o 2º do Nordeste e o 16º do Brasil
Por Eugênia Bezerra
O Herbário Geraldo Mariz UFP promoveu uma visita guiada na última quarta-feira (dia 23) para comemorar o fato de ter alcançado a marca de 100 mil amostras, o que faz com que ele se torne o maior acervo científico de plantas de Pernambuco, o 2º do Nordeste e o 16º do Brasil. Na ocasião, o público pôde aprender mais sobre diferentes espécies brasileiras e de outros países. Além disso, foram mostradas as etapas do trabalho que precisa ser feito pelos pesquisadores na preparação das amostras científicas e ainda fotografias e alguns objetos que ajudam a contar a história do lugar, que faz parte do Centro de Biociências (CB) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
“Escolhemos a chegada à 100.000ª amostra como tema para nossa participação no Herbarium Day 2025. Esse é um evento internacional em que cada herbário define o próprio dia para realizar sua ação. Durante essa visita guiada que organizamos, as pessoas podem assinar o papel que colocamos junto à exsicata (de uma árvore da família Sapotaceae) nessa gaveta, que vamos lacrar com vidro e deixar exposta aqui em nosso espaço como lembrança desse dia”, explicou o professor do Departamento de Botânica Marccus Alves, atual curador do Herbário Geraldo Mariz UFP.
Acesse aqui o álbum de fotos da visita guiada, de autoria de Júlia Alencar, da Ascom UFPE.
Outras gavetas de madeira, que são normalmente utilizadas nos herbários para guardar as amostras dentro de armários de metal, foram preparadas para apresentar o acervo ao público. Dispostas sobre as mesas, elas permitem a observação dos formatos e das texturas das plantas, com sua variedade de folhas, frutos, flores e sementes, junto a cartões com informações sobre as espécies e também algumas fotografias das plantas em seu ambiente natural.
O vice-reitor da UFPE, Moacyr Araújo, foi um dos que participaram da visita comemorativa. Ao final da experiência, ele comentou: “É uma visita guiada que recomendo a todo mundo fazer, não só a quem é da comunidade acadêmica. São 100 mil espécies catalogadas, um dos maiores acervos do Brasil, espécies que foram coletadas em vários locais, como a Antártica, e trazidas para cá. Convidamos as escolas a conhecer essa maravilha do nosso Centro de Biociências”.
Professor do Departamento de Oceanografia da UFPE, Moacyr Araújo citou o continente antártico pela proximidade de ser o lugar onde desenvolve pesquisas há muitos anos. A amostra de uma briófita foi coletada em 2015, durante expedição científica brasileira, e mais tarde doada à UFPE pela professora Denise Pinheiro. Mas a coleção também inclui espécies de biomas presentes no próprio território brasileiro, como a Caatinga e a Mata Atlântica.
Além da abrangência geográfica, o conjunto também permite fazer uma “viagem no tempo”. Durante o passeio, são apresentadas algumas curiosidades ao visitante, como a amostra mais antiga do acervo, coletada em 1866, outra que foi encontrada às margens do histórico Riacho do Ipiranga (SP), em 1906, e outra colhida na Rússia quando a região ainda correspondia ao Império Russo. Uma coleção de macroalgas coletada no século XIX, no Rio de Janeiro, que era utilizada em aulas do Ginásio Pernambucano e foi doada ao Herbário UFP na época de sua fundação pelo professor Geraldo Mariz, também faz parte do conjunto.
O professor Marccus Alves lembra que, além de permitir o aprendizado sobre as plantas em si, o acervo de um herbário contribui para reflexões sobre a transformação dos espaços. “Você observa na ficha que a planta foi colhida em um lugar onde havia uma floresta e foi urbanizado ou está totalmente diferente hoje”, cita o pesquisador.
Outro exemplo da abordagem diversificada que se pode fazer com um acervo como este é a presença de peças como o livro de atas da Sociedade Protetora dos Recursos Naturais do Recife. Nele consta o registro da reunião presidida pelo professor da UFPE Oswaldo Lima, no dia 16 de maio de 1961, para instalação da sociedade. Foram registradas presenças como a do então prefeito do Recife, Miguel Arraes (1916-2005), e do secretário de Bem Estar Social do Recife na época, o artista Abelardo da Hora (1924-2014) e dos botânicos Dárdano de Andrade Lima e Sérgio Tavares.
“Também explicamos como são feitas as amostras científicas. Para esse tipo de trabalho, você não pode deixar a planta se decompor. Usamos técnicas para não deixá-la apodrecer. Precisamos ‘paralisar’ a planta, digamos assim. Temos fotografias mostrando as práticas históricas, negativos, reportagens, o material que era utilizado pelo professor Geraldo Mariz, carimbos, listas. As pessoas podem ver alguns organismos na lupa. Mostramos também o material utilizado para fazer a digitalização das amostras, como fotos nos padrões internacionais, e informatização dos dados registrados nas etiquetas. Essas informações vão para a rede internacional speciesLink. Apresentamos ainda o projeto de extensão Arvorar.UFPE, uma xiloteca com diferentes espécies de madeira. Temos uma coleção de arte”, continua a professor.
A seleção das gavetas pode variar de acordo com o perfil dos visitantes – se adequando, por exemplo, ao conteúdo do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio. “Até então, as pessoas vinham olhar a coleção científica. Mas agora estamos com esse material preparado, cada um com sua temática”, afirma o professor, que cita ainda o espaço acessível para pessoas cegas ou com baixa visão: “Elas podem manipular os frutos enquanto escutam a audiodescrição. Nas placas, as informações sobre as espécies também estão em braille. Nesse mesmo espaço, pessoas que enxergam podem participar de uma experiência sensorial, com olhos vendados, escutando a audiodescrição”.
O Herbário Geraldo Mariz UFP faz parte da Rede de Museus, Coleções Científicas Visitáveis e Galerias de Arte da UFPE. As visitas guiadas podem ser agendadas pelo Instagram ou por e-mail.
HISTÓRIA – O Herbário Geraldo Mariz UFP, fundado em 1968, abriga representantes dos vários ecossistemas do Brasil, com ênfase na Caatinga e Floresta Atlântica, e tem uma carpoteca (coleção de frutos) didática. Indexado internacionalmente no ano de sua fundação, o herbário foi cadastrado em 2003 pelo Ministério do Meio Ambiente como Fiel Depositário do Patrimônio Genético, sendo, nessa ocasião, o primeiro entre os cinco herbários de Pernambuco a formalizar esse cadastro. O espaço, que já conta com 100.510 amostras catalogadas, é utilizado por estudantes, professores e pesquisadores em atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Os dados de cada material botânico estão disponíveis digitalmente no Botanical Research and Herbarium Management Systems (BRAHMS) – Sistemas de Pesquisa Botânica e Gestão de Herbários, em tradução livre. O sistema, adotado pela maioria dos herbários brasileiros para o gerenciamento das coleções, permite o armazenamento, a análise e a divulgação da diversidade de plantas do herbário. Parte expressiva das coleções do Herbário UFP também se encontra disponível on-line por meio da Rede speciesLink, o que facilita a consulta ao material botânico do acervo.
Mais informações
Herbário Geraldo Mariz UFP
No Instagram @herbario.ufp
herbario.cb@ufpe.br